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A biopsia do fígado pode matar?

29/11/2010

Um dos maiores temores que acometem muitos pacientes com doenças hepáticas é a biopsia do fígado. Alguns porque ao escutar a palavra biopsia imaginam que é um procedimento relacionado a câncer e, outros, por medo da pequena cirurgia a que serão submetidos.

A biopsia é a técnica mais precisa no diagnóstico do estado do fígado, sendo considerada o chamado "padrão ouro", apresentando resultados diagnósticos que não são alcançados por nenhum outro método disponível, sendo considerada segura, mas não livre de riscos, inclusive da morte do paciente.

Os estudos sobre mortes ocasionados pela realização da biopsia hepática são controversos nos resultados apresentados e a maioria são estudos realizados antes do ano 1992, quando os métodos diagnósticos não eram tão precisos como os atualmente utilizados. É necessário não somente se avaliar a mortalidade, mas também a morbilidade, que são as possíveis complicações, como a dor ou perfurações de outros órgãos durante o procedimento.

Um estudo realizado na Inglaterra estudou o que aconteceu na realização entre os anos de 1998 e 2005 de 61.187 biopsias percutâneas. O resultado global mostrou que a mortalidade aconteceu em 2 de cada 1.000 biopsias realizadas, tendo sido maior entre os pacientes com câncer e, provavelmente muitas das mortes podem ter acontecido pelo agravamento do câncer e não pela realização da biopsia.

O risco de morte por qualquer causa foi avaliado no período entre 7 e 30 dias após a realização da biopsia, a mortalidade diretamente relacionada com o procedimento nos 7 dias posteriores ao procedimento e a hemorragia, também nos 7 dias posteriores a biopsia.

Ao separar e eliminar outros fatores que possam ter provocados as mortes, os autores atribuem que a mortalidade por causa da biopsia percutânea é estimada em 1 morte a cada 10.000 biopsias, associando o numero aos acontecimentos de hemorragias graves, o qual aconteceu em 6 de cada 1.000 biopsias e a complicações como a perfuração de vísceras ou outros órgãos, casos que aconteceram em 1 de cada 1.000 biopsias.

Ressaltam os autores que as complicações e mortes pela realização da biopsia hepática estão diminuindo a cada ano com o auxilio de melhores técnicas de imagem, com um maior cuidado na valorização no risco de hemorragia e a um acompanhamento medico melhor nas horas seguintes a realização do procedimento.

Posso comentar que a biopsia hepática é o melhor exame para avaliar o real estado do fígado, que é um procedimento seguro, mas como toda cirurgia, por menor que seja, pode apresentar complicações, em percentagem pequena, sim, mas não apresenta uma total segurança.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Reduced Mortality Rates Following Elective Percutaneous Liver Biopsies - Joe West, Timothy R. Card - Gastroenterology Vol. 139, Issue 4, Pages 1230-1237


Carlos Varaldo
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