Texto en Español al final


GRUPO OTIMISMO DE APOIO A PORTADORES DE HEPATITE C
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22 - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 9973.6832 - Fax. (21) 2549.8809
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com

09/05/2005

Novidades no IX WORKSHOP Internacional de Pernambuco


O IX WORKSHOP Internacional de hepatites virais de Pernambuco, teve uma programação de altíssimo nível, vamos a comentar aquelas, que do ponto de vista do paciente foram as mais significativas.

Durante a abertura a Dra. Leila Pereira mostrou alguns resultados preliminares sobre o inquérito domiciliar sobre prevalência das hepatites A, B e C no Brasil. Os números eram referentes à região nordeste e centro-oeste, mostrando na hepatite C índices um pouco acima ou abaixo dos 2% de infectados. Curiosamente se encontrou um índice de 0,9% de incidência em indivíduos até 10 anos de idade, um dado que surpreendeu a própria pesquisadora e que deverá ser verificado em quanto a sua assertividade nos próximos meses.

Pessoalmente acredito que exista algum erro, seja na pesquisa ou nos dados históricos sobre prevalência da hepatite C por faixas etárias, pois tudo leva a acreditar que a incidência em crianças seria pequena. Devemos assim aguardar a revisão destes dados sem precipitações nas conclusões. O inquérito domiciliar, que compreende 35.000 individuos, estará concluído ao final de 2006.

Também se observou que a região centro-oeste apresentou uma incidência um pouco maior que a região nordeste e provavelmente isto se repita quando entrar a região sul e sudeste, já que são regiões onde as pessoas têm maiores acesso a serviços médicos (maior numero de intervenções e transfusões) assim como sempre se fez maior uso de drogas injetáveis, mas, insisto, por enquanto são simples suposições.

A apresentação da coordenadora do Programa Nacional de Hepatites Virais - PNHV, Dra. Gerusa Figueiredo nos trouxe algumas surpresas. Foi anunciado que um novo protocolo para tratamento da hepatite C já se encontrava assinado pelo Dr. Jarbas Barbosa (que também se encontrava na mesa de abertura prestigiando o evento) a qual seria publicada no inicio da semana. Todos os presentes, médicos, coordenadores estaduais de programas de hepatites e sociedade civil ficamos surpresos com o anuncio da nova portaria, pois desde agosto do ano passado, quando aconteceu a ultima reunião do Comitê Técnico Assessor do PNHV nenhuma informação foi dada pelo programa, quando por tradição sempre foram realizadas reuniões para definir o texto final e depois, antes da publicação e colocado o texto em consulta publica por 60 dias.

A apresentação do PNHV continuou mostrando números referentes às hepatites no Brasil. Levantamento feito pelo programa nas notificações dos casos de hepatite C mostrou que quase 7% das infecções tiveram provável causa sexual. Este número foi imediatamente rebatido pela platéia, pois foge a qualquer dado conhecido. Verdadeiramente o dado tem pouca importância e não deveria nem ser divulgado sem uma previa analises confirmando o valor apresentado. O assunto foi discutido durante o debate já que a notificação dos casos de hepatite C é uma verdadeira comedia. Em 2004 o governo forneceu tratamento a aproximadamente 25.000 pessoas, mas somente 8.200 casos foram notificados. Assim podemos deduzir que foram tratados 17.000 indivíduos sadios ou o PNHV não exerce controle sobre a obrigatoriedade da notificação.

O formulário que foi instituído para realizar a notificação parece uma piada. É uma folha frente e verso que parece dedicada à pesquisa e não a notificação. Leva mais de 15 minutos para ser preenchida, no frente e verso e ainda deve ser feita em três vias, mas e proibido o uso de carbono. Ou seja, propositalmente foi criado um instrumento para não ser usado, para se evitar que existam as notificações e assim o grave problema da hepatite C não aparecer nas estatísticas do governo. Este assunto foi sempre denunciado, mas nenhuma medida foi tomada pelo PNHV.

Outro dado, este sobre mortalidade, mostra que as hepatites são doenças praticamente benignas. Segundo o que foi apresentado pelo PNHV as mortes causadas pelas hepatites A, B e C são de cinco por milhão de habitantes a cada ano. Assim, multiplicando 5 por 175 milhões de habitantes chegamos ao resultado de que somente acontecem 875 mortes a cada ano em todo o Brasil. Só na fila de espera por um transplante de fígado morrem muito mais pacientes de hepatite C que os números apresentados e se contarmos os que morrem por cirroses e câncer, bom, vamos parar por aqui. Dói, dói muito que números sem nenhum fundamento, sem nenhuma checagem sobre sua validade sejam apresentados a uma platéia de estudiosos das hepatites. As piadas durante os intervalos foram inevitáveis, pois com este baixíssimo índice de mortes nem seria necessário se realizar tratamentos ou transplantes. Para o governo o fígado não mata.

A seguir foi minha apresentação e o tema atribuído foi sobre qual e o cenário na hepatite C do ponto de vista da sociedade civil. Revoltado com o que tinha sido apresentado pelo PNHV iniciei a apresentação informado que as associações e grupos de hepatites atuam de forma muito diferente dos grupos de HIV/AIDS, isto por que em HIV/AIDS existem 600 grupos para 600.000 infectados e nas hepatites, por se tratar de uma doença recente, somente existem 40 grupos para seis milhões de infectados (considerando as hepatites B e C). Assim, seria impossível os grupos de hepatites tentar ser assistencialistas, assumindo o papel do estado, pois estariam prestando assistência a uma pequena parte da população e abandonando milhões de portadores a sua própria sorte.

Assim, o problema das hepatites no Brasil, não é um problema que possa ser solucionado pela sociedade civil com ações filantrópicas ou voluntárias, pelo tamanho e pelos recursos necessários e um grave problema da saúde publica e merece do governo uma atenção toda especial, enfrentado de frente a realidade e não o maquinado com números que não mostram a realidade.

Por este motivo os grupos de hepatites decidiram trabalhar dentro daquilo concedido a sociedade civil pela Constituição Federal, que é o CONTROLE SOCIAL. Este dispositivo outorga a sociedade civil o poder de controlar e exigir o correto desempenho da maquina governamental, denunciando sempre que necessário quando um órgão do governo não cumpre a contento sua função, seja qual for o governante de plantão.

Continuei então mostrando alguns números e lamentando que exista toda uma articulação para acabar com o programa de hepatites, o transformando num simples apêndice do programa de AIDS. Vejamos por que:

1 - O PNHV desde o ano passado cortou totalmente o dialogo com os grupos de hepatites, não informando absolutamente nada sobre o andamento das ações, seu posicionamento, seu orçamento, qual o nome dos responsáveis pelas ações, etc. Tivemos um encontro de grupos com o PNHV no final de dezembro e tudo o pactuado não foi cumprido pelo PNHV. Para termos alguma resposta e necessário reclamar com o Dr. Jarbas Barbosa ou com o próprio ministro, pois a coordenação do PNHV não responde praticamente nada aos questionamentos dos grupos.

2 - Com o anuncio do novo protocolo fica demonstrado que procedimento igual esta sendo realizado com os médicos e com os integrantes do Comitê Técnico Assessor. Os profissionais estão atônitos com o comportamento do PNHV.

3 - As poucas ações que foram realizadas pelo PNHV são somente aquelas relacionadas ao programa de AIDS, como a confecção de cartilhas para profissionais do sexo, para homens que fazem sexo com homens, para grupos de risco, a inclusão do KIT SNIFF, um canudinho para aspirar cocaína a ser entregue pelo programa de redução de danos do programa de AIDS.

4 - Não existem ações visíveis ou abrangentes nas áreas como vacinação da hepatite B, hemocentros (procura e detecção de quem recebeu sangue antes de 1993), material informativo sobre prevenção das hepatites para adolescentes, para distribuir em colégios, etc..

5 - A anunciada campanha da hepatite C prometida há vários anos ficou resumida a simples folders e cartazes. Mídia impressa, jornais, revistas e televisão comercial não será realizada. Mais uma vez ficou na promessa.

6 - A testagem das hepatites B e C nos CTAs anunciada pelo Dr. Jarbas Barbosa há 18 meses parece que vai começar, mas aparentemente totalmente desvirtuada do propósito inicial. A proposta de se testar as hepatites nos Centro de Testagem, onde hoje só se testa AIDS era para se ter uma forma rápida e simples para que qualquer individuo, suspeitando poder estar infectado, pudesse procurar um CTA, tirar sangue e receber seu diagnostico e posteriormente o devido encaminhamento a um centro de tratamento.

Porem pelo pouco que foi divulgado a rotina não será esta. Ao que parece a pessoa deverá comparecer ao CTA quando então será marcada uma reunião (coletiva ou individual) de ACONSELHAMENTO. Nesta reunião será informado sobre Sífilis, Aids e hepatites (consideramos isto amedrontador e altamente discriminatório) para somente depois se proceder a marcar a retirada do sangue devendo voltar um outro dia para provavelmente ter o resultado. Assim, uma pessoa empregada não poderá realizar esta rotina já que será demitida do emprego pela serie de faltas ao trabalho. Acho que encontraram uma bela formula para evitar a realização do teste.

Para se fazer um trabalho realmente serio e comprometido com a saúde publica a testagem deve ser sem complicações e somente nos casos positivos e que deve ser dado o aconselhamento e devido encaminhamento.

7 - Coordenadores estaduais de hepatites presentes ao evento desconheciam os procedimentos realizados pelo PNHV com os CTAs que irão realizar os testes (171 já em maio). Não foram informados sobre este assunto.

8 - Médicos responsáveis pelo tratamento nos hospitais do SUS, presentes ao evento, nada sabiam, pois não foram procurados ou informados sobre o provável aumento da demanda. Nenhum planejamento estratégico foi feito para se aumentar a capacidade do atendimento, atender a maior necessidade de testes PCR, genotipagem, biopsia ou medicamentos.

9 - Muitas outras questões poderiam ser colocadas, mas fechei minha apresentação mostrando que o programa de AIDS, para atender 600.000 infectados, possui um moderno prédio de cinco andares e centenas de funcionários, com verbas de centenas de milhões de Reais, já o programa de hepatites dispõe somente de duas saletas ao final de um corredor no ministério da saúde, com 11 funcionários (todos oriundos do programa de AIDS) e o astronômico orçamento de TRÊS CENTAVOS por habitante, em ambos os casos me referindo ao orçamento próprio, fora medicamentos e testes.

Esta foi minha despedida, perguntando a cada um dos presentes o que poderia ser realizado com três centavos. Reconheço que fiquei pouco surpreso com o acontecido, digo um pouco por que pouco esperava das ações do PNHV. Enquanto o programa de hepatites estiver nas mãos de pessoas ligadas a AIDS, seja na luta ou no tratamento, não vai existir um programa verdadeiramente independente, realizando ações nas hepatites.

Voltando a parte cientifica, podemos citar os avanços que estão acontecendo em relação ao conhecimento e tratamento da hepatite B. A cada dia e maior o conhecimento da atuação do vírus e da importância dos diversos genótipos que existem e qual o melhor medicamento a ser utilizado. Até o presente só existia o tratamento com interferon convencional e a Lamivudina. A agencia reguladora Européia já autorizou o uso do Interferon Peguilado alfa 2 a o qual e o único antiviral efetivo em uma boa parte dos tratados, sem criar resistência, ou obtém sucesso ou não ao cabo de 12 meses de tratamento.

O Adefovir, superior a atual Lamivudine já se encontra em uso em vários países e deverá estar disponível no Brasil proximamente, e há 15 dias a agencia reguladora americana, o FDA aprovou o uso de Entecavir o qual apresenta resultados surpreendentes. Outras drogas, como o Tecnofovir, realmente efetiva nos ensaios clínicos, serão novidades em curto prazo. O futuro do tratamento da hepatite B e realmente muito promissor e pela primeira vez parece estar no caminho certo.

A esteatoses não alcoólica, o chamado NASH, a cada dia ocupa maior espaço nos congressos, pois e sem duvidas o maior problema de saúde publica para os próximos anos. A Dra. Deborah Crespo mostrou que os depósitos de gordura no fígado, de origem não alcoólica, são encontrados três vezes mais nos portadores de hepatite C que na população em geral, sem se ter até o presente uma explicação para tal fato, se suspeitando ser uma alteração metabólica produzida pelo vírus da hepatite C. Foram mostrados os problemas ocasionados pelo processo oxidativo que esta gordura ocasiona, aumentando os radicais livres e consequentemente com maiores níveis de transaminases e inflamação.

Outras apresentações trataram sobre qual interferon deve ser utilizado. Diversas são as opiniões, alguns querem utilizar imediatamente o interferon peguilado e outros acham imprudente esta opção. Estes acreditam que em pacientes com genótipo 2 ou 3 ou ainda em pacientes com genótipo 1 e pouco dano hepático a primeira tentativa deveria ser feita com o interferon convencional reservando o peguilado para caso o tratamento fracasse. Consideram imprudente não deixar uma alternativa para o paciente. Esta estratégia e valida em termos de opções e também em termos de fármaco economia, já que ambos interferons são medicamentos efetivos.

No relativo a biopsia do fígado ficou demonstrado pelas apresentações que ela não e somente importante para determinar o atual índice de comprometimento do fígado e assim se decidir, ou não, pelo tratamento imediato. Uma biopsia de fígado, quando o médico a solicita com indicações ao patologista para observar determinados parâmetros poderá mostrar se o dano hepático e resultado do vírus C ou se existem outras causas, presentes ou passadas, que sejam as culpadas pela destruição das células. Em muitos casos se trata a hepatite C quando esta não e a culpada pelo estrago ao fígado, sendo outra a causa que deveria receber a atenção médica.

Sobre novas opções no tratamento da hepatite C já fizemos uma descrição sobre os novos medicamentos no envio de noticias da segunda-feira passada, o qual pode ser recuperado na seção ULTIMAS NOTICIAS da nossa página.

No encerramento, com a presença do ministro da saúde, Dr. Humberto Costa, foi assinado o termo de instalação do Instituto do Fígado de Pernambuco, a primeira instituição para pesquisa e tratamento (gratuito) nas doenças do fígado. Trata-se de uma instituição que vai funcionar dentro do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, mas totalmente financiada por um grupo de empresários privados, os quais, em apoio ao trabalho da Dra. Leila Pereira decidiram fazer parte deste sonho.

Parabéns a organização do IX WORKSHOP pelo brilhante evento e desejamos sucesso total nos trabalhos do Instituto do Fígado, o qual servirá não somente a população de Pernambuco, mas a todo o Brasil.

Carlos Varaldo
Grupo Otimismo



Aprenda tudo sobre as hepatites em www.hepato.com




GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA A PORTADORES DE HEPATITIS C
ONG - Registro n°. 176.655 - RCPJ-RJ - Rio de Janeiro - Brasil
Tel. 55.21 - 9973.6832 - Fax. 55.21 - 2549.8809
e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com

09/05/2005

Novedades en el IX WORKSHOP Internacional de Pernambuco


El IX WORKSHOP Internacional de hepatitis virales de Pernambuco (Brasil) tuvo una programación de alto nivel, vamos a comentar aquéllas, que del punto de vista del paciente fueron las más significativas.

Durante la apertura la Dra. Leila Pereira mostró algunos resultados preliminares sobre el estudio domiciliar sobre la incidencia de las hepatitis A, B y C en Brasil. Los números eran referentes a la región nordeste y centro-oeste, mostrando en la hepatitis C índices un poco arriba o abajo de los 2% de infectados. Curiosamente se encontró un índice del 0,9% de incidencia en individuos hasta 10 años de edad, un dato que sorprendió la propia pesquisidora y que deberá ser verificado en cuanto su real incidencia en los próximos meses.

Personalmente creo que exista algún error, sea en la pesquisa o en los datos históricos sobre la incidencia de la hepatitis C por fajas de edad, pues todo lleva a creer que la incidencia en niños sería pequeña. Debemos así aguardar la revisión de estos datos sin precipitaciones en las conclusiones. El estudio domiciliar, que comprende 35.000 individuos, estará concluido al final de 2006.

También se observó que la región centro-oeste presentó una incidencia un poco mayor que la región nordeste y probablemente esto se repita cuando se coloquen los datos de la región sur y sureste, ya que son regiones donde las personas tienen mayores acceso a servicios médicos (mayor numero de intervenciones y transfusiones) así como siempre se hizo mayor uso de drogas inyectables, pero, insisto, por ahora son simples suposiciones.

La presentación de la coordinadora del Programa Nacional de Hepatitis Virales - PNHV, Dra. Gerusa Figueiredo nos trajo algunas sorpresas. Fue anunciado que un nuevo protocolo para tratamiento de la hepatitis C ya se encontraba firmado por el Dr. Jarbas Barbosa (que también se encontraba en la mesa de apertura prestigiando el evento) el cual sería publicado en el inicio de la semana. Todos los presentes, médicos, coordinadores regionales de programas de hepatitis y sociedad civil nos quedamos sorprendidos con el anuncio del nuevo protocolo, pues desde agosto del año pasado, cuando aconteció a ultima reunión del Comité Técnico Asesor del PNHV ninguna información fue dada por el programa, cuando por tradición siempre fueron realizadas reuniones para definir el texto final y después, antes de la publicación es colocado el texto en consulta publica por 60 días.

La presentación del PNHV continuó mostrando números referentes a las hepatitis en Brasil. Levantamiento hecho por el programa en las notificaciones de los casos de hepatitis C mostró que casi 7% de las infecciones tuvieron probable causa sexual. Este número fue inmediatamente rebatido por la platea, pues huye a cualquier dato conocido. Verdaderamente el dato tiene poca importancia y no debería ni ser divulgado sin una preveía analices confirmando el valor presentado. El asunto fue discutido durante el debate ya que la notificación de los casos de hepatitis C es una verdadera comedia. En 2004 el gobierno suministró tratamiento a aproximadamente 25.000 personas, pero solamente 8.200 casos fueron notificados. Así podemos deducir que fueron tratados 17.000 individuos sanos o que el PNHV no ejerce control sobre la obligatoriedad de la notificación.

El formulario que fue instituido para realizar la notificación parece un chiste. Es una hoja frente y verso que parece dedicada a la pesquisa y no la notificación. Lleva más de 15 minutos para ser completada, en el frente y verso y aún debe ser hecha en tres vías, pero es prohibido el uso de papel carbono. O sea, fue creado un instrumento para no ser usado, para se evitar que existan las notificaciones y así el grave problema de la hepatitis C no aparecer en las estadísticas del gobierno. Este asunto fue siempre denunciado, pero ninguna medida fue tomada por el PNHV.

Otro dato, éste sobre mortalidad, muestra que las hepatitis son enfermedades prácticamente benignas. Según lo que fue presentado por el PNHV las muertes causadas por las hepatitis A, B y C son de cinco por millón de habitantes a cada año en el Brasil. Así, multiplicando 5 por 175 millones de habitantes llegamos al resultado de que solamente acontecen 875 muertes a cada año en todo el Brasil. Solo en la fila de espera por un trasplante de hígado mueren muchos más pacientes de hepatitis C que los números presentados y si contamos a los que mueren por cirrosis y cáncer, bueno, vamos a parar por aquí. Duele, duele mucho que números sin ningún fundamento, sin ninguna confirmación sobre su validez sean presentados a una platea de estudiosos de las hepatitis. Los chistes durante los intervalos fueron inevitables, pues con este bajo índice de muertes ni sería necesario se realiza tratamientos o trasplantes. Para el gobierno el hígado no mata.

A continuación fue mi presentación y el tema atribuido fue sobre cual es el escenario en la hepatitis C en Brasil desde el punto de vista de la sociedad civil. Sorprendido con lo que había sido presentado por el PNHV inicié la presentación informado que las asociaciones y grupos de hepatitis actúan de forma muy diferente de los grupos de HIV/SIDA, esto por qué en HIV/SIDA existen 600 grupos para 600.000 infectados y en las hepatitis, por se tratar de una enfermedad reciente, solamente existen 40 grupos para seis millones de infectados (considerando las hepatitis B y C). Así, sería imposible los grupos de hepatitis intentar dar asistencia personal, asumiendo el papel del estado, pues estarían prestando asistencia a una pequeña parte de la población y abandonando millones de infectados a su propia suerte.

Así, el problema de las hepatitis en Brasil, no es un problema que pueda ser solucionado por la sociedad civil con acciones filantrópicas o voluntarias, por el tamaño y por los recursos necesarios es un grave problema de salud publica y merece del gobierno una atención toda especial, enfrentado de frente la realidad y no querer mostrar un panorama ligero con números que no muestran la realidad.

Por éste motivo los grupos de hepatitis decidieron trabajar dentro de aquello que es concedido a la sociedad civil por la Constitución Federal, que es el CONTROL SOCIAL. Este dispositivo otorga a la sociedad civil el poder de controlar y exigir el correcto desempeño de la maquina gubernamental, denunciando siempre que necesario cuando un órgano del gobierno no cumple a contento su función, sea cual sea el gobernante de plantón.

Continué entonces mostrando algunos números y lamentando que exista toda una articulación para acabar con el programa de hepatitis, transformándolo en un simple apéndice del programa de SIDA. Veamos por qué:

1 - El PNHV desde el año pasado cortó totalmente el dialogo con los grupos de hepatitis, no informando absolutamente nada sobre la andadura de las acciones, su posicionamiento, su presupuesto, cual el nombre de los responsables por las acciones, etc. Tuvimos un encuentro de grupos con el PNHV al final de diciembre y todo lo pactado no fue cumplido por el PNHV. Para conseguir alguna respuesta es necesario exigir con el Dr. Jarbas Barbosa o con el propio ministro, pues la coordinación del PNHV no responde prácticamente nada a los cuestionamientos de los grupos.

2 - Con el anuncio del nuevo protocolo queda demostrado que procedimiento igual ésta siendo realizado con los médicos y con los integrantes del Comité Técnico Asesor. Los profesionales están atónitos con el comportamiento edl PNHV.

3 - Las pocas acciones que fueron realizadas por el PNHV son solamente aquéllas relacionadas al programa de SIDA, como la confección de cartillas para profesionales del sexo, para hombres que hacen sexo con hombres, para grupos de riesgo, la inclusión del KIT SNIFF, una pajilla para aspirar cocaína a ser entregue por el programa de reducción de daños del programa de SIDA.

4 - No existen acciones visibles o importantes en las áreas como vacunación de la hepatitis B, bancos de sangre (busca y detección de quien recibió sangre antes de 1993), material informativo sobre prevención de las hepatitis para adolescentes, para distribuir en colegios, etc..

5 - La anunciada campaña de la hepatitis C prometida hace varios años quedó resumida a simples folletos y carteles. Medios de comunicación como periódicos, revistas y televisión comercial no será realizada. Una vez más quedó en la promesa.

6 - La realización de pruebas de detección de las hepatitis B y C en los CTAs (Centros de Testes y Acompañamiento) anunciada por el Dr. Jarbas Barbosa hace 18 meses parece que va a comenzar, pero aparentemente totalmente desvirtuada del propósito inicial. La propuesta de testarse las hepatitis en los CTAs, donde hoy solo se testa SIDA era para tenerse una forma rápida y simple para que cualquier persona, sospechando poder estar infectado, pudiese buscar un CTA, sacar sangre y recibir su diagnostico y posteriormente el debido encaminamiento a un centro de tratamiento.

Pero por lo poco que fue divulgado la rutina no será ésta. A lo que parece la persona deberá comparecer al CTA cuando entonces será marcada una reunión (colectiva o individual) para dar consejos. En esta reunión será informado sobre Sífilis, SIDA y hepatitis (consideramos esto asustador y altamente discriminatorio) para solamente después se proceder a marcar la retirada de la sangre debiendo volver otro día para probablemente tener el resultado. Así, una persona empleada no podrá realizar esta rutina ya que será despedida del empleo por la serie de faltas al trabajo. Creo que encontraron una bella formula para evitar la realización de la prueba de detección.

Para se hacer un trabajo realmente serio y comprometido con la salud publica el diagnostico debe ser sin complicaciones y solamente en los casos positivos es que deben ser dados los consejos y debido encaminamiento.

7 - Coordinadores regionales de hepatitis presentes al evento desconocían los procedimientos realizados por el PNHV con los CTAs que irán a realizar las pruebas (171 ya en mayo). No fueron informados sobre este asunto.

8 - Médicos responsables por el tratamiento en los hospitales públicos, presentes al evento, nada sabían, pues no fueron procurados o informados sobre el probable aumento de la demanda. Ninguna planificación estratégica fue realizada para aumentarse la capacidad del servicio, atender la mayor necesidad de pruebas PCR, Genotipaje, biopsia o medicamentos.

9 - Muchas otras cuestiones podrían ser colocadas, pero cerré mi presentación mostrando que el programa de SIDA, para atender 600.000 infectados, posee un moderno edificio de cinco pisos y cientos de empleados, con presupuesto de cientos de millones de Reales, ya el programa de hepatitis dispone solamente de dos pequeñas salas al final de un pasillo en el ministerio de la salud, con 11 empleados (todos oriundos del programa de SIDA) y el astronómico presupuesto de TRES CENTAVOS por habitante, en los dos casos refiriéndome al presupuesto propio, afuera medicamentos y testes.

Ésta fue mi despedida, preguntando a cada uno de los presentes lo que podría ser realizado con tres centavos. Reconozco que me quedé poco sorprendido con lo acontecido, digo un poco por qué poco esperaba de las acciones del PNHV. Mientras el programa de hepatitis esté en las manos de personas ligadas al SIDA, sea en la lucha o en el tratamiento, no va a existir un programa verdaderamente independiente, realizando acciones en las hepatitis.

Volviendo a la parte científica, podemos citar los avances que están aconteciendo con relación al conocimiento y tratamiento de la hepatitis B. A cada día es mayor el conocimiento de la actuación del virus y de la importancia de los diversos genotipos que existen y cual el mejor medicamento a ser utilizado. Hasta el presente solo existía el tratamiento con interferón convencional y la Lamivudina. La agencia reguladora Europea ya autorizó el uso del Interferón Pegilado alfa 2a el cual es el único antiviral efectivo en una buena parte de los tratados, sin crear resistencia, y obtiene suceso o no al cabo de 12 meses de tratamiento.

El Adefovir, superior a la actual Lamivudine ya se encuentra en uso en varios países y deberá estar disponible en Brasil próximamente, y hace 15 días la agencia reguladora americana, el FDA aprobó el uso de Entecavir el cual presenta resultados sorprendentes. Otras drogas, como el Tecnofovir, realmente efectivo en los ensayos clínicos, serán novedades en corto plazo. El futuro del tratamiento de la hepatitis B es realmente muy prometedor y por la primera vez parece estar en el camino cierto.

La esteatosis no alcohólica, el llamado NASH, a cada día ocupa mayor espacio en los congresos, pues es sin dudas el mayor problema de salud publica para los próximos años. La Dra. Deborah Crespo mostró que los depósitos de grasa en el hígado, de origen no alcohólico, son encontrados tres veces más en los portadores de hepatitis C que en la población en general, sin se tener hasta el momento una explicación para tal hecho, se sospechando ser una alteración metabólica producida por el virus de la hepatitis C. Fueron mostrados los problemas ocasionados por el proceso oxidativo que esta gordura ocasiona, aumentando los radicales libres y consecuentemente con mayores niveles de transaminasas e inflamación.

Otras presentaciones trataron sobre cual interferón debe ser utilizado. Diversas son las opiniones, algunos quieren utilizar inmediatamente el interferón pegilado y otros hallan imprudente esta opción. Éstos creen que en pacientes con genotipo 2 ó 3 o aún en pacientes con genotipo 1 y poco daño hepático la primera tentativa debería ser hecha con el interferon convencional reservando el pegilado para caso el tratamiento fracase. Consideran imprudente no dejar una alternativa para el paciente. Esta estrategia es valida al se pensar en opciones y también en relación a fármaco economía, ya que ambos interferones son medicamentos efectivos.

En lo relativo a biopsia del hígado quedó demostrado por las presentaciones que ella no es solamente importante para determinar el actual índice de comprometimiento del hígado y así se decidir, o no, por el tratamiento inmediato. Una biopsia de hígado, cuando el médico la solicita con indicaciones al patólogo para observar determinados parámetros podrá mostrar si el daño hepático es resultado del virus C o si existen otras causas, actuales o pasadas, que sean las culpadas por la destrucción de las células. En muchos casos se trata la hepatitis C cuando ésta no es la culpa por el deterioro al hígado, siendo otra la causa que debía recibir la atención médica.

Sobre nuevas opciones en el tratamiento de la hepatitis C ya hicimos una descripción sobre los nuevos medicamentos en el envío de noticias del lunes pasado, el cual puede ser recuperado en la sección ULTIMAS NOTICIAS de nuestra página.

En el cierre del congreso, con la presencia del ministro de la salud, Dr. Humberto Costa, fue firmado el acta de instalación del Instituto del Hígado de Pernambuco, la primera institución para pesquisa y tratamiento (gratuito) en las enfermedades del hígado. Se trata de una institución que va a funcionar dentro del Hospital Universitario Oswaldo Cruz, pero totalmente financiada por un grupo de empresarios privados, quiénes, en apoyo al trabajo de la Dra. Leila Pereira decidieron hacer parte de este sueño.

Felicitaciones a la organización del IX WORKSHOP por el brillante evento y deseamos éxito total en los trabajos del Instituto del Hígado, el cual servirá no solamente la población de Pernambuco, pero a todo el Brasil.

Carlos Varaldo
Grupo Optimismo



Aprenda todo sobre las hepatitis en www.hepato.com






Last updated 9.5.2005