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Controvérsias - MUDANÇAS NO PARADIGMA DO TRATAMENTO DA HEPATITE C

25/10/2012

(Colocação de minhas observações pessoais consolidando aquilo que foi maioria ou consenso)


Moderadores: Stefan Zeuzem (Alemanha) - Eckart Schott (Alemanha)
Painel: Stanislas Pol (França) - Thomas Berg (Alemanha) - Christoph Hezode (França) - David Back (Reino Unido).


- A recomendação geral de tratamento no genótipo 1 é o Boceprevir e o Telaprevir.


1 - PACIENTES RECEBENDO O PRIMEIRO TRATAMENTO - Stanislas Pol (França):

- É necessário naqueles que a fibrose progride com maior velocidade.

- Pacientes que apresentam uma fibrose maior a F1 e atividade necro inflamatória maior que A 1, 20% deles progridem para a cirrose.

- Pacientes com resultado "CC" no teste IL28B continuam tratamento com interferon peguilado e ribavirina, sem utilização de inibidores de proteases.

- Pacientes que na semana 4 do tratamento com interferon peguilado e ribavirina apresentam resposta virológica rápida (indetectável) continuam tratamento com interferon peguilado e ribavirina, sem utilização de inibidores de proteases.

- Devido ao custo e a complexidade do tratamento a prioridade da utilização dos inibidores de proteases deve ser para os pacientes com fibrose F3 ou cirrose compensada (F4).

- Informar ao paciente que deve considerar que a maior fibrose menor é a possibilidade de cura.

- Os inibidores de proteases aumentaram a possibilidade de cura de 42% para até 75% ou mais, dependendo do grau de comprometimento do fígado nos pacientes que recebem tratamento pela primeira vez.

- Segundo o Dr. Stanislas Pol o futuro é bom, o tratamento mais fácil e de tempo menor que o atual, mas o custo dos novos medicamentos permanece uma incógnita.


2 - TRATAMENTO DOS NÃO RESPONDEDORES - Thomas Berg:

- Nos nulos de resposta a um tratamento anterior com interferon peguilado e ribavirina o risco de não responder ao retratamento utilizando os inibidores de proteases é considerável.

- Já nos respondedores parciais ou não respondedores ao tratamento anterior a possibilidade de cura com os inibidores de proteases é alta.

- A interrupção do tratamento, por qualquer causa, ao se utilizar os inibidores de proteases é de 12% em pacientes com cirrose e de 5% nos não cirróticos.

- A resposta ao tratamento anterior e níveis normais do colesterol LDL são fatores de bom prognostico no retratamento com os inibidores de proteases.

- LEAD-IN = Se na semana 4 do retratamento com interferon peguilado e ribavirina a carga viral inicial baixou mais de 1 LOG a possibilidade de cura é de 75% nos recidivantes e não respondedores.

- LEAD-IN = Se na semana 4 do retratamento com interferon peguilado e ribavirina a carga viral se encontra indetectável a possibilidade de cura é de 90% nos recidivantes e não respondedores.

- Fibrose elevada, cirrose, transaminases altas, nulos de resposta ao tratamento anterior e carga viral elevada são prognósticos negativos na possibilidade de sucesso.

- O genótipo 1-b responde melhor que o genótipo 1-a, em especial nos respondedores parciais ao tratamento anterior.

- Em pacientes com fibrose F3 ou F4 o retratamento com inibidores de proteases aumenta consideravelmente a possibilidade de cura.

- Em pacientes com fibrose F0 ou F1 não existe praticamente diferença alguma se for efetuado o retratamento com, ou sem inibidores de proteases.


3 - EFEITOS ADVERSOS - Christoph Hezode:

- No tratamento com inibidores de proteases, no aparecimento da anemia a recomendação é reduzir a dosagem de ribavirina em vez de utilizar eritropoetina, isso em pacientes não cirróticos. Em pacientes com cirrose os dados ainda são insuficientes para uma definição.


4 - INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS COM OS INIBIDORES DE PROTEASES - David Back:

- Ainda não todas as interações medicamentosas que podem acontecer ao se utilizar um inibidor de protease são conhecidas.

- A magnitude dos efeitos que podem causar uma interação com outro medicamento não é igual em todos os pacientes.

- Algumas interações podem ser previstas, outras não, e são explicáveis e, outras não podem ser previstas e são inexplicáveis.

- Boceprevir e Telaprevir prejudicam o efeito dos métodos anticoncepcionais, portanto o uso de preservativo deve ser OBRIGATÓRIO quando um dos parceiros se encontra em tratamento, assim permanecendo a recomendação durante todo o tratamento e nos seis meses seguintes ao final do tratamento.

- Antes de indicar tratamento com um inibidor de proteases o médico deve checar todas as possíveis interações medicamentos que podem acontecer com cada paciente em especial.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Observações pessoais no "2nd World Congress on Controversies in the Management of Viral Hepatitis (C-Hep)" - Berlim, Alemanha - 18, 19 e 20 de outubro de 2012.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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