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O aparecimento de câncer no fígado após o tratamento da hepatite C é raro de acontecer - AASLD 2016

21/11/2016

Um estudo apresentado no AASLD 2016 demonstra que o tratamento da hepatite C com os novos medicamentos livres de interferon em pacientes com doença avançada, em especial com cirrose, não aumenta o risco do câncer no fígado.

No estudo a possibilidade do aparecimento do câncer de fígado 1 ano após o tratamento é praticamente o mesmo em pacientes que receberam tratamento como naqueles não tratados. Mas alertam os pesquisadores que os raros pacientes que desenvolveram câncer após o tratamento eram mais propensos a desenvolver uma forma mais agressiva do câncer.

O assunto é controverso e confuso devido a diversos estudos apresentados nos últimos dois anos, mas este estudo com grande número de pacientes, incluindo 3.075 pacientes tratados e seguidos por mais de 300 dias após o final do tratamento mostra definitivamente que o possível câncer após o tratamento não é associado ao efeito dos medicamentos e sim a um estágio mais avançado dos danos existentes no fígado antes do tratamento.

Dos 3.075 pacientes, 27,7% tinham fibrose F3, 65,3% tinham cirrose Child-Pugh A, e 7% tinham cirrose Child-Pugh B. Pacientes com histórico de câncer de fígado foram excluídos do estudo, bem como aqueles com um transplante antes de iniciar o tratamento com os medicamentos livres de interferon.

A maioria dos pacientes obteve 97% de cura nos pacientes com fibrose F3, 92% em pacientes com cirrose Child-Pugh A, e 80% em pacientes com cirrose Child-Pugh B. No total 41 dos 3.075 pacientes desenvolveram câncer de fígado.

A probabilidade de desenvolver câncer de fígado aumentou com a gravidade da doença, de 0,23% por paciente / ano para aqueles com fibrose F3, para 1,64% por paciente / ano para os com cirrose Child-Pugh A, e 2,92% por paciente / ano para os com cirrose Child Pugh B. A incidência também foi maior se o tratamento não teve sucesso, sendo de 8,38% por paciente / ano.

Um resultado inesperado foi que metade dos pacientes desenvolveram o tumor habitual de um único nó, enquanto o restante desenvolveu uma forma mais difusa - e invulgarmente agressiva - doença, disse o autor do estudo, Dr. Alberti na entrevista para jornalistas.

A taxa encontrada pelos pesquisadores de desenvolvimento de câncer no fígado após o tratamento foi de 1,64% por paciente / ano, mais ou menos semelhante às taxas encontradas em estudos de pacientes que não receberam tratamento que é de 2,8% ao ano ou de pacientes com cirrose, nos quais a possibilidade de desenvolver câncer ao não receber tratamento é de 3,9% ao ano.

Na entrevista coletiva para a imprensa o moderador do evento, Dr. Raymonf Chung do Hospital de Massachusetts, disse que alguns pacientes com doença hepática avançada são susceptíveis de ter câncer muito precocemente, mas que são difíceis de diagnosticar devido a inflamação do fígado e, uma vez curada a hepatite C quando o fígado não está mais inflamado o cancer pode ser observado no diagnóstico por imagem. O tratamento cura a hepatite C, mas os danos no fígado ainda permanecem, afirmou o Dr. Chung. O que é intrigante sobre o estudo, disse ele, é que cerca de metade dos pacientes que desenvolveram câncer tinha uma forma mais agressiva do que é normalmente visto.

A implicação é que, para os pacientes com doença hepática avançada, os médicos têm de ser extremamente vigilantes após o tratamento da hepatite C para diagnosticar qualquer tipo de câncer pela raiz.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Incidence and pattern of 'de novo' hepatocellular carcinoma in HCV patients treated with oral DAAs - Antonietta Romano, Franco Capra, Sara Piovesan, Liliana Chemello, Luisa Cavalletto, Georgios Anastassopoulos, Valter Vincenzi, PierGirogio Scotton, Sandro Panese, Diego Tempesta, Martina Gambato, Francesco P. Russo, Tosca Bertin, Maurizio Carrara, Antonio Carlotto, Giada Carolo, Giovanna Scroccaro, Alfredo Alberti; - Abstract 19 - AASLD 2016


Carlos Varaldo
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