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Devemos considerar o custo do medicamento ou o gasto por paciente curado?

24/02/2014

O que interessa para a gestão da saúde pública? O custo do medicamento ou o custo de cada paciente curado?

A primeira vista parece que o que interessa a saúde pública deveria ser quanto é gasto hoje para curar um paciente e comparar esse custo com os gastos futuros caso o paciente não seja tratado.

Não tratar é uma economia no orçamento atual, mas dependendo da doença pode ser uma expressiva carga de gastos futuros com exames, internações, cirurgias, perda da qualidade de vida, aposentadorias e perda de anos de vida. Para cada doença é necessário um calculo especifico, nada fácil de realizar devido a que são muitas as variáveis.

Para o gestor ao ter que administrar o orçamento anual ele quer saber quanto vai gastar na aquisição dos medicamentos, se muitos curam a doença ótimo, mas se poucos conseguem a cura o problema do orçamento certamente vai ser da próxima administração.

Já se falamos em fármaco economia para o sistema de saúde é necessário analisar a idade do paciente, sua condição clínica, expectativa de vida, os ganhos de vida com o tratamento, os anos de vida saudável com ou sem tratamento, custo do tratamento, gastos futuros se não é oferecido o tratamento, anos de vida produtiva ou de aposentadoria e custos sociais em caso de falecimento prematuro, entre outras variáveis.

Mas não realizaremos neste artigo tal calculo e estimaremos somente o custo do tratamento por paciente curado da hepatite C.

No caso do tratamento da hepatite C, um tratamento de 48 semanas com interferon peguilado e ribavirina custa ao governo aproximadamente R$. 15.000,00, considerando que curam entre 30 e 40% dos tratados o custo por paciente curado é de aproximadamente R$. 45.000,00.

Se o tratamento é realizado incorporando um inibidor de protease um tratamento de 48 semanas com o inibidor de proteases, interferon peguilado e ribavirina custa ao governo aproximadamente R$. 59.000,00, considerando que curam entre 60 e 70% dos tratados o custo por paciente curado é de aproximadamente R$. 90.000,00.

Qual será o preço que o governo aceitará pagar nos novos medicamentos orais que curam entre 93, 97 e até 100% conforme os ensaios clínicos?

Para igualar o custo por paciente curado comparando com a utilização dos inibidores de proteases que é de R$. 90.000,00 o custo dos medicamentos orais que conseguem a cura entre 93%, 97% e 100% deveria ser para o governo de aproximadamente R$. 85.000,00 por tratamento.

Em termos de custo efetividade por cada paciente curado não existe uma despesa maior se o preço dos novos medicamentos oferecidos ao governo fosse de R$. 85.000,00, mas em questão de orçamento anual o gasto passa a ser 45% maior que o atual para o SUS.

Caso não seja possível conseguir um aumento no orçamento para o tratamento da hepatite C com os novos medicamentos orais, ou se negocia um preço menor ou os tratamentos com medicamentos orais serão limitados, atendendo somente grupos de pacientes considerados mais vulneráveis. Mas como então garantir a equidade, um dos princípios pétreos do SUS, de forma ordenada e justa?

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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