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Mesa Redonda: Tratamento da hepatite C - Hepatologia do Milênio 2016

26/07/2016

O texto a seguir foi relatado pelas Dras. Dra. Rita de Cássia Martins Alves da Silva (SP) e Dra. Rosangela Teixeira (MG) na mesa " Mesa Redonda: Tratamento da hepatite C" o qual estou reproduzindo fazendo pequenas alterações nos termos médicos, marcadas em vermelho, para uma melhor interpretação pelos pacientes.

Apresentação do Dr. Marc Bourlière (França) - Manejo atual do genótipo 1 não cirrótico.


Apresentou os DAAS aprovados atualmente na Europa em 2016 e aponta os disponíveis no Brasil. Os seguintes dados foram apresentados:

Resultados de resposta sustentada com esquemas dos novos medicamentos livres de interferon são satisfatórios tanto em pacientes nunca antes tratados quanto em não respondedores a um tratamento anterior em vários estudos de vida real (n=16.236 pacientes com esquemas e populações diversas confirmam uma resposta sustentada acima de 90%). Outra importante informação é que estudos de prova de conceito de 4 semanas de duração apresentam eficácia próxima de 100%.

O tratamento de curta duração (sofosbuvir e ledipasvir) de 8 semanas comprova resposta sustentada de 90%.

Os inibidores de bomba de prótons somente impactam negativamente nas taxas de resposta sustentada se utilizados em dose alta. Em relação em esquema recentemente aprovado de Grazoprevir e Elbasvir, recomenda-se associar ribavirina e prolongar o tratamento para 16 semanas nos casos de genótipo 1 com presença de RAS NS5A.

Sofosbuvir e velpatasvir por 12 semanas foi recentemente aprovado na Europa com taxa de resposta sustentada acima de 95%

Para 2017, espera-se a utilização de esquemas terapêuticos de curta duração (seis ou oito semanas), particularmente com o esquema de Sofosbuvir + velpatasvir + GS 9857, para pacientes nunca antes tratados e em não respondedores a um tratamento anterior, com altas taxas de resposta sustentada. Novos regimes de curta duração para pacientes infectados pelo genótipo 1 e não cirróticos, nunca antes tratados ou não respondedores, são esperados nos próximos dois anos. A terapia guiada pela resposta, mostrada em alguns estudos, permanece um desafio

Apresentação do Dr. Moisés Diago (Espanha) - Manejo atual do genótipo 3, não cirrótico


As particularidades da infecção pelo genótipo 3 tem sido amplamente discutida, como causa de maior morbidade e menor taxa de resposta terapêutica. Os esquemas de interferon peguilado têm sido pouco utilizado na pratica, como comprovado pelo estudo TARGET, de grande relevância, onde tal esquema foi utilizado em menos de 5% dos pacientes. Já o esquema sofosbuvir + daclatasvir, com ou sem ribavirina tem sido amplamente usado por 12 semanas em pacientes nunca antes tratados ou em não respondedores a um tratamento anterior. O estudo ALLY3 de 16 semanas com ribavirina não comprovou benéficos em pacientes não cirróticos. Outra opção terapêutica para esta população pode ser o esquema pangenotipico sofosbuvir + velpatasvir , com resposta sustentada acima dos 90%.

Atenção deve ser dada ao fato de a população infectada com o genótipo 3 tem apresentado RAS NS5A (resistência viral) de 16% pré tratamento que poderá impactar nas taxas de resposta sustentada. Entre os esquemas terapêuticos futuros são esperadas combinações triplas de drogas com ou sem ribavirina e com foco no encurtamento do tempo de tratamento para seis ou oito semanas com respostas próximas de 100%.

Apresentação do Dr. Didier Samuel (França) - Manejo racional da hepatite C no cirrótico em lista de transplante.


Tratar a hepatite C antes ou após o transplante de fígado são estratégias possíveis e com resultados satisfatórios e bom perfil de segurança. Contudo, melhores resultados são alcançáveis ao tratar após o transplante os pacientes com cirrose descompensada.

A segurança as interações medicamentosas e o grau de comprometimento da função hepática devem ser consideradas.

A saída da lista de transplante pode ocorrer em até 30% dos que atingem a resposta sustentada.

Um algoritmo proposto: abordagem terapêutica dependente da presença ou não de carcinoma hepatocelular (CHC):

- Pacientes com câncer de fígado, Child-Pugh A ou B: tratar a hepatite C antes do transplante.

- Com Child-Pugh C - individualizar o tratamento considerando riscos e benefícios.

- Pacientes sem câncer de fígado e Child-Pugh B: considerar o escore MELD e tratar se MELD baixo.

- Com Child-Pugh C tratar após o Transplante

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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