26/02/2007
Controvérsias no tratamento da hepatite C
Dois estudos publicados em diferentes revistas durante o mês de janeiro, um na revista Gastroenterology e outro na revista Clinical Gastroenterology & Hepatology apresentam conclusões muito diferentes em relação ao efeito que pode ter a redução das dosagens de interferon e ribavirina durante o tratamento da hepatite C, um concluindo que a redução da dosagem da ribavirina reduz a possibilidade de cura e outro afirmando que não.
Os autores estudaram a redução de somente um dos medicamentos já que todos os estudos anteriores estavam baseados na redução de ambos de forma conjunta, sendo comum se afirmar que a redução para menos de 80% das dosagens de interferon e ribavirina diminuía a possibilidade de se obter a cura, inclusive sem ter diferenciado as diferenças que poderiam acontecer no caso de redução das dosagens, da interrupção do tratamento ou na descontinuação prematura do mesmo.
São dois os interferons peguilados utilizados no tratamento da hepatite C, o Pegasys e o PegIntron, sempre combinados com a ribavirina e a utilização de dosagens adequadas dos medicamentos e fundamental para se tentar alcançar a cura e a manutenção sustentada da mesm. Porém, em muitos casos por causa dos efeitos adversos e colaterais é necessária uma redução de dosagens dos medicamentos. Estes dois estudos, realizados por equipes diferentes, estudou o que acontece com os resultados do tratamento ao se reduzir as dosagens.
É normal encontrar este tipo de discordâncias nos resultados, consideradas como controversas, devido a enorme quantidade de pesquisas publicadas na literatura cientifica, que se por um lado permitem avançar no conhecimento do tratamento, por outro lado podem confundir médicos e pacientes, porém, é importante as comentar para observar o quanto ainda é desconhecido o tratamento da hepatite C. Mas como a medicina é uma ciência que avança em função de erros e acertos, sem duvida que estas controvérsias ajudam no caminho de melhorar o conhecimento da doença e do tratamento.
Estudo 1 - Impacto da redução das dosagens do interferon e da ribavirina no tratamento da hepatite C
Na edição de janeiro de Gastroenterology é afirmado que a redução da dosagem do interferon peguilado ou da ribavirina reduze a possibilidade de se conseguir a resposta sustentada.
Participaram deste estudo 936 pacientes do estudo HALT-C, todos infectados com o genótipo 1, com fibrose avançada ou cirroses e que não tinham respondido a um tratamento prévio com o interferon alfa (convencional) com ou sem ribavirina. Todos os pacientes receberam o interferon Pegasys.
A conclusão dos autores e que reduzindo a dosagem de interferon peguilado durante as primeiras 20 semanas do tratamento existe uma menor possibilidade de sucesso com o tratamento, já a redução da dosagem da ribavirina não alterou a resposta virológica ao final do tratamento nem a resposta sustentada aos seis meses após o final do tratamento desde que permanecesse a dosagem total de interferon peguilado durante todas as 48 semanas de tratamento.
Se a interrupção total da ribavirina acontece nas primeiras 20 semanas do tratamento a resposta virológica ao final do tratamento e a resposta sustentada aos seis meses após o final do tratamento serão afetadas.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
M L Shiffman, M G Ghany, T R Morgan, and others. Impact of reducing peginterferon alfa-2a and ribavirin dose during retreatment in patients with chronic hepatitis C. Gastroenterology 132(1): 103-112. January 2007.
Estudo 2 - Reduções na dose de ribavirina devidas a efeitos colaterais não comprometem a resposta sustentada
Um outro estudo, apresentado na edição de Janeiro de 2007 do Clinical Gastroenterology & Hepatology, uma equipe da Universidade da Pensilvânia avaliou a redução da dosagem ribavirina e de interferon peguilado na resposta sustentada em 569 portadores do genótipo 1. Estes pacientes tinham participado na fase 3 de um ensaio clinico durante o qual foram tratados com Pegasys e ribavirina.
Todos foram avaliados relativamente ao efeito da exposição cumulativa dos medicamentos nas semanas 4 e 12. Completaram o tratamento 412 pacientes que foram avaliados em função da resposta sustentada comparando com as dosagens de medicamentos.
Ao ser observada a redução de somente um dos medicamentos empregados a conclusão foi que a redução da ribavirina foi responsável por 43% menos de possibilidade de cura, já a redução do interferon peguilado foi responsável por uma redução de 27% nas possibilidades.
Curiosamente, em discordância total com o estudo anteriormente citado, os autores afirmam que a resposta precoce nem a resposta sustentada foi alterada pela diminuição da ribavirina, se esta se manteve superior aos 60% da dosagem recomendada. Se a doses for inferior a 60% a diminuição da possibilidade de cura é real.
A diminuição da possibilidade de cura neste estudo foi associada a períodos prolongados de redução de dose, a interrupções temporárias ou a cessação prematura da ribavirina. Nos pacientes que conseguiram resposta rápida, isto é, estar negativos na semana quatro do tratamento, a redução da dosagem da ribavirina, mesmo com uma redução superior aos 60%, não alterou a possibilidade de sucesso no tratamento.
Estas observações conduziram a que os autores do estudo concluíssem que "reduções mínimas na dose de ribavirina para siminuir os efeitos adversos não parecem afetar a resposta sustentada, a menos que a exposição cumulativa seja inferior a 60%.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
K R Reddy, M L Shiffman, T R Morgan, and others. Impact of Ribavirin Dose Reductions in Hepatitis C Virus Genotype 1 Patients Completing Peginterferon Alfa-2a/Ribavirin Treatment. Clinical Gastroenterology & Hepatology 5(1): 124-129. January 2007.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
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26/02/2007
Controversias en el tratamiento de la Hepatitis C
Dos estudios publicados en diferentes revistas durante el mes de enero, uno en la revista Gastroenterology y otro en la revista Clinical Gastroenterology & Hepatology presentan conclusiones muy diferentes con relación al efecto que puede tener la reducción de las dosis de interferón y ribavirina durante el tratamiento de la Hepatitis C, un concluyendo que la reducción de la dosis de la ribavirina reduce la posibilidad de cura y otro afirmando que no.
Los autores estudiaron la reducción de solamente uno de los medicamentos ya que todos los estudios anteriores estaban basados en la reducción de ambos de forma conjunta, siendo común se afirmar que la reducción para menos del 80% de las dosis de interferón y ribavirina disminuía la posibilidad de lograrse la cura, incluso sin haber diferenciado las diferencias que podrían acontecer en el caso de reducción de las dosis, de la interrupción del tratamiento o en la interrupción prematura del mismo.
Son dos los interferones pegilados utilizados en el tratamiento de la Hepatitis C, el Pegasys y el PegIntron, siempre combinados con la ribavirina y la utilización de dosis adecuadas de los medicamentos es fundamental para intentarse alcanzar la cura y el mantenimiento sostenido de la misma. Sin embargo en muchos casos a causa de los efectos adversos y secundarios es necesaria una reducción de dosis de los medicamentos. Éstos dos estudios, realizados por equipos diferentes, estudió qué pasa a los resultados del tratamiento al se reducir las dosis.
Es normal encontrar este tipo de discordancias en los resultados, consideradas como controversias, debido a la enorme cantidad de investigaciones publicadas en la literatura científica, que si por un lado permiten avanzar en el conocimiento del tratamiento, por otro lado pueden confundir médicos y pacientes, sin embargo, es importante comentarlas para observar lo cuanto aún es desconocido el tratamiento de la Hepatitis C. Pero como la medicina es una ciencia que avanza en función de errores y aciertos, sin duda que estas controversias ayudan en el camino de mejorar el conocimiento de la enfermedad y del tratamiento.
Estudio 1 - Impacto de la reducción de las dosis del interferón y de la ribavirina en el tratamiento de la Hepatitis C
En la edición de enero de Gastroenterology es afirmado que la reducción de la dosis del interferón pegilado o de la ribavirina reduce la posibilidad de conseguirse la respuesta sostenida.
Participaron de este estudio 936 pacientes del estudio HALT-C, todos infectados con el genotipo 1, con fibrosis avanzada o cirrosis y que no habían respondido a un tratamiento previo con el interferón alfa (convencional) con o sin ribavirina. Todos los pacientes recibieron el interferón Pegasys.
La conclusión de los autores es que reduciendo la dosis de interferón pegilado durante las primeras 20 semanas del tratamiento existe una menor posibilidad de suceso con el tratamiento, ya la reducción de la dosis de la ribavirina no alteró la respuesta virológica al final del tratamiento ni la respuesta sostenida a los seis meses después el final del tratamiento desde que permaneciese la dosis total de interferón pegilado durante todas las 48 semanas de tratamiento.
Si la interrupción total de la ribavirina acontece en las primeras 20 semanas del tratamiento la respuesta virológica al final del tratamiento y la respuesta sostenida a los seis meses después el final del tratamiento serán afectadas.
Este artículo fue redactado con comentarios e interpretación personal de su autor, tomando como base la siguiente fuente:
M L Shiffman, M G Ghany, T R Morgan, and others. Impact of reducing peginterferon alfa-2a and ribavirin dose during retreatment in patients with chronic hepatitis C. Gastroenterology 132(1): 103-112. January 2007.
Estudio 2 - Reducciones en la dosis de ribavirina debidas a efectos secundarios no comprometen la respuesta sostenida
Un otro estudio, publicado en la edición de Enero de 2007 del Clinical Gastroenterology & Hepatology, un equipo de la Universidad de Pensilvania evaluó la reducción de la dosis de ribavirina y de interferón pegilado en la respuesta sostenida en 569 portadores del genotipo 1. Estos pacientes habían participado en la fase 3 de un ensayo clínico durante el cual fueron tratados con Pegasys y ribavirina.
Todos fueron evaluados relativamente al efecto de la exposición cumulativa de los medicamentos en las semanas 4 y 12. Completaron el tratamiento 412 pacientes que fueron evaluados en función de la respuesta sostenida comparando con las dosis de medicamentos.
Al ser observada la reducción de solamente uno de los medicamentos empleados la conclusión fue que la reducción de la ribavirina fue responsable de 43% menos de posibilidad de cura, ya la reducción del interferón pegilado fue responsable de una reducción del 27% en las posibilidades.
Curiosamente, en discordancia total con el estudio anteriormente citado, los autores afirman que la respuesta precoz ni la respuesta sostenida fue alterada por la disminución de la ribavirina, si ésta se mantuvo superior a los 60% de la dosis recomendada. Si la dosis es inferior a 60% la disminución de la posibilidad de cura es real.
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La disminución de la posibilidad de cura en este estudio fue asociada a períodos prolongados de reducción de dosis, a interrupciones temporarias o a la cesación prematura de la ribavirina. En los pacientes que lograron respuesta rápida, esto es, estar negativos en la semana cuatro del tratamiento, la reducción de la dosis de la ribavirina, mismo con una reducción superior a los 60%, no alteró la posibilidad de suceso en el tratamiento.
Estas observaciones condujeron a que los autores del estudio concluyesen que "reducciones mínimas en la dosis de ribavirina para disminuir los eventos adversos no parecen afectar la respuesta sostenida, a menos que la exposición cumulativa sea inferior a 60%.
Este artículo fue redactado con comentarios e interpretación personal de su autor, tomando como base la siguiente fuente:
K R Reddy, M L Shiffman, T R Morgan, and others. Impact of Ribavirin Dose Reductions in Hepatitis C Virus Genotype 1 Patients Completing Peginterferon Alfa-2a/Ribavirin Treatment. Clinical Gastroenterology & Hepatology 5(1): 124-129. January 2007.
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo