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Hepatite C e o Presidente Trump

06/02/2017

Segue texto de Lucinda Porter, uma ativista há mais de 20 anos na luta pela hepatite C, que foi publicado na "Huffington Post's Contributor platform".

Nos Estados Unidos pacientes estão apreensivos, pois o presidente Donald Trump anunciou que o Obamacare vai virar um Medicaid dos estados. Medicaid é um programa federal de saúde para os pobres, mas a ideia do novo presidente é acabar com o programa federal e enviar dinheiro aos estados para cada um implementar o Medicaid como bem entenderem.

A ansiedade está no ar!

Vamos ao artigo, em tradução livre.



Hepatite C e o Presidente Trump

Por Lucinda Porter

Durante 20 anos, defendi as pessoas vivendo com hepatite C. Fui diagnosticada com hepatite C (anteriormente conhecida como hepatite não-A, não-B) nos primeiros dias da presidência de George H.W. Bush. Clinton foi presidente durante meu primeiro tratamento, George W. Bush o presidente durante meu segundo tratamento. Obama ocupou o cargo quando eu já estava curada.

Nesses anos, a hepatite C nunca atraiu muita atenção. Obama fez mais do que outros presidentes fizeram, mas eu estou comparando seu trabalho a nada, que é o que presidentes anteriores fizeram. A hepatite C não ganhou o clamor do público. A hepatite C não sensibiliza os políticos como com a Zika e a micro encefalopatia em bebês. É fácil ver um problema na inocência nos bebês. Mas adultos com hepatite C não recebem muita simpatia ou atenção.

Acredito que a sociedade se afasta das pessoas com hepatite C porque faz suposições totalmente erradas: a) que as pessoas adquiriram a hepatite C usando drogas, b) os usuários de drogas merecem as consequências do uso de drogas, c) o tratamento de usuários de drogas é um investimento inútil, pois uma vez curados podem ser novamente infectados, e, d) que as crianças não se infectam com hepatite C durante o parto. Mas todas essas suposições são mitos. Vamos dar uma olhada.

Mito # 1: Pessoas se infectaram com hepatite C por uso de drogas. Isso às vezes é verdade, mas não completamente verdadeiro. Eu fui infectada por uma transfusão de sangue, e eu não sou a única. Há muitos fatores de risco para a infecção pela hepatite C. Sim, atualmente, o uso de drogas é a forma mais comum de transmissão, no entanto, a transmissão durante procedimentos médicos ainda está acontecendo.

Costumávamos pensar que a razão pela qual tantos "baby boomers" foram infectados era porque estávamos usando drogas enquanto se ouvia rock and roll. No entanto, tudo isso foi virado de cabeça pela pesquisa publicada no The Lancet (30 de março, 2016), intitulada "A Propagação do Vírus da Hepatite C genótipo 1-a na América do Norte. Um estudo filogenético retrospectivo" ( http://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(16)00124-9/abstract )

Jeffrey Joy e colaboradores descobriram que a maior parte da propagação do genótipo mais comum no país (1-a) na América do Norte ocorreu antes de 1965 e atingiu o pico em 1950. Eles teorizaram que a maioria da propagação do genótipo 1-a anterior a 1965 ocorreu por razões médicas em vez de do uso de drogas injetáveis ou outras causas relacionadas ao comportamento (tatuagem insegura, práticas sexuais de alto risco, etc.). Naquela época, as agulhas e seringas eram reutilizadas.

Mito # 2: Os usuários de drogas merecem as consequências do uso de drogas. O uso de drogas é uma questão social complexa. Quando o vício é um elemento-chave, então é um problema de saúde pública. O Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas descreve o vício como uma doença crônica e recorrente do cérebro que se caracteriza pela busca compulsiva de drogas, apesar de consequências prejudiciais. Independentemente de seus sentimentos sobre o abuso de drogas, ninguém merece um vírus destruidor do fígado. A hepatite C é uma doença curável e possível de erradicar.

Mito # 3: Tratar usuários de drogas é um investimento inútil, uma vez que eles irão curar a hepatite C e ficar novamente infectados por continuar usando drogas. O CDC relata que a hepatite crônica C mata mais americanos anualmente do que todas as demais 60 doenças infecciosas de notificação obrigatória juntas ( https://www.cdc.gov/media/releases/2016/p0504-hepc-mortality.html ).

Mito # 4: As crianças não se infectam com hepatite C. A taxa de transmissão de hepatite C da mãe para o bebé é quase 6 por cento. Se a mãe também tem HIV, a taxa de transmissão hepatite C é substancialmente maior.

Agora Trump é presidente, e a hepatite C provavelmente continuará a ser uma questão de política de saúde de baixa prioridade. Cabe a nós, cidadãos, consumidores, defensores e partes interessadas, manter a consciência; para continuar falando a verdade, para não ficarmos calados e não desistir de lutar.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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