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Comentários do primeiro dia do Congresso Americano de Fígado - AASLD 2015

14/11/2015

Estou participando do ASSLD 2015 em San Francisco, Estados Unidos, considerado o maior evento do mundo nas doenças do fígado. Reunindo 12.000 profissionais da saúde, mais de 2.700 trabalhos serão apresentados e tentarei nesses cinco dias selecionar aquilo que é de nosso maior interesse, quando voltando ao Brasil como já é tradicional passarei a interpretar e divulgar as novidades.

Em relação a hepatite C não devemos esperar grandes novidades. Quando uma doença passa a dispor de tratamentos que em poucas semanas conseguem curar acima de 90% dos pacientes tudo o que chegará de novo estará limitado a medicamentos com menor tempo de tratamento, menos contra-indicações, menos efeitos colaterais e adversos, menores preços e alguns pequenos avanços na resposta terapêutica, isto é chegando a uns 95% em média, já que curar 100% de qualquer doença é uma coisa praticamente impossível e assim será também na hepatite C.

O que dá para perceber é que as controvérsias na hepatite C serão o item principal do congresso. Devemos estar preparados para presenciar um pesquisador afirmando uma coisa e em outra apresentação encontrar uma afirmação diferente. Mas pesquisa em saúde é assim mesmo, entre erros e acertos é que avança a ciência.

A utilização da ribavirina será um dos temas que serão discutidos já que estudos mostram que em alguns casos ela é necessária para aumentar a resposta terapêutica, mas também outros estudos não encontraram beneficio ao se adicionar ribavirina nos tratamentos sem interferon.

A idade dos pacientes para receber tratamento com os novos medicamentos esta sendo objeto de discussão no referente ao custo benefício. Existem opiniões alegando que devido ao custo dos medicamentos devem ter prioridade de tratamento aqueles com maior expectativa de vida, que o tratamento pouco acrescenta de expectativa de vida em uma pessoa com 90 anos que ainda não apresenta cirrose.

Uma interessante discussão por ser ainda controversa será em relação a tratamentos de 24 ou 12 semanas. Em que casos 24 semanas de tratamento é justificável?

Um tema interessante e atrativo de discussão é referente a quem vai ganhar a corrida com a chegada dos novos tratamentos já que se bem eles são altamente eficazes a mortalidade pela hepatite C continua a aumentar. Quanto tempo levara para encontrar o ponto de equilíbrio entre diagnosticados, tratados e mortalidade? Quando a mortalidade estará diminuindo?

Na hepatite B deveremos ter resultados de diversos tratamentos combinando interferon peguilado com os medicamentos orais. Também serão apresentados estudos que indiquem quando pode ser interrompido o tratamento oral tendo a segurança do vírus não replicar e, também, são aguardados os primeiros resultados com o medicamento experimental GS4774.

Regresso ao Brasil no dia 17, mas no mesmo dia estarei embarcando para João Pessoa para participar do X Congresso de Aids e III Congresso de Hepatites Virais, portanto, somente após o dia 21 é que poderei me dedicar a escrever sobre o acontecido nesses dois eventos.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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