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Especialistas não são mais necessários para tratar a hepatite C - AASLD 2016

21/11/2016

Na era dos medicamentos de ação direta (DAA) que são de uso oral e livres de interferon muitos pacientes podem ser tratados por médicos não especializados em hepatite C sem perda de eficácia, conforme um estudo apresentado no AASLD 2016.

No estudo ASCEND de fase IV, as taxas de cura da hepatite C foram semelhantes se os pacientes foram tratados por uma enfermeira, um médico de cuidados primários, ou um médico especializado em qualquer doença infecciosa ou hepatologista.

No mundo todo o acesso a médicos especialistas é um problema que retarda o tratamento de pacientes que residem no interior ou em áreas rurais, mas os novos medicamentos são de uso mais fácil, com menos efeitos colaterais, e a duração do tratamento é geralmente de poucas semanas.

Os pesquisadores selecionaram 600 pacientes que foram tratados por cinco enfermeiros, cinco médicos de cuidados primários e cinco especialistas. Todos receberam três horas de treinamento com as diretrizes para utilizar a combinação de sofosbuvir / ledipasvir (Harvoni®).

A média de idade era de 58,7 anos, 69% homens, 96% negros, 24% co-infectados HIV / HCV, 20% com cirrose, 72% genótipo 1 e 82% nunca antes tinham recebido qualquer tratamento antiviral.

Na intenção de tratar os pacientes tratados por médicos especialistas obtiveram 83% de cura, os tratados por médicos de atenção primaria obtiveram 86,3% de cura e os tratados por enfermeiros 89,4% de cura.

Quando o protocolo de tratamento foi seguido e eliminados os pacientes que interromperam o tratamento as taxas de cura em todos os grupos ficaram entre 93,2% e 95%, não existindo diferença estatística entre os diferentes grupos.

Na entrevista a imprensa a pesquisadora, Dra. Sarah Kattakuzhy observou que os médicos especialistas e os de cuidados primários conseguem melhores resultados com os co-infectados HIV / HCV. Perguntada sobre os pacientes com cirrose ela informou que não houve diferença significativas nos resultados dos três grupos.

O moderador da entrevista a imprensa, Dr. Mandana Khalili, que não faz parte do estudo, comentou que a possibilidade de realizar o tratamento da hepatite C por médicos de atenção primaria e por pessoal da enfermagem que recebam um rápido treinamento é um excelente atrativo para poder aumentar o acesso e interiorizar o tratamento.

MEUS COMENTÁRIOS

1 - Lógico que pacientes com cirrose descompensada somente podem ser tratados por médicos especialistas em hepatologia.

2 - Co-infectados HIV / HCV considero prudente serem tratados por médicos especialistas no tratamento do HIV, devido as interações medicamentosas que podem acontecer e a necessidade de ajuste de doses dos antirretrovirais.

3 - Pacientes com cirrose que curam a hepatite C não podem ser dados de alta total, pois a cura não significa que o fígado ficou novo, sem danos. A cirrose continua e deve ser acompanhada pelo médico a cada seis meses no máximo, pois a cirrose pode levar ao câncer de fígado.

4 - Está na hora que os governos e sociedades médicas ampliem o acesso ao tratamento treinando médicos de atenção primaria e profissionais de enfermagem, pois existem milhares, milhões de infectados, com hepatite C.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
High Efficacy in Real-World Treatment of Cirrhotic Patients by Non-Specialist Providers - Benjamin Emmanuel, Chloe Gross, Henry Masu, Shyam Kottilil, Sarah Kattakuzhy - Abstract 22. - AASLD 2016


Carlos Varaldo
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