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Medicamentos na Hepatite C: é a nova geração a última geração?

16/01/2017

A revista "Gastroenterology" pública uma análise do Professor JEAN-MICHEL Pawlotsky no qual ele diserta sobre os novos medicamentos orais livres de interferon que revolucionaram o tratamento da hepatite C, perguntando se essa geração de medicamentos é a última geração e nada mais de novo será descoberto.

A seguir comento de forma livre alguns trechos do excelente documento publicado.

A hepatite C é uma doença descoberta recentemente, em 1990. Os primeiros tratamentos eram feitos com interferon convencional aplicado três vezes por semana e a taxa de sucesso era de somente 6%.

Com financiamento de bilhões de dólares os científicos encontraram medicamentos de uso oral que atuam diretamente sobre o vírus (chamados de ação direta - DAA) sem necessidade de interferon, os quais conseguem curar mais de 90% dos infectados em poucas semanas de tratamento.

A PRIMEIRA GERAÇÃO DE MEDICAMENTOS

Diversos medicamentos já estão disponíveis: sofosbuvir, daclatasvir, ledipasvir, ombitasvir, elbasvir, velpatasvir, dasabuvir, simeprevir, paritaprevir, e grazoprevir. Estas drogas estão disponíveis, quer como uma dose fixa ou em combinações, incluindo sofosbuvir / ledipasvir, sofosbuvir / velpatasvir, ombitasvir / paritaprevir / ritonavir (com ou sem dasabuvir) e grazoprevir / elbasvir, utilizados como agentes únicos ou que podem ser combinados (sofosbuvir, daclatasvir e simeprevir).

No entanto várias questões permanecem sem resposta:

- Em que situações o tratamento pode ser realizado em menos de 12 semanas?

- Um número ainda considerável de pacientes ainda necessita também da ribavirina, um medicamento com efeitos colaterais, para aumentar a possibilidade de cura;

- O genótipo 3 continua a ser de difícil cura, com opções de tratamento limitadas e possibilidade de sucesso inferior aos outros genótipos;

- Existe benefício clínico no tratamento antes do transplante de fígado?

- Em pacientes com cirrose descompensada qual o tratamento ideal?

- Ainda são limitadas as opções de tratamento para infectados com os genótipos 2, 3, 4, 5 e 6 com insuficiência renal.

- Qual o retratamento ideal para pacientes que não responderam ao tratamento com os medicamentos livres de interferon?

Portanto, novos medicamentos e novas combinações ainda são necessárias para atender todos os infectados.

A SEGUNDA GERAÇÃO DE MEDICAMENTOS

Já nas fases 2 ou 3 das pesquisas aparecem com excelentes possibilidades o tratamento com sofosbuvir e velpatasvir mais voxilaprevir ou GS-9857 durante 4 a 8 semanas. Tratamento que será o primeiro pan-genótipo, isto é, serve de forma igual para todo e qualquer genótipo e sem necessidade da ribavirina.

Outra combinação altamente promissora é a combinação do glecaprevir ou ABT-493 e o pibrentasvir ou ABT-530. Também um tratamento que responde igual para todos os genótipos.

Estes dois medicamentos, considerados de segunda geração, deverão estar aprovados nos Estados Unidos e na Europa já em 2017.

Menos ribavirina será utilizada no futuro, contudo a ribavirina permanecerá, provavelmente, útil em alguns pacientes de difícil cura, situação que não vai mudar de imediato.

O genótipo 3 considerado como o de cura mais difícil não será mais o caso com os medicamentos dessa segunda geração.

A segunda geração de medicamentos para tratamento da hepatite C será a última geração, poucas novidades poderão aparecer a seguir, e o esforço da indústria passa a ser encontrar medicamentos para tratamento da hepatite B e da esteatose (gordura no fígado).

Os governos devem agora implementar políticas para encontrar todos aqueles que ainda não sabem que estão infectados com a hepatite C e uma vez diagnosticados oferecer assistência e o tratamento adequado. Também serão necessárias campanhas para educar os que curaram a hepatite C para evitar o risco de uma reinfecção e assim tornar o mundo livre de hepatite C em 2030.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
JEAN-MICHEL Pawlotsky - Article in Press - Gastroenterology 2016;-:1-3 - EDI 5.4.0 DTD


Carlos Varaldo
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