036_EASL_2015_port

Aguardar chegar a F3 ou F4 para receber tratamento da hepatite C não é aconselhável - EASL 2015

11/05/2015

Aguardar que o infectado com hepatite C progrida na fibrose para receber tratamento tem claras desvantagens, incluindo menor eficácia do tratamento e aumento do risco de eventos clínicos e morte, de acordo com um estudo dos Veteranos de Guerra dos Estados Unidos apresentado no Congresso Europeu de Fígado - EASL 2015.

O estudo foi realizado para estimar o impacto no risco de morbidade e morte, dependendo se o tratamento foi iniciado antes ou após os níveis obtidos pelo calculo do índice FIB-4, um índice não-invasivo que permite a estimativa de fibrose hepática em pacientes sem biópsias, utilizando para o calculo a idade do paciente, contagem de plaquetas, e ALT - AST.

Um resultado do FIB-4 menor que 1,45 indica ausência de fibrose ou fibrose leve (Metavir F0-F1) enquanto que se o resultado é superior a 3,25 indica fibrose ou cirrose (F3-F4).

Foram analisados dados dos prontuários de 188 mil veteranos de guerra (predominantemente homens) com hepatite C crónica que tinham disponíveis os dados do FIB-4. Os principais pontos analisados foram o tempo até a morte e o tempo para eventos clínicos que combinavam cirrose, descompensação, hospitalização relacionada com a hepatite C, câncer de fígado, e morte.

O estudo demonstra que atrasar o tratamento da hepatite C em uma tentativa de economizar custos tem um sério impacto negativo sobre os pacientes e no sistema de saúde, com o efeito mais grave sendo a aceleração do tempo até à morte. Uma vez que o diagnóstico da hepatite C foi confirmado o tratamento mais adequado deve ser iniciado o mais rapidamente possível.

A análise mostrou que o início do tratamento com um FIB-4 menor de 1,00 foi associada com uma redução de 41% nos eventos clínicos e uma redução de 36% na mortalidade dos infectados.

Os infectados que iniciaram a terapia com FIB-4 menor de 1,45 apresentam uma redução de 39% nos eventos clínicos e uma redução de 40% na mortalidade.

Aqueles que foram tratados enquanto o FIB-4 ainda era menor de 3,25 tiveram um risco 34% menor de eventos clínicos e um risco 45% menor de morte.

Os pacientes que esperaram até chegar a um FIB-4 maior de 3,25 para receber o tratamento tiveram apenas uma redução de 11% nos eventos clínicos e uma redução de 25% na mortalidade.

Todos os infectados que foram tratados e obtiveram carga viral indetectável tiveram uma redução entre 33% e 35% nos eventos clínicos e uma redução entre 21% e 24% na mortalidade, independentemente de terem começado com FIB-4 menor de 1,00, menor de 1,45, ou menor de 3,25.

Já entre os pacientes que realizaram o tratamento depois que o FIB-4 ficou acima de 3,25, as reduções nos eventos clínicos eram de apenas 13% e na possibilidade de morte de 24%, mesmo naqueles que obtiveram a cura da hepatite C.

Concluem os pesquisadores que retardar o tratamento até depois que o FIB-4 ultrapassa 3,25 tem um efeito claro prejudicial sobre a eficácia do tratamento e nos eventos clínicos dos infectados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Can hepatitis C treatment be safely delayed?: Evidence from the Veterans Administration Healthcare System - Abstract O005 - EASL 2015


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO