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Controvérsias no uso da ribavirina - AASLD 2015

03/12/2015

É muito difícil se afirmar que no tratamento com os novos medicamentos orais livres de interferon deve se usar também, ou não, a ribavirina. Portanto, sem tomar partido pelos defensores no uso ou ficar de lado dos que acreditam não ter nenhuma utilidade, farei simplesmente um rápido resumo, sem entrar em detalhes dos estudos, mostrando somente as conclusões do que foi apresentado no AASLD em relação a ribavirina.

Interessante que algumas das apresentações já são resultados da vida real, em especial de programas de uso compassivo, isto é, quando se outorga tratamento prioritário aos pacientes mais graves. Resultados da vida real são os que realmente interessam, pois é tratado todo tipo de paciente.

Chamo também a atenção sobre a maioria dos estudos serem em relação ao genótipo 3, por ser este o que menor possibilidade de cura consegue com os novos medicamentos, portanto, os estudos procuram aumentar a possibilidade de cura nesse genótipo.

Sobre utilizar ou não utilizar a ribavirina relato resumidamente às conclusões de seis apresentações realizadas no AASLD 2015. A decisão de utilizar ou não fica para cada leitor tirar suas conclusões, seja paciente ou profissional de saúde.

1 - Comparação de tratamento de 8 vs. 12 semanas em infectados com o genótipo 1 nunca antes tratados, sem cirrose, recebendo os novos antivirais de ação direta com ou sem ribavirina - Uma meta-análise.

A conclusão dos pesquisadores é que nesse grupo especifico de pacientes o tratamento de 12 semanas apresenta maior possibilidade de cura, no entanto, o tratamento de 8 semanas utilizando sofosbuvir combinado ao ledipasvir parece ser adequado, assim como para outras combinações se associado ao uso de ribavirina.

FONTE:
Comparison of 8 vs. 12 weeks treatment durations in HCV-GT1 non-cirrhotic naïve patients receiving direct-acting antivirals with or without ribavirin: a meta-analysis - Vincent Di Martino, Jean Paul Cervoni, Carine Richou, Delphine Weil, Armand Abergel, Tarik Asselah, Thierry Thevenot - AASLD 2015 - Abstract 1036




2 - A ribavirina é realmente útil para tratamento de pacientes com cirrose infectados com o genótipo 1? - Uma meta-análise.

Concluem os autores que em infectados com o genótipo 1 com cirrose compensada, se o tratamento incluir ribavirina não aumenta a possibilidade de obter a resposta sustentada (cura), mas se o tratamento é realizado em 18 ou 24 semanas aumenta significativamente a possibilidade de cura.

FONTE
Is ribavirin actually useful for Genotype 1 cirrhotic patients who receive DAAs combination? An updated meta-analysis of randomized controlled trials - Vincent Di Martino, Carine Richou, Jean Paul Cervoni1, Delphine Weil, Claire Vanlemmens, Thong Dao, Anne Minello, Veronique Loustaud-Ratti, Odile Goria, Eric Nguyen-Khac, Christine Silvain, Thierry Thevenot - AASLD 2015 - Abstract 1187




3 - Genótipo 3 da hepatite C - Meta-análise com as opções atuais

Concluem os autores que o tratamento triplo com sofosbuvir, interferon peguilado e ribavirina demonstrou obter melhores taxas de resposta que com tratamentos orais livres de interferon no tratamento do genótipo 3.

Para melhorar a resposta no tratamento livre de interferon o tratamento no genótipo 3 deve ser estendido a 24 semanas, não se recomendando 12 ou 16 semanas.

Se o tratamento é realizado com a combinação de sofosbuvir, ledipasvir a ribavirina é essencial, provavelmente porque o ledipasvir apresenta baixa atividade no genótipo 3.

No tratamento com sofosbuvir e daclatasvir adicionar a ribavirina não aumenta a possibilidade de resposta terapêutica.

FONTE:
HCV genotype 3: Meta-analysis with current options - Javier Ampuero, K. Rajender Reddy, Manuel Romero-Gomez - AASLD 2015 - Abstract 1134




4 - Segurança e eficácia do tratamento com daclatasvir mais sofosbuvir, com ou sem ribavirina para o tratamento do genótipo 3: Os resultados provisórios de um estudo multicêntrico (Programa de uso compassivo Europeu)

Na analise preliminar os pesquisadores encontraram que no tratamento do genótipo 3 da hepatite C em pacientes com cirrose, com daclatasvir, sofosbuvir, com ou sem ribavirina, independentemente do estagio da cirrose foi uma combinação bem tolerada pelos pacientes. A utilização da ribavirina não alterou os resultados, sendo que 86% obtiveram a cura sem ribavirina contra 88% ao utilizar também a ribavirina.

FONTE:
Safety and efficacy of daclatasvir plus sofosbuvir with or without ribavirin for the treatment of chronic HCV genotype 3 infection: Interim results of a multicenter European compassionate use program - Tania M. Welzel, Joerg Petersen, Peter Ferenci, Michael Gschwantler, Kerstin Herzer, Markus Cornberg, Eckart Schott, Thomas Berg, Ulrich Spengler, Ola Weiland, Marc van der Valk, Andreas Geier, Jürgen K. Rockstroh, Markus Peck-Radosavljevic, Yue Zhao, Maria Jesus Jimenez Exposito, Stefan Zeuzem - AASLD 2015 - Abstract 37




5 - Daclatasvir mais sofosbuvir com ou sem ribavirina no tratamento do genótipo 3 a partir de um grande estudo multicêntrico francês (Programa de uso compassivo) - Comparando 12 e 24 semanas de tratamento

Concluem os autores analisando o genótipo 3 em pacientes com cirrose utilizando daclatasvir e sofosbuvir, com o sem ribavirina, que o tratamento demonstra alta taxa de resposta sustentada (cura). Consideram que o tratamento sem interferon para obter uma resposta ótima deve ser estendido até 24 semanas.

Em pacientes com cirrose, sem utilizar ribavirina, o tratamento de 12 semanas obteve 82% de cura, enquanto que os tratados durante 24 semanas, sem ribavirina, obtiveram 91% de possibilidades de cura.

Nos pacientes com cirrose, utilizando ribavirina, o tratamento de 12 semanas obteve 100% de cura, mas é um resultado que não pode ser considerado como definitivo, já que teve somente 3 pacientes tratados, enquanto que os tratados durante 24 semanas, utilizando também a ribavirina, obtiveram 92% de possibilidades de cura.

FONTE:
Daclatasvir plus sofosbuvir with or without ribavirin in genotype 3 patients from a large French multicenter compassionate use program - Christophe Hezode, Victor de Ledinghen, Hélène Fontaine, Fabien Zoulim, Pascal Lebray, Nathalie Boyer, Dominique G. Larrey, Christine Silvain, Danielle Botta-Fridlund, Vincent Leroy, Marc Bourlière, Louis d'Alteroche, Isabelle Fouchard-Hubert, Dominique Guyader, Isabelle Rosa, Eric Nguyen-Khac, Vincent Di Martino, Fabrice Carrat, Larysa Fedchuk, Raoudha Akremi, Yacia Bennai, Jean-Pierre Bronowicki - AASLD 2015 - Abstract 206




6 - Tratamento com daclatasvir em combinação com sofosbuvir com ou sem ribavirina é seguro e eficaz em transplantados de fígado com recorrência da hepatite C: resultados provisórios de um estudo multicêntrico (Programa de uso compassivo)

Uma analise dos resultados preliminares de tratamento da hepatite C na vida real em pacientes da Alemanha, Áustria, Holanda e Suécia, transplantados de fígado que tiveram recorrência da infecção demonstra que se tratados com daclatasvir, sofosbuvir, com ou sem ribavirina, alcançam altas taxas de resposta sustentada (cura)

A utilização da ribavirina não interferiu nos resultados de eficácia.

FONTE:
Daclatasvir in combination with sofosbuvir with or without ribavirin is safe and efficacious in liver transplant recipients with HCV recurrence: Interim results of a multicenter compassionate use program - Kerstin Herzer, Tania M. Welzel, Peter Ferenci, Joerg Petersen, Michael Gschwantler, Markus Cornberg, Thomas Berg, Ulrich Spengler, Ola Weiland, Marc van der Valk, Hartwig Klinker, Jürgen K. Rockstroh, Eckart Schott, Markus Peck-Radosavljevic, Yue Zhao, Maria Jesus Jimenez Exposito, Stefan Zeuzem - AASLD 2015 - Abstract 252


Carlos Varaldo
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