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ALERTA! - Os novos medicamentos podem reativar um câncer curado no paciente - EASL 2016

19/04/2016

Os pesquisadores descobrem novas drogas, isso é muito bom, e também encontram problemas que essas drogas podem ocasionar, o que também é muito bom.


Uma apresentação no EASL 2016 alertou para a possibilidade de pacientes tratados com os novos medicamentos livres de interferon para hepatite C e que antes tiveram um câncer de fígado, já considerado curado, possuem altas possibilidades do tratamento da hepatite C vir a reativar o câncer.

No estudo realizado na Itália os autores analisaram retrospectivamente 344 pacientes com cirrose pela hepatite C, todos negativos para HIV, que não tinham câncer de fígado ativo. Todos receberam tratamento para hepatite C, sendo 34% com a combinação de sofosbuvir/simeprevir, 22% com o tratamento 3D (ABT-450 with ritonavir (ABT-450/r), ombitasvir, dasabuvir e ribavirina), 17% com sofosbuvir/ribavirina, 16% com sofosbuvir.daclatasvir e 10% com sofosbuvir/ledipasvir.

A cura foi conseguida em 12 semanas de tratamento por 89% dos pacientes. Após 24 semanas do final do tratamento o câncer de fígado (carcinoma hepatocelular) foi detectado em 7,6% dos pacientes que antes do tratamento não tinham nenhum histórico de câncer. No entanto ao se considerar 59 pacientes que antes do tratamento tinham um histórico de câncer de fígado, considerado já curado, em 29% deles o câncer de fígado foi reativado,

Ocorrências de câncer de fígado foram avaliados através da comparação da linha de base ultrassonografia e ressonância magnética / CT-scans com as tomadas durante seis meses pós tratamento.

Os autores alertam os médicos que é importante utilizar estratégias para detectar a possibilidade de um câncer de fígado antes de iniciar o tratamento com os medicamentos de ação direta livres de interferon.

Ao mesmo tempo, também no EASL 2016, pesquisadores da Espanha comentaram sobre um artigo por eles publicado no "Journal of Hepatology" (ao qual não tive acesso) onde também encontraram esse incremento do risco de reativação do câncer após o tratamento da hepatite C com os novos medicamentos.

O estudo foi realizado em quatro hospitais (Clínic de Barcelona, Clínica Universitária de Navarra, Hospital Central de Oviedo e Hospital Puerta de Hierro de Madrid). Os pesquisadores suspeitam que os medicamentos de ação direta livres de interferon ao baixar rapidamente a carga viral do vírus da hepatite C podem estar produzindo uma alteração do equilíbrio entre a inflamação e a imunidade.

Explicaram que em todo câncer curado quedam algumas células dormentes que permanecem no corpo e que muito provavelmente nunca irão se ativar, porém pelo desequilíbrio imunitário é provável que as células do câncer sejam reativadas.

Informaram ainda que a "Agencia Europeia de Medicamentos" já solicitou informações aos fabricantes dos medicamentos. Nos ensaios clínicos para testar os medicamentos pacientes com câncer não eram incluídos e agora na vida real é que o problema apareceu.

O problema é preocupante e o Dr. Jordi Bruix, coordenador do estudo, informou que no Hospital Clínic de Barcelona tomaram a decisão de não iniciar novos tratamentos antivirais em pacientes que já tinham superado um câncer, até que não se disponha de maiores informações de outros grupos que validem o achado. Também decidiram não tratar pacientes com câncer de fígado que estão aguardando um transplante.

Fica então a dúvida sobre se deve evitar indicar o tratamento da hepatite C com os novos medicamentos a pacientes que conseguiram curar um câncer? E no caso de transplantes? E ainda existe também um aumento do risco de reativação para aqueles que já tiveram outros tipos de câncer que não somente o de fígado?

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
DEVELOPMENT OF HEPATOCELLULAR CARCINOMA IN HCV CIRRHOTIC PATIENTS TREATED WITH DIRECT ACTING ANTIVIRALS - Federica Buonfiglioli*, Fabio Conti, Pietro Andreone, Cristina Crespi, Francesco Giuseppe Foschi, Marco Lenzi, Giuseppe Mazzella, Gabriella Verucchi, Stefano Brillanti - EASL 2016 - Abstract LBP506


Carlos Varaldo
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