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Você aceitaria tratar a hepatite C com uma enfermeira? - EASL 2016

13/06/2016

Um estudo apresentado no Congresso Europeu de Fígado - EASL 2016 - demonstra que o tratamento da hepatite C com os novos medicamentos orais livres de interferon pode ser realizado com segurança e eficácia por médicos não especialistas e até por pessoal de enfermagem. Isto aliviaria a falta de médicos especialistas que existe atualmente para atender a demanda ocasionada pelo aumento de diagnósticos.

A resolução da Organização Mundial da Saúde incentiva os países a encontrar e tratar os entre 130 e 150 milhões de infectados com hepatite C, mas a expansão do tratamento está limitada pelo pequeno número de médicos especialista experientes no tratamento.

No estudo apresentado no EASL 2016 foi avaliada a eficácia e segurança do tratamento quando realizado em unidades de saúde da comunidade por médicos de atenção primaria e pessoal de enfermagem.

O estudo multicêntrico, aberto, de fase IV os pacientes infectados com hepatite C não randomizados receberam tratamento por médicos especialistas, médicos de cuidados primários e por enfermeiras.

Os médicos de cuidados primários e as enfermeiras receberam treinamento de 3 horas sobre o consenso de tratamento e o tratamento foi realizado com a combinação oral de sofosbuvir e ledipasvir.

Foram tratados 600 pacientes, de maio a novembro de 2015, todos acompanhados continuamente. O genótipo 1-a estava presente em 72% dos pacientes, 18% não tinham respondido a um tratamento anterior, 24% eram co-infectados HIV/HCV e 20% já se encontravam com cirrose. Os grupos de infectados eram similares entre os três tipos de profissionais que realizaram os tratamentos.

No momento da apresentação 304 pacientes tinham completado 12 semanas do final do tratamento, dos quais 285 se encontravam indetectáveis (curados), resultando numa taxa de resposta terapêutica de 93,8%.

Estatisticamente não houve uma diferença significativa entre os resultados alcançados pelas enfermeiras, os médicos de cuidados primários e os médicos especialistas. Enquanto os infectados tratados por enfermeiras obtiveram 94,89% de cura, os tratados por médicos de cuidados primários obtiveram 96,7% e os tratados por médicos especialistas 92,1%, conforme o quadro abaixo.

Até a data da apresentação 409 infectados tinham completado 12 semanas de tratamento, sendo observado que entre os pacientes tratados por médicos especialistas a adesão ao tratamento, respeitando doses e horários foi a menor dos três grupos.



Concluem os autores que os resultados demonstram que o tratamento da hepatite C administrado de forma independente por não especialistas é seguro e igualmente eficaz à observada quando realizado por médicos especialistas experientes, inclusive em populações desafiadoras da epidemia, ficando demonstrado que pode ser aumentada a disponibilidade de atendimento, ampliando significativamente a quantidade de tratamentos realizados.

MEU COMENTÁRIO

Os dados apresentados mostram que é perfeitamente possível, em 3 horas, treinar médicos de cuidados primários e pessoal de enfermagem para realizar o tratamento da hepatite C, com resultados praticamente iguais que quando o tratamento é realizado por médicos especialistas.

Pessoalmente sou um pouco mais prudente e penso que um paciente com cirrose estaria muito mais seguro com um hepatologista ou um gastroenterologista. Já pacientes simplesmente com fibrose, em qualquer grau, podem, sim, ser tratados com segurança por pessoal de enfermagem e médicos de cuidados primários, seja nos grandes centros urbanos ou nos mais remotos municípios do interior do país.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
A NOVEL TASK SHIFTING MODEL TO EXPAND THE HCV CARE CONTINUUM: THE ASCEND INVESTIGATION - S. Kattakuzhy1, C. Gross1, G. Teferi2, V. Jenkins3, R. Silk1, E. Akoth1, A. Thomas4, C. Ahmed4, M. Espinosa1, A. Price1, B. Emmanuel5, E. Rosenthal1, E. Wilson1, L. Tang1, H. Masur4, S. Kottilil1. 1Institute of Human Virology at the University of Maryland, Baltimore; 2Unity Healthcare, Inc., Washington DC; 3Family Medical Counseling Services, Inc., Washington, DC; 4Critical Care, National Institutes of Health, Bethesda; 5University of Maryland, Baltimore, United States - EASL 2016 Abstract LBP524


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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