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10º Congresso de HIV/AIDS e 3º de Hepatites Virais
Novos Horizontes - Novas Respostas
Chega de reclamar, vamos agradecer!

14/12/2015

Com 3.000 participantes e excelente organização o congresso acontecido em João Pessoa, Paraíba, de 17 até 20 de novembro reuniu profissionais de saúde, gestores e associações de pacientes (ONGs) de AIDS e Hepatites Virais.

Pela primeira vez foi possível mostrar dentro da luta HIV/AIDS a necessidade de abrirem os olhos para as hepatites virais, em especial a hepatite C. É estimado que no Brasil aproximadamente 10% dos infectados com HIV/AIDS estejam infectados com hepatite C e que a maioria deles desconheçam essa preocupante co-infecção.

Os co-infectados HIV/HCV progridem rapidamente para cirrose e câncer de fígado, sendo a hepatite C a maior causa de mortes entre as pessoas que vivem com HIV/AIDS.

Outros países já despertaram para o problema, mas no Brasil as ONGs de AIDS inexplicavelmente estão mais preocupadas com a tuberculose e a sífilis, ignorando a necessidade de testar e tratar a hepatite C, doença que hoje tem um tratamento altamente eficaz, com cura de 95% dos co-infectados, em somente 12 semanas de tratamento oral, praticamente sem efeitos colaterais.

Em reuniões no exterior me perguntam por que esse silencio das ONGs de AIDS brasileiras em relação a hepatite C. A única resposta que encontro é que provavelmente por serem a tuberculose e a sífilis doenças que poderíamos chamar de "visíveis" chamem mais a atenção dos infectados e sendo a hepatite C uma doença silenciosa não se preocupam com ela.

Chegamos a tal ponto que no Dia Mundial da AIDS a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro deu inicio a uma campanha de 200.000 testes de AIDS e SÍFILIS, ignorando a hepatite C para a qual não estão sendo oferecidos testes. A secretaria de diversidade sexual do município simplesmente está preocupada nas doenças de transmissão sexual, como se isso fosse preservar os infectados com HIV/AIDS. Até que esses gestores que só olham o sexo como o único problema não entendam que saúde é uma coisa muito mais ampla, as pessoas com AIDS continuarão a morrer por culpa da hepatite C. As ações da secretaria de diversidade sexual do município devem entender que a saúde deve ser integral e passar a combinar ações com as outras áreas de atenção a saúde.

Chega de reclamar, vamos agradecer!


Coloquei isso no sub titulo porque a gratidão deve ser o sentimento de vibração mais elevado que existe, mas no nosso dia a dia pouco lembramos de agradecer, também julgamos erradamente, falamos mal, fazemos fofoca, etc., etc.. Não nos damos conta que as pessoas que fazem isso projetam para o inconsciente energias negativas, que os tornam um ser humano pior.

Os que reclamam dos fabricantes dos novos medicamentos, achando que deveriam os entregar de graça, esquecem ou, melhor, tentam ignorar que se não fosse por essas indústrias estaríamos tratando a hepatite C com ervas e orações.

Hoje dois terços dos infectados de 112 países tem acesso aos medicamentos genéricos a 1.500 dólares por tratamento. Os preços para o restante dos países são realmente altos, pessoalmente os considero até abusivos, portanto temos que lutar para que sejam mais acessíveis, mas sempre respeitando o direito a propriedade de quem fez o investimento nas pesquisas, para que pelo menos obtenham um justo retorno do dinheiro investido.

A saúde é um direito social constitucional, assim como alimentação e moradia adequada. Se empregarmos o mesmo critério de não pagar pelos medicamentos como alguns colocam demagogicamente e aplicarmos o mesmo conceito, então a alimentação e a moradia também deveriam receber o mesmo tratamento e, portanto ninguém mais deverá pagar aluguel nem a conta no restaurante, pois quem cobra pelo aluguel ou pela comida também será considerado um especulador. Como resultado teríamos a anarquia e o caos.

Insisto, sem por isso estar defendendo o atual preço dos novos medicamentos, é necessário aproveitar o fato de existirem vários fabricantes com medicamentos compatíveis e pressionar para negociar preços. Se a negociação não obtiver um resultado que consiga dar sustentabilidade ao sistema público de saúde, então os governos deverão pensar em passar a utilizar medicamentos genéricos, apesar de em muitos casos esses não serem os mais efetivos ou de última geração.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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