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O Fibroscan (elastografia transitória) pode substituir a biopsia hepática?

10/04/2012

Conhecer o grau de fibrose em indivíduos infectados com as hepatites B e C é fundamental para determinar a progressão da doença e indicar a necessidade de iniciar o tratamento. A elastografia transitória, conhecida comercialmente como Fibroscan é um método não invasivo promissor para determinar o grau de fibrose, podendo na maioria dos casos substituir a necessidade de realizar uma biopsia do fígado.

Estudo publicado na revista Liver International comprovou que existem diferenças no resultado apresentado pelo Fibroscan entre as hepatites B e C que devem ser levadas em consideração.

No estudo foram incluídos 125 pacientes com hepatite B e 116 com hepatite C. Todos realizaram o Fibroscan e imediatamente a seguir uma biopsia, para efeito de comparação dos resultados. Todas as amostras das biopsias eram consideradas grandes, com mais de 25 milímetros.

Nas biopsias foi relacionado o estágio da fibrose de acordo com a escala Metavir, a esteatose e o ferro. Fatores independentes, como sexo, idade, massa corporal, ingestão de álcool, níveis das transaminases, contagem de plaquetas, carga viral e genótipo também foram considerados na analise dos dados.

Os resultados mostram que quando a fibrose é igual ou maior que F2, em 85% dos infectados com hepatite B e em 76% dos infectados com hepatite C os dois métodos, Fibroscan e biopsia, apresentam resultados iguais. Na fibrose igual ou maior que F3 a segurança nos resultados foi de 91% na hepatite B e de 87% na hepatite C. Na presença de cirrose (F4) a segurança no resultado foi de 90% na hepatite B e 91% na hepatite C.

Os resultados de corte no Fibroscan, conforme o grau de fibrose, foi de 6,0 kPa na hepatite B e 5,0 kPa na hepatite C para os casos de fibrose igual ou maior que F2. Os valores para os casos iguais ou maior que F3 foram 9,0 kPa na hepatite B e 8,0 kPa na hepatite C. Na presença de cirrose o valor de corte no Fibroscan foi de 13,0 kPa para as duas hepatites.

Após cruzamento e revisão dos resultados, concluem os autores que para o diagnostico de estágios de fibrose inferiores a F2 pelo Fibroscan, o resultado apresentado pode ser maior que a realidade, induzido pela inflamação. Para graus de fibrose iguais ou maiores que F3 o desempenho do Fibroscan é bom, tanto na hepatite B como na hepatite C.

MEU COMENTÁRIO

Realmente o Fibroscan consegue uma assertividade muito boa, podendo substituir a biopsia em muitos casos,. Por ser um método não invasivo e rápido de realizar pode ser repetido quantas vezes for necessário para acompanhar a evolução do dano hepático.

Mas existem casos, a critério do profissional médico, nos quais a biopsia será sempre necessária, continuando a ser o padrão ouro na avaliação do estado do fígado.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Evaluation of transient elastography for fibrosis assessment compared with large biopsies in chronic hepatitis Band C - Verveer, Claudia; Zondervan, Pieter E.; ten Kate, Fibo J. W.; Hansen, Bettina E.; Janssen, Harry L. A.; de Knegt, Robert J. - Liver International, Volume 32, Number 4, 1 April 2012 , pp. 622-628(7)


Carlos Varaldo
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