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Infectados com hepatite C acampam em hospital reclamando tratamento para todos

06/03/2017

SEXTA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO

Um grupo de infectados com hepatite C, familiares e amigos integrantes da "Plataforma de Afetados da Hepatite C (Plafhc) na Espanha", acamparam na última sexta-feira 24 de fevereiro, na portaria do hospital para exigir tratamentos com os medicamentos livres de interferon para todos e não somente para os que já se encontram com fibrose F2, F3 ou F4 (cirrose).

Esse protesto aconteceu durante o final de semana na cidade de Córdoba, na Espanha, no Hospital Reina Sofia para exigir da Junta de Andaluzia e do governo central que todos os infectados, com qualquer dano no fígado recebam os novos tratamentos, sem ter de aguardar agravar seu estado de saúde.

Luís Escobar, um dos líderes do movimento informou que "a desculpa dos médicos para não indicar o tratamento é o Protocolo de tratamento, impedindo que todos os infectados possam ser tratados, sendo indignante que quem se encontra nas fases zero ou 1 da fibrose tenha que resignar-se a continuar doente e aguardar agravar o estado de saúde e, possivelmente chegar a desenvolver um câncer de fígado, para então o governo entregar a medicação".

SEGUNDA-FEIRA, 27 DE FEVEREIRO

O protesto deu resultado, já na segunda-feira seguinte foi convocada a "Plataforma de Afetados da Hepatite C (Plafhc)" para participar de uma reunião com o "Comitê de Acompanhamento do Plano Estratégico de Abordagem da Hepatite C (Peach)", onde foi decidido incluir no Protocolo os infectados com fibrose F0 e F1.

MEU COMENTÁRIO

Na Espanha o tratamento gratuito contempla pelo Protocolo os infectados com fibrose F2 ou superior, por isso existem protestos no País todo, com infectados tomando a entrada de hospitais para que todos, com qualquer grau de fibrose recebam os medicamentos.

É bonito ver uma atitude desse tipo, de pessoas lutando pelo seu direito a saúde e, portanto, o pessoal da Espanha merece meu aplauso. Faz lembrar ao início da luta pela AIDS no Brasil e que resultou na criação do melhor programa de AIDS e em tratamentos para todos os infectados.

Por outro lado, fico triste de não observar atitudes desse tipo dos infectados com hepatites no Brasil, Argentina, Chile, Peru, Colômbia, México e em toda América Latina. Nos poucos países da região que estão oferecendo tratamento o infectado já deve estar com fibrose F3 ou F4 (cirrose).

Mas não se observa por parte dos infectados pela hepatite de América Latina qualquer manifestação, parece que todos estão sentados esperando a divina providencia ou que outros lutem por eles. Tadinhos, irão morrer sentados, cansados de esperar por tratamentos para todos!

"As mudanças acontecem por indignação, se não há rebeldia não se consegue mudar"
Adolfo Pérez Esquivel (Prêmio Nobel da Paz de 1980)


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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