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"4th Latin American Meeting on Treatment of Hepatitis and HIV Co-infection" - Dia 2

25/03/2015

1 - Novidades no tratamento de transplantados de fígado - (Gregory Everson - Estados Unidos)

- Com os novos medicamentos orais livres de interferon existem excelentes opções de tratamento da hepatite C para pacientes em lista de espera para o transplante.

- Mais de 90% conseguem negativar o vírus antes do transplante com os novos tratamentos.

- Naqueles pacientes negativados no momento do transplante, o novo fígado não é atacado pelo vírus da hepatite C.

- Em pacientes já transplantados o tratamento com os novos medicamentos orais livres de interferon se consegue a cura da hepatite C em aproximadamente 90% dos pacientes.

- Já está em discussão se agora que a hepatite C é uma doença curável poderá ser factível se aceitar fígados de doadores com hepatite C para os transplantar em pacientes que perderam o fígado por culpa da hepatite C.

2 - Tratamento da hepatite C em co-infectados HIV/HCV - (Jürgen Rockstroh - Alemanha)

- O número de indivíduos com HIV (AIDS) infectados com hepatite C varia de país para país.

- Estudos realizados mostram que enquanto no Leste da Europa até 57% estão co-infectados, no Centro da Europa a co-infecção é de 30%, no Sul da Europa de 33% e no Norte da Europa de 18%. Um único estudo feito na Argentina encontrou que 20% das pessoas com HIV(AIDS) também estavam infectadas com a hepatite C.

- O dano hepático provocado pela hepatite C progride com maior rapidez nos co-infectados HIV/HCV.

- É urgente diagnosticar os co-infectados e oferecer tratamento da hepatite C.

- A possibilidade de cura com os novos tratamentos é idêntica aos resultados obtidos em indivíduos infectados somente com hepatite C.

3 - Quais são as opções na América Latina? - (Carlos Eduardo Brandão - Brasil)

- Estudo publicado no "Journal of Viral Hepatitis" mostra que o percentual de pacientes graves, com fibrose F3 ou cirrose é diferente em cada país.

- No Brasil 35% dos infectados já se encontram com fibrose F3 ou cirrose (F4), enquanto que na Checoslováquia somente 12% se encontram nesse estagio. Isso é atribuído a que na Checoslováquia a disseminação da hepatite C aconteceu tempos depois que no Brasil.

- Situação similar a do Brasil é encontrada em Portugal, Alemanha, Áustria, Bélgica, Egito, Francia, Espanha, Suíça e Turquia.

- No Brasil se consideramos os infectados já com fibrose F2 ou superior, 55% dos infectados deveriam ser tratados quanto antes para evitar danos irreparáveis a saúde dos pacientes.

- Enquanto Francia oferece anualmente tratamento a 5% dos infectados e, Alemanha, Holanda e Áustria a mais de 4% a cada ano, países como Israel, Irlanda, Turquia, Portugal, Brasil, México e Dinamarca somente estão tratando entre 0,6% e 1% dos infectados a cada ano. Argentina, Índia, Rússia e África do Sul não chegam a tratar 0,5% dos infectados a cada ano.

- Em Brasil, com mais de 2 milhões de infectados, menos de 15% estão diagnosticados, menos de 10% dos infectados receberam tratamento, menos de 5% dos infectados estão curados e menos de 1% estão atualmente em tratamento.

- No Brasil nos tratamentos realizados em terapia tripla com telaprevir ou boceprevir, un estudo de 100 pacientes, obteve a cura de 79% dos que receberam tratamento pela primeira vez, de 64% dos recidivantes a um tratamento anterior, de 66% dos respondedores parciais a um tratamento anterior e de 36% dos respondedores nulos ao tratamento anterior.

- Os dados estatísticos existentes na América Latina devem ser observados com extremo cuidado. Enquanto no México é estimado que existem 982.700 infectados com hepatite C é estimado que aconteçam a cada ano 24.800 mortes diretamente relacionadas a infecção, na Argentina com estimativa de 575.600 infectados são atribuídas anualmente 10.700 mortes diretamente relacionadas e no Brasil com uma estimativa de mais de 2 milhões de infectados são estimadas menos de 15.000 mortes anualmente. Os números são muito dispares. Faltam dados de melhor qualidade.

4 - É o tratamento sem interferon uma opção? - (Christophe Hézode - Francia)

- Tratamentos orais baseados no sofosbuvir e suas combinações é o novo modo recomendado de tratamento da hepatite C.

- A maioria dos pacientes é tratada em somente 12 semanas sem necessidade de utilizar ribavirina.

- Cada paciente deve ter uma estratégia de tratamento diferente conforme seu quadro clínico e a severidade da infecção. Pode ser tratamento de oito semanas em pacientes fáceis de tratar e de 12 ou 24 semanas utilizando também ribavirina em pacientes cirróticos.

- Já existem ótimas opções para tratamento do genótipo 3.

- Opções sem sofosbuvir combinando até 3 medicamentos orais já estão disponíveis.

- Uma variedade muito grande de medicamentos em fases avançadas de pesquisas estão sendo realizadas no mundo.

5 - O tratamento para prevenir a infecção da hepatite C é uma opção? - (Jürgen Rockstroh - Alemanha)

- O tratamento para prevenção, chamado abreviadamente de "PrEP" já é utilizado na prevenção do HIV/AIDS em indivíduos saudáveis que praticam comportamento de risco ou que convivem com parceiros infectados, com bastante sucesso. v - Poderemos utilizar os medicamentos orais para prevenção da hepatite C, tal qual no HIV/AIDS?

- Até o momento somente uma publicação científica foi publicada, portanto o tema ainda é controverso e em discussão.

6 - Acesso ao tratamento
- (Fabio Mesquita e Carlos Varaldo - Brasil)

- Devido ao acontecimento da Liminar suspendendo a publicação do registro do sofosbuvir na ANVISA no dia anterior, o debate esquentou, sendo necessário explicar o que aconteceu e as conseqüências que o fato poderá ocasionar, atrasando a possibilidade de tratamento oral livre de interferon no Brasil.

- O Dr. Fabio Mesquita apresentou números de tratamento e diagnostico no Brasil e dissertou sobre as ações futuras.

- O Dr. Fabio Mesquita explicou como o Brasil passou a atuar na negociação de preços com os laboratórios, sendo o primeiro país do mundo a discutir condições de preço as empresas farmacêuticas multinacionais, antes de proceder ao estudo de incorporação no SUS.

- Carlos Varaldo explicitou a forma encontrada para dar voz aos pacientes, por meio das pesquisas, pela ação com o abaixo assinado e pelo evento da bandeira, com o qual os infectados passam a constatar que vale a pena participar, dar a voz e, com isso se obtém excelentes resultados. Acabou em muitos aquele sentimento de que reclamar não adianta.

- O feito dessa mudança no comportamento ficou comprovado com os mais de 3.000 e-mails enviados na semana anterior a ANVISA. O post no Facebook foi compartilhado em 715 redes.

- Em menos de 48 horas milhares escreveram a 14º Vara Federal para que seja revogada em parte a Liminar que impedia o registro do sofosbuvir e no dia seguinte o TJ-DF se pronunciou ao respeito. O post no Facebook foi compartilhado em 502 redes.

A VOZ DO PACIENTE está sendo ouvida!

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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