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Preços dos medicamentos de marca e genéricos foi discutido no EASL 2016

19/04/2016

"Há um papel claro para tratamentos com medicamentos genéricos para as pessoas com hepatite C em todo o mundo. As implicações do aumento da disponibilidade desses medicamentos podem ser enormes, beneficiando mais pessoas com a possibilidade da cura" disse o professor Laurent Castera, secretário-geral da EASL.

Dados apresentados durante o congresso demonstram que os medicamentos genéricos de ação direta (licenciados) são tão eficazes e seguros como os tratamentos de marca para curar a hepatite C. Os resultados de resumo apresentado no EASL 2016 em Barcelona, Espanha, apresentou alta resposta sustentada após o tratamento com sofosbuvir genérico, ledipasvir, daclatasvir e ribavirina, confirmando eficácia equivalente aos resultados observados na Fase 3 dos ensaios clínicos de tratamentos com os medicamentos de marca.

Existem dois tipos de genéricos, sendo 11 fabricantes licenciados por Gilead em 101 países e 4 fabricantes licenciados pela Bristol-Myers Squibb em 112 países. Até o momento Abbvie e Janssen não licenciaram a fabricação de genéricos. Existem ainda algumas dezenas de fabricantes não licenciados, mas destes ainda não se conhece a eficácia daquilo que estão produzindo. Cuidado máximo com esses medicamentos não licenciados!

O estudo realizado na Austrália foi feito com genéricos licenciados pelos fabricantes originais e os medicamentos foram legalmente importados por pacientes da Austrália, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Europa, Sudeste Asiático e África.

Os resultados provisórios, da semana 4 após o final do tratamento, mostram que para o genótipo 1 o tratamento com sofosbuvir e ledipasvir genérico, 95% dos pacientes estavam indetectáveis e no tratamento com sofosbuvir e daclatasvir genérico 97% se encontravam indetectáveis na semana 4 após o tratamento. No resultado de todos os genótipos na semana 4 se encontravam indetectáveis 94% dos pacientes.

COMENTÁRIOS

1 - Os resultados são provisórios, da semana 4 após o final do tratamento, devemos aguardar nos próximos meses o resultado da semana 12 para confirmar o verdadeiro resultado.

2 - Não todos os países permitem a importação de medicamentos pelos correios pelo próprio paciente. Nesses países somente é permitido importar medicamentos aprovados pelas agências reguladoras, sendo a ANVISA no caso do Brasil.

3 - Porém, para compras governamentais os governos de países que respeitam patentes não podem importar genéricos sem autorização do fabricante do medicamento original, pois estariam quebrando acordos de patentes.

4 - Obviamente que é muito tentador para um governo importar genéricos, mas a economia que isso representa é perdida logo a seguir devido as represálias comerciais previstas pela Organização Mundial do Comercio, já que em princípio está sendo quebrada a patente. Colocando o Brasil como um exemplo hipotético poderia quebrar-se a patente do sofosbuvir e com isso economizar aproximadamente 150 milhões de dólares, mas o país detentor da patente passaria então a aplicar as represálias previstas na Organização Mundial do Comercio, podendo vir a aplicar uma sobrecarga no imposto dos produtos exportados pelo Brasil, em geral isso resulta em um valor entre seis e oito vezes a economia conseguida pelo Brasil, assim o medicamento é evidentemente mais barato, mas se perdem dólares e empregos nos produtos fabricados no Brasil para exportação.

A patente do sofosbuvir é de uma empresa dos Estados Unidos, sendo o maior comprador de produtos brasileiros, por isso que quando o assunto da quebra de patente sai da discussão entre ativistas de associações de pacientes e chega ao ministério de comercio exterior este não considera ser um bom negócio para o país, beneficiaria, sim, os pacientes, mas estaria prejudicando a comercialização de produtos brasileiros no exterior, perdendo recursos de exportação e eliminado empregos dos produtos afetados pelas imposição das sobretaxas.

Portanto, é um assunto que deve ser muito bem discutido, por todos os implicados. Estamos na fase inicial de uma nova compra para o ser distribuída aos pacientes a partir de outubro, provavelmente de 45.000 tratamentos, cabe ao governo lutar a tudo custo para conseguir descontos que possibilitem a compra.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
HIGH SUSTAINED VIROLOGICAL RESPONSE RATES USING GENERIC DIRECT ACTING ANTIVIRAL TREATMENT FOR HEPATITIS C, IMPORTED INTO AUSTRALIA - James Freeman, United Kingdom - EASL 2016 - Abstract LB03


Carlos Varaldo
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