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Características dos pacientes com hepatite crônica C que podem desenvolver câncer no fígado

13/08/2012

O vírus da hepatite C é um dos fatores de risco para desenvolver câncer de fígado. O câncer de fígado é a forma mais frequente de câncer primário no fígado. Estudo publicado na revista "Swiss Medical Weekly" analisou as características dos pacientes com hepatite C que desenvolveram câncer no fígado.

O estudo, multicêntrico, analisou o banco de dados do "Swiss Cohort Study Hepatitis C" com dados desde o ano 2000, selecionando os pacientes que chegaram a desenvolver câncer de fígado, os reagrupando e comparando os dados com pacientes infectados com hepatite C, mas que não desenvolveram câncer, na intenção de encontrar o que poderiam ser fatores que favorecem o aparecimento do câncer.

No total de 3.390 pacientes estudados, 130 desenvolveram câncer durante o período do estudo. A idade do paciente foi um dos fatores determinantes, assim como a cirrose e suas complicações, ascite e encefalopatia também foram associados com o câncer no fígado. Homens apresentaram um maior risco que as mulheres. Pacientes infectados com o genótipo 2 possuem menor risco que os outros genótipos. Pacientes com o genótipo 1 b apresentaram duas vezes de maior probabilidade de desenvolver câncer que os outros genótipos. Baixo nível socioeconômico foi um fator de maior risco. E o diabetes resultou ser um fator de risco muito importante, especialmente entre os pacientes com fibrose moderada.

Em relação à idade do paciente foi encontrado que o risco de desenvolver câncer de fígado aumenta consideravelmente após os 42 anos e em especial após os 60 anos de idade. Os pacientes com 65 anos de idade apresentam um risco 15 vezes maior que os infectados com 20 anos de idade.

Entre os homens o risco de câncer encontrado no estudo foi 2,7 vezes superior que entre as mulheres, estimando os pesquisadores que provavelmente os homens estão expostos a maiores fatores de risco, em especial ao consumo maior de bebidas alcoólicas.

Fibrose elevada ou cirrose aumentam a possibilidade de desenvolvimento do câncer, comprovando dados já encontrados em outros estudos.

O fator diabetes chamou a atenção. Entre os infectados com hepatite C que desenvolveram o câncer 21% eram diabéticos, sendo que na amostra total dos pacientes que não desenvolveram câncer somente 6% eram diabéticos. O diabetes foi um fator determinante na média de pacientes idosos (entre 42 e 60 anos), com estágio de fibrose baixo. Isto coincide com descobertas recentes de câncer de fígado em pacientes diabéticos sem fibrose significativa.

Esclarecem os pesquisadores que o estudo tem limitações por estar baseado em um banco de dados e alguns fatores importantes como o tabagismo estão faltando. Além disso, o efeito do tratamento antiviral sobre o risco de desenvolver câncer não pode ser avaliado com os dados disponíveis. No entanto, o estudo tem pontos fortes já que estuda uma base de dados muito grande e proporciona informação única em pacientes suíços infectados com hepatite C que desenvolveram câncer no fígado.

Concluem os pesquisadores que o papel do diabetes no infectados com hepatite C é um fator importante do risco de desenvolver câncer no fígado e como tal os médicos devem monitorar cuidadosamente os infectados que apresentam diabetes.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Characteristics of patients with chronic hepatitis C who develop hepatocellular carcinoma - Lorenz Kuskea, Armand Mensenb, Beat Müllhauptc, Francesco Negrod, David Semelae, Darius Moradpourf, Pierre Jean Maléd, Markus H. Heimg, Raffaele Malinvernih, Andreas Cernyi, Jean-François Dufoura,j, on behalf of the Swiss Hepatitis C Cohort Study - Swiss Med Wkly. 2012;142:w13651


Carlos Varaldo
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