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Primeiros comentários do AASLD 2016

11/11/2016

Estou em Boston, Estados Unidos, participando do maior congresso do Fígado do mundo, a 67ª edição anual do AASLD este ano com aproximadamente 10.000 participantes. O que pude observar neste primeiro dia?

Na hepatite C eu tinha falado em abril, após o congresso europeu, que dificilmente teríamos maiores novidades, pois ao existir medicamentos que curam mais de 93% dos pacientes pouco a mais estaria chegando de novidades, mas reconheço que estava errado, muita coisa está por vir em relação a tratamentos e novos medicamentos. Também serão interessantes a apresentações de dados de cura na vida real em diversos países que estarão sendo apresentados.

Na hepatite B vamos ver a apresentação de estudos em andamento sobre estudos de eficácia e segurança dos GS-47 e GS-96. Vamos ver se aparecem novidades e teremos ainda estudos sobre entecavir, tenofovir e interferon peguilado. Na hepatite D novas drogas, como a fase 2 do Titrating

Na esteatose enquanto não chegam medicamentos para o tratamento certamente serão apresentados estudos sobre dietas, alimentação, atividades físicas, vitamina D e alguns resultados de medicamentos em investigação, alguns ainda de estudos in-vitro ou em ratos.

Na cirrose deverão ser realizadas apresentações de estudos pilotos sobre drogas experimentais e ainda estudos sobre ascites, problemas renais, a complicada síndrome hepato renal, tratamento das varizes do esôfago, infecções causadas pela cirrose e a encefalopatia.

Também é interessante ver que teremos alguns estudos sobre os cuidados da enfermagem em pacientes com doenças hepáticas, isto é importante porque problemas que afetam os pacientes, como é a fadiga e a aderência aos tratamentos podem ser acompanhados com maior eficácia pela enfermagem que pelos médicos.

Apresentações sobre hepatite autoimune, hemacromatoses, doença de Wilson e outras condições estão no programa.

São quase 2.400 apresentações, sendo humanamente impossível em somente quatro dias estar presente em todas. Fiz uma seleção ampla e sei que nem sequer conseguirei seguir as selecionadas.

Pior ainda, em qualquer conversa surge logo a eleição para presidente do Trump. O que vai acontecer com Estados Unidos e as implicações no mundo são as grandes incógnitas. Eleito presidente o discurso da vitória de Trump foi equilibrado e conciliatório, aumentando expectativas de que alguns pontos mais inflamados da retórica de sua campanha podem ter ficado para trás. Eu pessoalmente acho que internamente os imigrantes ilegais devem estar preocupados e os beneficiários do plano de saúde ObamaCare igualmente. Em relação ao relacionamento com o mundo veremos nos primeiros meses qual a direção que vai tomar. Em relação a patentes de medicamentos dos Estados Unidos, certamente Trump, pelos seus princípios, vai tomar represálias comerciais enérgicas caso algum país tente quebrar uma patente ou realizar um licenciamento compulsório para trabalhar com genéricos, não será uma boa briga para algum país comprar.

Nem sequer vai dar tempo para escrever desde aqui, pois a partir das 7.00 da manhã já há atividades no café da manhã com especialistas e os simpósios satélites acabam lá pela 23.00 hs.

OK, vou trabalhar e após o dia 17 já de volta a Brasil é que sentarei para começar a divulgar.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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