07/01/2008
Controvérsias na hepatite C - Terapia de manutenção em não respondedores ao tratamento
Os resultados de dois estudos sobre a terapia de manutenção em pacientes não respondedores ao tratamento com interferon e ribavirina foram apresentados no 58° congresso da AASLD, com resultados controversos.
O objetivo dos estudos com tratamento prolongado (chamado de "manutenção") utilizando o interferon em pacientes não respondedores com elevado dano hepático objetiva deter e até regredir o dano existente no fígado, preservando os pacientes até a chegada de novos medicamentos.
Estudo 1:
S. Kaiser, et al. Long-term Low Dose Treatment with Pegylated Interferon alpha 2b leads to a significant Reduction in Fibrosis and Inflammatory Score in Chronic Hepatitis C Nonresponder Patients with Fibrosis or Cirrhosis. 58th Annual Meeting of the AASLD. Boston. November 2-6, 2007. Abstract 1311.
Este estudo, compreendendo 182 pacientes com fibroses avançada ou cirrose não respondedores a um tratamento prévio (com interferon peguilado ou convencional), utilizou o PEG-INTRON na dosagem de 0,5 mcg/kg/semana em monoterapia durante 36 meses. Participaram do estudo um outro grupo para controle de 83 pacientes que não recebeu o tratamento.
Em todos os pacientes foram realizadas biopsias antes do tratamento, ao ano e meio e aos seis meses após o final do tratamento.
Os pacientes que receberam tratamento apresentaram diminuição no grau de fibroses. A media antes do tratamento era de 3,83 pontos, aos 18 meses de tratamento a media era de 2,51 e seis meses após o final de tratamento o grau de fibroses era de 2,05 pontos. Nos pacientes sem receber tratamento foi registrado um aumento de uma media inicial de 3,71 pontos para 4,17 aos 18 meses e 4,79 na ultima biopsia.
A atividade necro-inflamatória no grupo em tratamento diminuiu nos primeiros 18 meses, mas aumento e acabou o estudo praticamente no nível encontrado antes do tratamento. No grupo sem receber tratamento o nível permaneceu sem variações significativas.
Seis por cento dos pacientes em tratamento conseguiram estar indetectáveis durante o tratamento, mas todos eles recidivaram ao final do mesmo.
Concluem os autores que a terapia de manutenção com baixa dosagem de PEG-INTRON em pacientes não respondedores com elevado grau de fibrose ou cirrose consegue reduzir de forma significativa e persistente o grau de fibroses.
Estudo 2:
A.M. Di Bisceglie, et al. Prolonged Antiviral Therapy With Peginterferon to Prevent Complications of Advanced Liver Disease Associated With Hepatitis C: Results of the Hepatitis C Antiviral Long-term Treatment against Cirrhosis (HALT-C) Trial. 58th Annual Meeting of the AASLD. Boston. November 2-6, 2007. Abstract LB1
Outro estudo, chamado de HALTC (Hepatitis C Antiviral Long-term Treatment against Cirrhosis) tinha como objetivo determinar se o tratamento com interferon por vários anos poderia evitar a progressão para a cirrose, a descompensação hepática e o câncer no fígado, evitando a necessidade do transplante de fígado como ultima alternativa antes da chegada de novos medicamentos.
Este estudo teve a participação de 1.145 pacientes todos com elevado grau de fibrose ou já com cirroses, mas todos eles sem sintomas de descompensação hepática. Todos receberam tratamento com PEGASYS por 48 semanas combinado com ribavirina (1.000 - 1.200 mg/dia). Os 662 que não responderam ao tratamento de 48 semanas foram divididos em dois grupos, sendo que um grupo passou a receber a metade da dosagem de PEGASYS (90 mcg/semana) durante 42 meses adicionais. Todos foram submetidos a biopsias antes do estudo, ao ano e meio da terapia de manutenção e no final do estudo. Outro grupo, denominado controle, não recebeu medicação.
Os pacientes que recebiam a baixa dosagem de PEGASYS apresentavam durante todo o estudo níveis menores das transaminases, da carga viral e da atividade necro-inflamatória comprovada pelas biopsias, mas o resultado ao final do estudo ao comparar os que receberam o tratamento com os resultados apresentados pelo grupo controle não mostrou diferenças significativas.
Nos pacientes em tratamento, 28,2% apresentaram melhoria no grau de fibrose, contra 31,9% dos pacientes sem receber tratamento;
A descompensação hepática aconteceu em 14,3% dos pacientes em tratamento contra 13, 2% dos pacientes sem receber tratamento;
Aconteceram 2,8% de casos de câncer nos pacientes em tratamento contra 3,2% dos que não receberam tratamento, e,
Durante o estudo no grupo em tratamento 6,6% faleceram, contra 4,6% dos que não recebiam tratamento.
Concluem os responsáveis deste estudo que o tratamento de manutenção não reduz a progressão da doença em pacientes com elevado dano hepático ou cirrose não respondedores ao interferon e ribavirina.
MEUS COMENTÁRIOS:
Mais que comentários estarei colocando algumas duvidas e questões quanto aos resultados, já que eles são a primeira vista totalmente contraditórios. Este foi o motivo pelo qual não os tinha divulgado logo após as primeiras semanas da apresentação no congresso. Foi necessário tempo para uma analise mais detalhada parta entender as discrepâncias entre os dois estudos. Posso estar equivocado nas minhas conclusões e se algum pesquisador ou médico tiver opiniões diferentes agradeço o envio de um e-mail falando sobre os mesmos.
Analisando mais profundamente os estudos muito daquilo conhecido em relação à progressão da doença parece cair por terra. Sempre se acreditou que as transaminases, a carga viral e a atividade necro-inflamatória seriam fatores que se controlados em níveis normais seria possível manter os infectados em condições de aguardar os novos tratamentos.
Os estudos mostram que e possível diminuir todos esses fatores e até melhorar o grau de fibrose, mas ao se comparar o que aconteceu nos grupos de pacientes que receberam tratamento com aqueles que simplesmente foram observados (sem medicação) foi constatado que as probabilidades de progressão da fibrose, os casos de descompensação hepática, os casos de câncer e até o de mortes são em percentuais similares. Fica então a duvida se realmente vale a pena realizar o tratamento de manutenção. Novos estudos serão necessários para confirmar os resultados antes de se tomar como norma esta terapia.
Os dois estudos confirmam que as transaminases não devem ser um marcador utilizado para se predizer um prognostico em relação à progressão do dano ao fígado, pois os pacientes que conseguiam manter as transaminases em valores normais progrediram em percentual similar a aqueles fora de tratamento.
Não sou médico e sei que a medicina não é uma ciência exata, a qual avança por meio de erros e acertos e, por entender de estatística faria um pequeno questionamento aos pesquisadores dos dois estudos. Os percentuais de mortes, casos de descompensação e de câncer não foram significativamente diferentes nos grupos que recebiam medicamento e nos grupo de controle (sem tratamento) quando observado o total dos pacientes de cada grupo, mas não esta explicada se foi realizada a estratificação dos eventos acontecidos para se saber se esses percentuais se confirmam entre aqueles que realmente conseguiram benefícios como a melhora no grau de fibrose ou na normalização das transaminases. O percentual global pode ser igual, mas ao se separar os pacientes de forma especifica os dados se confirmam?
Outros estudos estão em andamento e poderão fornecer novos dados que confirmem, ou não, os achados apresentados. Um deles utiliza o PEG-INTRON combinado com a Colchicina, outras pesquisas estão utilizando medicamentos anti-fibroticos, a sylimarina, o extrato de alcaçuz (regaliz), diversas ervas e vitaminas, etc., mas por enquanto nenhum deles mostrou resultados diretos.
Até a chegada de novos medicamentos aconselho que os não respondedores cuidem de seu organismo mantendo o peso ideal, uma alimentação balanceada e realizando diariamente exercícios aeróbicos, se mantendo totalmente longe de toda e qualquer bebida alcoólica e mantendo o pensamento positivo fora de qualquer ansiedade ou depressão. Seguindo o recomendado nesta simples receita leiga, não médica, mas baseada na experiência do convívio com milhares de infectados, poderão com produtos não encontrados na farmácia fortalecer o sistema imunológico e a progressão da doença será em muito diminuída. Depende então de cada infectado saber qual caminho seguir até a chegada de novos tratamentos!
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
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07/01/2008
Controversias en la hepatitis C - Terapia de manutención en no respondedores al tratamiento
Los resultados de dos estudios sobre la terapia de manutención en pacientes no respondedores al tratamiento con interferon y ribavirina fueron presentados en el 58° congreso de la AASLD, con resultados contradictorios.
El objetivo de los estudios con tratamiento prolongado (llamado de "manutención") utilizando el interferon en pacientes no respondedores con elevado daño hepático objetiva detener y hasta regenerar el daño existente en el hígado, preservando los pacientes hasta la llegada de nuevos medicamentos.
Estudio 1:
S. Kaiser, et al. Long-term Low Dose Treatment with Pegylated Interferon alpha 2b leads to a significant Reduction in Fibrosis and Inflammatory Score in Chronic Hepatitis C Nonresponder Patients with Fibrosis or Cirrhosis. 58th Annual Meeting of the AASLD. Boston. November 2-6, 2007. Abstract 1311.
Este estudio, comprendiendo 182 pacientes con fibrosis avanzada o cirrosis no respondedores a un tratamiento previo (con interferon peguilado o convencional), utilizó el PEG-INTRON en la dosis de 0,5 mcg/kg/semana en monoterapia durante 36 meses. Participaron del estudio un otro grupo para control de 83 pacientes que no recibió el tratamiento.
En todos los pacientes fueron realizadas biopsias antes del tratamiento, al año y medio y a los seis meses después el final del tratamiento.
Los pacientes que recibieron tratamiento presentaron disminución en el grado de fibrosis. El promedio antes del tratamiento era de 3,83 puntos, a los 18 meses de tratamiento el promedio era de 2,51 y a los seis meses después del final del tratamiento el grado de fibrosis era de 2,05 puntos. En los pacientes sin recibir tratamiento fue registrado un aumento de un promedio inicial de 3,71 puntos para 4,17 a los 18 meses y 4,79 en la última biopsia.
La actividad necro-inflamatoria en el grupo en tratamiento disminuyo en los primeros 18 meses, pero aumento y acabó el estudio prácticamente en el nivel encontrado antes del tratamiento. En el grupo sin recibir tratamiento el nivel permaneció sin variaciones significativas.
Un seis por ciento de los pacientes en tratamiento consiguieron estar indetectables durante el tratamiento, pero todos ellos replicaron al final del mismo.
Concluyen los autores que la terapia de manutención con baja dosis de PEG-INTRON en pacientes no respondedores con elevado grado de fibrosis o cirrosis consigue reducir de forma significativa y persistente el grado de fibrosis.
Estudio 2:
A.M. Di Bisceglie, et al. Prolonged Antiviral Therapy With Peginterferon to Prevent Complications of Advanced Liver Disease Associated With Hepatitis C: Results of the Hepatitis C Antiviral Long-term Treatment against Cirrhosis (HALT-C) Trial. 58th Annual Meeting of the AASLD. Boston. November 2-6, 2007. Abstract LB1
Un otro estudio, llamado de HALTC (Hepatitis C Antiviral Long-term Treatment against Cirrhosis) tenía como objetivo determinar si el tratamiento con interferon por varios años podría evitar la progresión para el cirrosis, la descompensación hepática y el cáncer en el hígado, evitando la necesidad del trasplante de hígado como ultima alternativa antes de la llegada de nuevos medicamentos.
Este estudio tuvo la participación de 1.145 pacientes todos con elevado grado de fibrosis o ya con cirrosis, pero todos ellos sin síntomas de descompensación hepática. Todos recibieron tratamiento con PEGASYS por 48 semanas combinado con ribavirina (1.000 - 1.200 mg/dia). Los 662 que no respondieron al tratamiento de 48 semanas fueron divididos en dos grupos, siendo que un grupo pasó a recibir la mitad de la dosis de PEGASYS (90 mcg/semana) durante 42 meses adicionales. Todos fueron sometidos a biopsias antes del estudio, al año y medio de la terapia de manutención y al final del estudio. Otro grupo, denominado control, no recibió medicación.
Los pacientes que recibían la baja dosis de PEGASYS presentaban durante todo el estudio niveles menores de las transaminasas, de la carga viral y de la actividad necro-inflamatoria comprobada por las biopsias, pero el resultado al final del estudio al comparar los que recibieron el tratamiento con los resultados presentados por el grupo control no mostró diferencias significativas.
En los pacientes en tratamiento, 28,2% presentaron mejoría en el grado de fibrosis, contra 31,9% de los pacientes sin recibir tratamiento;
La descompensación hepática aconteció en un 14,3% de los pacientes en tratamiento contra 13, 2% de los pacientes sin recibir tratamiento;
Acontecieron 2,8% de casos de cáncer en los pacientes en tratamiento contra 3,2% de los que no recibieron tratamiento, y,
Durante el estudio en el grupo en tratamiento 6,6% fallecieron, contra 4,6% de los que no recibían tratamiento.
Concluyen los responsables de este estudio que el tratamiento de manutención no reduce la progresión de la enfermedad en pacientes con elevado daño hepático o cirrosis no respondedores al interferon y ribavirina.
MIS COMENTARIOS:
Más que comentarios estaré colocando algunas dudas y cuestiones en cuanto a los resultados, ya que ellos son a primera vista totalmente contradictorios. Éste fue el motivo por el cual no los había divulgado después de las primeras semanas de la presentación en el congreso. Fue necesario tiempo para realizar un analice más detallado parta entender las discrepancias entre los dos estudios. Puedo estar equivocado en mis conclusiones y se algún investigador o médico tiene opiniones diferentes agradezco el envío de un e-mail hablando sobre los mismos.
Analizando más profundamente los estudios mucho de aquello conocido con relación a la progresión de la enfermedad parece caer por tierra. Siempre se creyó que las transaminasas, la carga viral y la actividad necro-inflamatoria serían factores que si controlados en niveles normales sería posible mantener los infectados en condiciones de aguardar los nuevos tratamientos.
Los estudios muestran que es posible disminuir todos esos factores y hasta mejorar el grado de fibrosis, pero al se comparar qué pasó en los grupos de pacientes que recibieron tratamiento con aquéllos que simplemente fueron observados (sin medicación) fue constatado que las probabilidades de progresión de la fibrosis, los casos de descompensación hepática, los casos de cáncer y hasta el de muertes son en porcentuales similares. Queda entonces la duda si realmente vale la pena realizar el tratamiento de manutención. Nuevos estudios serán necesarios para confirmar los resultados antes de tomarse como norma esta terapia.
Los dos estudios confirman que las transaminasas no deben ser un marcador utilizado para predecirse un pronostico con relación a la progresión del daño al hígado, pues los pacientes que conseguían mantener las transaminasas en valores normales progresaron en porcentual similar a aquéllos fuera de tratamiento.
No soy médico y sé que la medicina no es una ciencia exacta, la cual avanza por medio de errores y aciertos y, por entender de estadística haría un pequeño cuestionamiento a los pesquisadores de los dos estudios. Los porcentajes de muertes, casos de descompensación y de cáncer no fueron significativamente diferentes en los grupos que recibían medicamento y en los grupos de control (sin tratamiento) cuando observado el total de los pacientes de cada grupo, pero no ésta explicada si fue realizada la estratificación de los eventos acontecidos para saber si esos porcentajes se confirman entre aquéllos que realmente consiguieron beneficios como la mejora en el grado de fibrosis o en la normalización de las transaminasas. ¿El porcentaje global puede ser igual, pero al se separar los pacientes de forma especifica los datos se confirman?
Otros estudios están siendo realizados y podrán suministrar nuevos datos que confirmen, o no, los hallazgos presentados. Uno de ellos utiliza el PEG-INTRON combinado con la Colchicina, otras pesquisas están utilizando medicamentos anti-fibroticos, la sylimarina, el extracto de alcazuz (regaliz), diversas hierbas y vitaminas, etc., pero por el momento ninguno de ellos mostró resultados directos.
Hasta la llegada de nuevos medicamentos aconsejo que los no respondedores cuiden de su organismo manteniendo el peso ideal, una alimentación balanceada y realizando diariamente ejercicios aeróbicos, se manteniendo totalmente lejos de toda y cualquier bebida alcohólica y manteniendo el pensamiento positivo fuera de cualquier ansiedad o depresión. Siguiendo lo recomendado en esta simple receta que no es médica, pero basada en la experiencia de convivir con millares de infectados, podrán con productos no encontrados en la farmacia fortalecer el sistema inmunológico y la progresión de la enfermedad será en mucho disminuida. ¡Depende entonces de cada infectado saber cuál camino seguir hasta la llegada de nuevos tratamientos!
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo