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Avanço no tratamento para Hepatite C esbarra em burocracia

26/06/2017

Por Carlos Norberto Varaldo - Publicado em Bahia Notícias em 19 de junho de 2016

Desde a chegada do novo tratamento para Hepatite C (HCV) pelo Ministério da Saúde em 2015 foram atendidos 45 mil pacientes até setembro de 2016. Esse dado representa a quantidade de pessoas que podem ter alcançado o controle da doença, uma vez que nas fases de pesquisa clínica o percentual de cura com os remédios foi superior a 90%.

Embora muitos desses pacientes tenham alcançado os resultados de taxas de eficácia com o tratamento composto pelos antivirais daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir, parte deles lida com atrasos e a burocracia. Apesar do protocolo do Ministério da Saúde ter priorizado os casos mais graves devido a limitação orçamentária, a falta de informações claras sobre documentos e exames para comprovação da necessidade dos pacientes pelos medicamentos também prejudicou o acesso junto aos Departamentos Regionais de Saúde.

A incorporação dessa nova classe de medicamentos ao Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Hepatite C também beneficiou os pacientes coinfectados pelos vírus HIV-HCV, pois o daclatasvir é a única opção aprovada até então para ser ministrada com os antirretrovirais para Aids.

No Brasil, a epidemia de HIV/Aids é considerada estabilizada, mas ainda avança entre os mais jovens. Na última década, o índice de contágio mais que dobrou na faixa etária de 15 a 19 anos, passando de 2,8 casos por 100 mil habitantes para 5,8 casos. Além disso, cerca de 11% da população brasileira com HIV também é portadora de Hepatite C, de acordo com o Ministério da Saúde.

No caso do HCV, segundo a Organização Mundial de Saúde, 110 milhões de pessoas no mundo têm infecção crônica por Hepatite C. No Brasil, estima-se que 1,4 milhão de brasileiros tenham a doença, porém apenas 120 mil casos foram notificados nos últimos 13 anos. O desafio agora é encontrar a população com HCV ainda não diagnosticada. Para isso é fundamental que as pessoas busquem a testagem gratuita disponível no Sistema Único de Saúde.

Recentemente um grande passo foi dado no combate à doença em uma reunião da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) com o Departamento de DST/Aids/Hepatites Virais sobre a revisão da incorporação de novos tratamentos para o HCV. Foram apresentadas recomendações, como a disponibilidade de tratamentos de genótipo 3 para pacientes cirróticos, alargamento do tratamento para 24 semanas com sofosbuvir e daclatasvir, a introdução do tratamento com ombitasvir, veruprevir, ritonavir e dasabuvir (3D) para pacientes com genótipo 1, revisão da sorologia dos 6 meses para tratamento e oferta da combinação de sofosbuvir e daclatasvir para genótipo 2 em paciente cirrótico experimentado e a possibilidade de uma análise rápida para elbasvir/grazoprevir para pacientes com genótipo 1 e em hemodiálise que também atenderia uma demanda importante da população. O êxito destas recomendações depende da validação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC) para incorporação no protocolo de 2017.

Cabe à sociedade cobrar das autoridades responsáveis para que o tratamento completo seja disponibilizado a todos os cidadãos e que os portadores da doença e as vulneráveis à infecção peçam ao seu médico que realize exames periódicos e prescrevam o tratamento. A prevenção ainda é o melhor caminho para o combate ao HCV e à Aids, assim como campanhas efetivas de educação são o meio de conscientização para extinguir uma doença.

CARLOS NORBERTO VARALDO
Economista, presidente do Grupo Otimismo de Apoio a Portadores de Hepatite C.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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