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Álcool, tabaco e obesidade - Uma bomba de tempo para o câncer no fígado

14/06/2005

O álcool é um velho conhecido dos cancerologistas como um indutor do câncer no fígado. O papel desenvolvido pelo cigarro, onde todos são unânimes em relação ao câncer de pulmão sempre foi objeto de discussão quando se fala em câncer de fígado. É a obesidade ou os depósitos de gordura no fígado aparece a cada dia em novos estudos como um fator de risco para o aparecimento do câncer no fígado.

Um estudo realizado na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos e publicado na edição deste mês do Journal of Hepatology pesquisou se estes fatores, quando presentes de forma conjunta, podem aumentar ainda de forma maior o aparecimento do câncer hepático.

Para tal foram seguidos três grupos com 70 pacientes cada, um deles com câncer no fígado, um outro com cirroses porem sem câncer e um outro de pacientes sem nenhuma doença no fígado e em cada grupo foi pesquisado o estilo de vida para se saber sobre a freqüência do uso do álcool e do cigarro, assim como também foi medido o índice de massa corporal, avaliando assim cada fator de risco separadamente.

Quando comparado o grupo com câncer no fígado com o grupo de cirróticos sem câncer foi observado que o uso de bebidas alcoólicas aumentava em seis vezes a possibilidade de desenvolver o câncer, já para o uso do cigarro a possibilidade foi cinco vezes superior, e nos pacientes obesos a possibilidade de desenvolver câncer no fígado observada foi quatro vezes superior que nos pacientes magros.

Quando comparado o grupo de pacientes com câncer com o grupo de pacientes saudáveis foi encontrado que o uso de bebidas alcoólicas aumentava em vinte e quatro vezes a possibilidade de desenvolver o câncer, já para o uso do cigarro a possibilidade foi sessenta e quatro vezes superior, e nos pacientes obesos a possibilidade de desenvolver câncer no fígado observada foi quarenta e oito vezes superior que nos pacientes magros.

70% dos pacientes com câncer bebiam mais de 1.500 gramas/ano de álcool, contra 37% dos cirróticos e somente 4% dos que apresentavam um fígado saudável. Em relação ao cigarro, 70% dos pacientes com câncer no fígado fumavam mais de um pacote por dia nos últimos 20 anos, contra 49% dos cirróticos e somente 5% dos saudáveis.

Realizando um estudo de regressão sobre as doses de álcool, quantidade de álcool ingerido e obesidade foi comprovado que existia uma interação significa quando da presencia de dois ou dos três fatores presentes ao mesmo tempo, chegando a aumentar em 50% os índices apresentados por quem tinha somente um dos fatores.

Concluem os autores que e necessário alertar os pacientes sobre estes possíveis riscos e ainda aconselham estratificar os pacientes cirróticos, considerando aqueles que possuem estas características como pacientes de "alto risco" para o desenvolvimento de câncer no fígado, procedendo a estratégias de vigilância mais estritas em relação ao aparecimento de um possível câncer.

Fonte:
Marrero J. A., Fontana R. J., Fu S., Conjeevaram H. S., Su G. L., Lok A. S. - J. Hepatol. 2005; 42(2): 218-24


Carlos Varaldo
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