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A biopsia percutanea do fígado

10/04/2001

A biopsia é especificamente um exame para determinar o dano hepático. Há vários métodos disponíveis para realizar uma biopsia, cada um com suas próprias vantagens e desvantagens. Vamos falar da biopsia percutanea, o tipo mais fácil e comum de se realizar uma biopsia do fígado.

O tamanho de material recolhido ao fazer uma biópsia varia entre 1 e 3 centímetros em comprimento e entre 1.2 e 2 milímetros em diâmetro, representam 1/50.000 da massa total do fígado.

A biópsia fornece valiosa informação sobre o estado do fígado, o prognostico da possível evolução e ainda como deverão ser administrados os medicamentos.

Por exemplo, em pacientes com hepatite C, não há uma posição definida e clara sobre a relação entre níveis elevados de transaminases, principalmente a ALT ou TGP e a parte histológica do fígado, isto é, se o tecido e arquitetura do fígado estão intactas ou estragadas, podendo ser encontrados pacientes com níveis completamente normais nas transaminases tendo já fibroses significante ou cirrose estabelecida.

Se o paciente tem doença moderada e é infetado com o genótipo 1a ou 1b pode se decidir por adiar o tratamento, já que estes genótipos são relativamente resistentes ao tratamento com interferon atualmente em uso, e pode ser aconselhável aguardar a chegada do novo interferon pegilado que responde muito melhor nestes genótipos.

Se na biopsia for encontrada a cirrose isto determinará a necessidade por exames adicionais, como endoscopia superior para verificar se existem varizes no esôfago (veias inchadas no esôfago que podem causar hemorragias) e também testes de sangue para câncer, detectando a presença de alfa-fetoproteina (AFP) e uma ultarossonografia do fígado.

A biopsia percutanea é feita a traves da pele do abdome. As agulhas para realizar a biopsia percutanea são conhecidas como agulhas de sucção, agulhas cortantes, e agulhas cortantes que têm um mecanismo ativado. As agulhas cortantes, com exceção da variedade de mecanismo ativado, requerem um tempo mais longo para realizar a biópsia o que pode aumentar o risco de sangramento. Uma maior incidência de sangramento após a biópsia e observada quando são usadas agulhas de grande diâmetro. Suspeitando-se da existência de cirrose, a agulha cortante é preferida em detrimento de uma agulha de sucção, já que o tecido com fibrose elevada tende a se fragmentar com o uso de agulhas de sucção. Isto faria a amostra de tecido menos útil ou até mesmo inútil para propósitos de diagnóstico.

A ultra-sonografia feita antes e durante uma biópsia identifica as lesões da massa (áreas definidas de tecido suspeito ou doente) e define a anatomia do fígado e as posições relativas dos pulmões e rins. A maioria do hepatologistas concorda que todos os pacientes deveriam sofrer uma ultra-sonografia do fígado antes e durante uma biópsia percutanea. Em geral 30 minutos depois de feita a biopsia percutanea o paciente e liberado, porém é recomendável que algum familiar de confiança fique com a paciente durante a primeira noite depois da biópsia. O paciente não deverá ter nenhum problema médico sério que aumenta o risco associado com a biópsia.

O paciente deve ser hospitalizado após a biópsia executada se houver evidência de sangramento, um vazamento de bílis, pneumotórax (ar ou com gás no espaço pleural), ou algum outro órgão furado acidentalmente, ou se a dor do paciente requer mais de uma dose de analgésico nas primeiras 4 horas depois da biópsia.

A biópsia é um procedimento seguro quando executado por operadores experientes. Embora o fígado tem uma provisão vascular rica, complicações associadas com uma biopsia percutanea são muito raras.

Complicações secundárias depois de uma biópsia percutanea incluem desconforto localizado no local da biópsia, e dor que requer o uso de algum analgésico. Aproximadamente um quarto dos pacientes tem dor no quadrante superior direito do abdome ou também no ombro direito depois da biópsia. A dor normalmente e moderada.

Dor contínua, severa no abdômen poderia indicar uma complicação mais séria, como sangramento ou peritonites (inflamação da membrana que reveste as paredes das cavidades abdominais e pélvicas). O médico deve ser avisado se isto acontecer.

Os fatores de risco para hemorragia depois da biópsia são idade avançada, mais de três tentativas com a agulha durante biópsia, e a presença de cirrose ou câncer de fígado.

A taxa de mortalidade entre pacientes depois de uma biópsia percutanea é de aproximadamente 1 em 12.000. A mortalidade é mais alta entre pacientes que sofrem biópsias de lesões malignas. A cirrose e outro fator de risco para hemorragia fatal durante uma biópsia de fígado.

Informação do Liver Center, Division of Gastroenterology, Beth Israel Deaconess Medical Center, Harvard Medical School, Boston.

Carlos Varaldo
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