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Controvérsias - TRATAMENTO SEM INTERFERON?

22/10/2012

(Colocação de minhas observações pessoais consolidando aquilo que foi maioria ou consenso)

Painel: NÃO: Graham Foster (Inglaterra) - SIM: Heiner Wedemeyer (Alemanha)
Moderadores: Jonathan Schapiro (Israel) e Jürgen Rockstroh (Alemanha).


- Considerar que o que é apresentado nos congressos gera muita expectativa, mas que tipo de pacientes está sendo incluído nessas pesquisas?

- Cuidado com os resultados apresentados. Atualmente muitas das apresentações de novos medicamentos em pesquisa, quando apresentam a resposta nos tratamentos colocam o resultado em função daqueles pacientes que obtiveram a resposta rápida na semana quatro e, não sobre o total dos que iniciaram o tratamento.

- Os resultados atuais são encorajadores, mas devemos considerar que as populações incluídas nas pesquisas eram de pacientes de fácil tratamento e, ainda, os pacientes estavam motivados porque são monitorados de forma permanente pelas equipes medicas.

- Os pessimistas opinam que somente a longo prazo teremos tratamentos totalmente orais para hepatite C, mas os otimistas discordam desse posicionamento e consideram que é provável dispor de tais tratamentos, pelo menos para parte dos infectados em curto espaço de tempo.

- É consenso que o preço dos medicamentos orais poderá ser elevado, dificultando o acesso ao tratamento.

- Diversas estimativas concordam que o tratamento com os medicamentos orais poderá custar até 10 vezes o atual custo do tratamento com interferon peguilado e ribavirina.

- Ainda é uma incógnita quantos comprimidos serão necessários a cada dia e qual será a duração do tratamento.

- É consenso que a adesão correta ao tratamento será fundamental para o sucesso da terapia.

- Os que opinam que teremos tratamento oral na hepatite C a curto prazo, argumentam que a hepatite C é diferente da AIDS e da hepatite B, portanto não podem ser comparadas.

- Na hepatite C o controle imune é possível, na AIDS e na hepatite B não.

- É consenso que a resposta sustentada é a cura da hepatite C, sendo definitiva em mais de 98% dos casos.

- O que procuram como ideal com os tratamentos orais:

1 - Curar 95% dos pacientes de todos os genótipos;
2 - Conseguir um tratamento que utilize somente 1 comprimido ao dia;
3 - Mínimo de efeitos colaterais e adversos;
4 - Sem interações com outros medicamentos e,
5 - Tratamento em 12 ou 24 semanas.


MINHAS CONCLUSÕES:

- Devido ao provável preço elevado dos medicamentos orais é possível imaginar que os pobres deverão continuar a ser tratados com interferon peguilado e ribavirina e, os ricos com os medicamentos orais.

- Portanto os medicamentos orais somente conseguirão sucesso se o preço não for elevado.

- Vejo com esperança e otimismo que ao aparecer um tratamento oral sem efeitos adversos e sem interações medicamentosas, o paradigma de tratamento da hepatite C seja definitivamente sepultado, deixando de ser uma exclusividade para especialistas, permitindo assim aumentar a capacidade de atendimento por uma infinidade de médicos resultando em maior número de pacientes sendo tratados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Observações pessoais no "2nd World Congress on Controversies in the Management of Viral Hepatitis (C-Hep)" - Berlim, Alemanha - 18, 19 e 20 de outubro de 2012.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
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