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Comentários do 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais
Curitiba - Brasil - 26 até 19/09/2017

30/09/2017

Com o tema "Prevenção Combinada - Multiplicando Escolhas" o evento teve como objetivo reunir e avaliar resultados de pesquisas, experiências e práticas de prevenção e assistência.

Na sua fala o ministro da Saúde, Dr. Ricardo Barros, apresentou como modelo a ser seguido a negociação de preços dos medicamentos para hepatites o que possibilitou aumentar o acesso ao tratamento, anunciando que no próximo ano serão contemplados todos os infectados, com qualquer grau de fibrose, inclusive os com F0, e que a intenção do governo é tratar 130.000 infectados com hepatite C em dois anos (2018-2019).

Entre as experiencias bem-sucedidas em relação as hepatites posso destacar:

- Um trabalho mostrando sobre a ampliação do diagnóstico e prevenção ao se realizar a capacitação dos profissionais de saúde.

- Um outro sobre o perfil cognitivo dos pacientes antes e depois do tratamento com sofosbuvir e daclatasvir mostrando que é observada uma melhora significativa em algumas funções cognitivas, principalmente, memória. Entretanto, não houve melhora significativa nos sintomas depressivos.

- Um pôster mostrou que as equipes de enfermagem necessitam de maior treinamento visando adquirir mais informações quanto à prevenção da Hepatite C.

- Um trabalho mostra que existe uma alta carência de informação nas escolas no que diz respeito a não existência de uma vacina para hepatite C, mostrando ser necessário inserir a Educação em Saúde na educação básica.

- Em estudo realizado em um serviço hospitalar de alta complexidade e em população de faixa etária específica, foi observada baixa prevalência de hepatite C na população pesquisada. Esse resultado entra em consonância com outras pesquisas, as quais têm revelado uma menor prevalência da hepatite C no Brasil, em relação àquela anteriormente verificada.

- Assusta o resultado de um estudo sobre o conhecimento básico sobre as hepatites virais mostrando que entre os estudantes de enfermagem de todos os períodos o conhecimento é insuficiente, muito embora, exista um aumento deste conhecimento ao longo do curso. Os resultados alertam para a necessidade de que as hepatites virais sejam efetivamente abordadas desde o início dos cursos de enfermagem.

- Ainda, entre os professionais de enfermagem já formados um estudo constatou que um número significativo de profissionais de enfermagem desconhecia as formas de transmissão e de prevenção da hepatite C.

- Uma revisão narrativa da literatura mostra que autores concordam que a testagem da hepatite C em unidades de urgência e emergência é estratégica para a identificação de casos novos.

- Uma revisão de 19 estudos internacionais sugerem que o enfermeiro devidamente capacitado tem condições de realizar a elastografia hepática, com acurácia comparável à de operadores médicos, o que tem sido adotado em várias regiões do mundo.

- Estudo do tratamento na vida real mostra que em dois ambulatórios públicos onde foram tratados 248 infectados com hepatite C confirmou a eficácia e segurança dos regimes de tratamento livre de interferon em pacientes infectados pela hepatite C e cirróticos compensados.

- As prevalências encontradas para hepatite B e C no estado do Pará durante a campanha de julho amarelo foram abaixo das apontadas na literatura. Isto pode ter ocorrido devido à testagem ter sido realizada em população de todas as faixas etárias e não somente em pacientes acima de 40 anos.

- Estudo avaliando o conhecimento dos acadêmicos de fisioterapia e farmácia sobre as hepatites virais mostra que ao serem avaliados houve maior percentual de erros do que de acertos antes da capacitação, indicando falta de conhecimentos básicos sobre hepatites. Este fato pode levar à negligência de medidas de biossegurança, aumentando o risco de infecção por hepatites virales para os próprios graduandos e para os pacientes atendidos nos estágios e práticas do curso, podendo o risco prolongar-se na vida profissional, se a falta de conhecimento não for suprida até o fim do curso.

- Na minha participação no Congresso realizei palestras sobre os temas "Ativismo: hepatites virais e coinfecção HIV" e outra sobre "Estratégias para alcance da visibilidade do movimento social". Também tive que substituir uma palestrante tendo que preparar apresentação para falar sobre "Nova realidade das OSC de hepatites virais a partir da cura da hepatite C" e uma outra sobre "Sustentabilidade e financiamento das organizações da sociedade civil na realidade atual".

MEU COMENTÁRIO FINAL

Se tivesse que dar uma nota entre zero e 10, onde zero é ruim é 10 excelente, pelos trabalhos acima resumidos daria uma excelente nota 10, mas não posso deixar de reivindicar, ou melhor dito reclamar, sobre as poucas associações de pacientes de hepatites que foram contempladas com convites, já que somente umas 10, entre os 3.200 participantes do congresso (entre gestores, profissionais de saúde e movimentos sociais), portanto, em protesto e solidariedade com aqueles companheiros que não estavam presentes, estarei sendo justo dando uma nota entre 7 e 8.

Dou parabéns a toda a equipe do Departamento ITS, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde pela excelente organização e coordenação do Congresso, onde todos atuaram com total dedicação e profissionalismo. Sou testemunha disso.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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