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O tratamento da hepatite C impede o aparecimento de câncer no fígado

05/11/2012

A hepatite C é uma das principais causas de câncer de fígado e outras doenças hepáticas e é a principal causa de transplantes de fígado. As mortes por causa da hepatite C tiveram aumento na última década e devem aumentar nos próximos anos.

Um estudo realizado na Universidade de Copenhague, na Dinamarca, publicado no "British Medical Journal" avaliou ensaios clínicos publicados sobre tratamento com interferon ou interferon peguilado e ribavirina em pacientes com hepatite C. A meta analise abrange os resultados de acompanhamento de mais de 1.156 pacientes tratados e são comparados a outros 1.174 infectados que não receberam tratamento.

Durante o período de acompanhamento (entre 6 e 8 anos) 81 pacientes que receberam tratamento antiviral desenvolveram câncer de fígado, a maioria estava entre os que não conseguiram sucesso e, entre os que não receberam nenhum tratamento o número de casos foi 47% superior, atingindo 129 infectados.

Nos pacientes que receberam tratamento e obtiveram a cura a probabilidade de desenvolver câncer no fígado foi 85% menor que nos que fracassaram ao tratamento, já os pacientes que não obtiveram sucesso com o tratamento apresentaram um risco 43% menor de desenvolver câncer que os pacientes que não receberam tratamento.

Ao analisar os dados conjuntos dos estudos observacionais os pesquisadores concluem que o tratamento da hepatite C com interferon e ribavirina reduz o risco de desenvolver câncer em 71% na comparação com pacientes que não recebem tratamento.

Os autores acreditam que os benefícios do tratamento antiviral para a prevenção do câncer de fígado é provável que seja menos pronunciada em pacientes infectados pela hepatite C sem cirrose ou fibrose já que apresentam menor inflação que pacientes com fibrose avançada ou cirrose.

MEU COMENTÁRIO:

Este é mais um dos tantos estudos que demonstram que o tratamento da hepatite C salva a vida de muitos infectados. Os números são de pacientes que receberam tratamento com interferon ou interferon e ribavirina. Se o tratamento fosse realizado com inibidores de proteases os quais apresentam uma possibilidade de cura muito superior, certamente os números encontrados seriam ainda muito mais favoráveis a necessidade de se tratar quanto antes todos os infectados.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Antiviral therapy for prevention of hepatocellular carcinoma in chronic hepatitis C: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials - Nina Kimer, Emilie Kristine Dahl, Lise Lotte Gluud, Aleksander Krag - BMJ Open 2012;2:e001313 doi:10.1136/bmjopen-2012-001313


Carlos Varaldo
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