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Bebidas alcoólicas antes de iniciar o tratamento da hepatite C prejudicam a possibilidade de cura?

10/03/2014

Diversos estudos recomendam que pessoas que abusam das bebidas alcoólicas devem abandonar as bebidas seis meses antes de iniciar o tratamento para receber o tratamento da hepatite C com alguma chance de sucesso.

Os pesquisadores investigaram o passado de abuso de bebidas alcoólicas de 421 pacientes infectados com hepatite C nunca antes tratados com qualquer interferon que receberam tratamento com interferon peguilado e ribavirina entre os anos de 2002 e 2008.

Dos 259 pacientes nos quais foi possível obter uma historia detalhada da ingestão de álcool no passado foi encontrado que a ingestão de álcool era regular em 93,1% dos pacientes antes do diagnostico da hepatite C, 30,9% deixaram de beber entre o diagnostico e o inicio do tratamento e 1,9% durante o tratamento.

Padrões moderados de ingestão de bebidas foram relatados por 67,9% dos pacientes, 63,5 ingeriam bebidas alcoólicas em maior quantidade antes de iniciar o tratamento e 29,3% relataram abstenção menor que o recomendado nos seis meses anteriores ao inicio do tratamento.

Apesar desses relatos a cura foi obtida por 80,2% dos pacientes infectados com os genotipos 2 e 3 e por 45,1% dos infectados com os genótipos 1, 4 e 6.

A recidiva do vírus nos seis meses após o final do tratamento não esteve relacionada com qualquer dos padrões de ingestão de bebida relatada.

Padrões pré-tratamento de beber e consumo de álcool total, foram ambos sem relação com as taxas de cura. Abster-se menos de 6 meses antes do tratamento foi associado à diminuição de cura em consumos moderados, mas não pesado de álcool. Recidiva do vírus nos seis meses após o final do tratamento não esteve relacionado a beber após o fim do tratamento.

Concluem os autores que a quantidade de álcool consumido antes do tratamento da hepatite C não tem nenhum efeito negativo sobre o resultado esperado com o tratamento. Um passado de beber em quantidade abusiva não deve ser considerado um impedimento para a indicação do tratamento se o mesmo for realizado por uma equipe multidisciplinar em centro de aplicação semanal do interferon.

MEU COMENTÁRIO

Os resultados mostram que se uma pessoa que no passado era bebedor de álcool de forma abusiva pode receber o tratamento e obter a mesma possibilidade de cura que os não bebedores se o pacientes é acompanhado semanalmente em um pólo de aplicação do interferon, objetivando conseguir aderência plena na administração dos medicamentos.

Isso é extremamente necessário para evitar interrupções das doses de interferon, uma questão muito comum que acontece com dependentes de álcool e drogas.

Ou seja, não interessa o passado e sim como é realizado e controlado de forma permanente o tratamento da hepatite C a ser realizado, desde que durante o tratamento o paciente deixe de beber.

Lembre sempre que curar a hepatite C não significa que o fígado ficou em estado de novo, pois o dano hepático, seja fibrose ou cirrose, continua existindo. Após a cura o fígado pode se regenerar em parte com o correr dos anos, lentamente, mas se continua bebendo álcool continuará sendo destruído e o dano continuará sendo cada vez mais grave, agora por culpa do álcool.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
The impact of lifetime alcohol use on hepatitis C treatment outcomes in privately insured members of an integrated health care plan - Marcia Russell, Mary Patricia Pauly, Charles Denton Moore, Constance Chia, Jennifer Dorrell, Renee J. Cunanan, Gayle Witt, and Scott Martin - Hepatology. 2012 Oct;56(4):1223-30. doi: 10.1002/hep.25755.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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