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Hepatologia do Milênio 2015 - Métodos não invasivos para determinar a fibrose

26/07/2015

Os médicos estão preocupados com resultados conflitantes na elastografia do fígado (Fibroscan) relatando que pacientes que realizaram o exame em clínicas diferentes em curto espaço de tempo aparecem na consulta com resultados totalmente diferentes, em alguns casos até totalmente diferente do resultado da biopsia.

O Fibroscan é um excelente aparelho, mas para um resultado confiável depende muito do operador, em alguns casos com pouco treinamento ou realizados por auxiliares sem capacitação.

O aparelho deve ser calibrado a cada seis meses, mas o custo é caro, de uns 1.500 dólares e a assistência técnica do importador deixam a desejar, portanto é provável que alguns aparelhos não estejam corretamente calibrados.

A experiência do operador é fundamental. Se a sonda não estiver corretamente a 90 graus e tiver uma pequena inclinação o resultado será errado. Se o paciente se mover durante o procedimento ou aspirar ar na respiração também prejudica o resultado.

Participaram da mesa redonda mais de 30 especialistas os quais recomendam que para um resultado possa ser considerado correto é necessário ter o histórico clínico do paciente al realizar o procedimento conhecer a presença de outras doenças (comorbidades) e um hemograma atualizado, com exames de transaminases, pois elas se elevadas alteram o resultado.

Na Bahia que é o centro de referencia em biopsias já foram realizados mais de quatro mil exames de Fibroscan, mas todos os pacientes realizam três exames consecutivos, isso leva mais tempo, mas é necessário para ver se os três apresentam o mesmo resultado ou se existem divergências, quando então provavelmente é solicitada uma biopsia confirmatória.

Uma sugestão seria que todo Fibroscan sea acompanhado do calculo pelo APRI e/ou um FIB-4 e se existir discordância seja realizado um novo exame ou uma biopsia. Tal possibilidade no esta contemplada no novo protocolo de tratamento, mas será levada ao Ministério da Saúde para que seja obrigatória, pois tal recomendação consta no Consenso Americano.

Os pontos de cortes (existem sete colocados em um número seguidos da letra K) obtidos pelo Fibroscan também foram discutidos e a sugestão foi a de estudar pontos intermediaríamos. Um grupo de trabalho foi formado para apresentar o resultado a Sociedade Brasileira de Hepatologia a qual assim que receber o trabalho o estará publicando na sua pagina para divulgação.

O ponto de corte para determinar o grau de fibrose é diferente para cada doença, assim o mesmo resultado não pode ser utilizado para avaliar a fibrose em um infectado com hepatite B, em um infectado com hepatite C ou na esteatose (gordura no fígado), o operador do aparelho deve saber a que se destina o exame. Médicos que recebem o resultado podem se confundir com os resultados.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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