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NOVO ESTUDO - O câncer de fígado já curado não é reativado após o tratamento da hepatite C

20/06/2016

Durante o EASL 2016 acontecido em abril um estudo alertava sobre a possibilidade dos novos medicamentos orais para tratamento da hepatite C reativarem um câncer já curado causou comoção e medo. Em medicina toda pesquisa deve ser possível de ser replicada para que os resultados sejam confirmados e, foi isso que um grupo francês fez, encontrando que não existe qualquer evidencia que alguém com hepatite C que tenha tido câncer de fígado possa vir a reativar esse câncer curado ao realizar o tratamento com os novos medicamentos orais livres de interferon.

O estudo publicado no "Journal of Hepatology" por uma equipe francesa analisou dados individuais de mais de 6.000 pacientes infectados com hepatite C tratados com os novos medicamentos orais e se concentraram nos pacientes que antes do tratamento foram submetidos a procedimentos curativos de câncer de fígado com o objetivo de avaliar as taxas de recorrência do câncer de fígado de acordo com o tipo de tratamento da hepatite C.

Os 6.000 pacientes tratados eram parte de três estudos do governo francês, o ANRS CO22 HEPATHER, ANRS CO12 CIRVIR e ANRS CO23 CUPILT.

No estudo ANRS CO22 HEPATHER foram analisados 267 pacientes com câncer de fígado anteriormente tratado dos quais 189 receberam tratamento com os novos medicamentos orais livres de interferon e 78 não receberam tratamento da hepatite C. As taxas de recorrência do câncer de fígado entre os que receberam tratamento foi de 0,73/100 e de 0,66/100 pessoas-mês entre os que não receberam tratamento.

No estudo ANRS CO12 CIRVIR que incluía pacientes com cirrose, foram analisados 79 pacientes com câncer de fígado anteriormente tratado dos quais 13 receberam tratamento com os novos medicamentos orais livres de interferon e 66 não receberam tratamento da hepatite C. As taxas de recorrência do câncer de fígado entre os que receberam tratamento foi de 1,11/100 e de 1,73/100 pessoas-mês entre os que não receberam tratamento.

No estudo ANRS CO12 CIRVIR que incluía pacientes transplantados de fígado, foram analisados 314 pacientes com câncer de fígado anteriormente tratado e todos receberam tratamento com os novos medicamentos orais livres de interferon para a hepatite C. Somente sete recorrências de câncer de fígado foram relatadas após um período de 70 meses após o transplante (2,2%).

Concluem os autores que em três diferentes grupos não foi observado um aumento de recorrência do câncer de fígado após o tratamento da hepatite C com os novos medicamentos orais livres de interferon.

MEU COMENTÁRIO

A medicina não é uma ciência exata, por isso todo estudo apresentado em congressos ou publicado em revistas científicas deve poder ser reproduzido para que seja validado, ou não. Exatamente este novo estudo realizado com um número de quase 10 vezes maior de pacientes demonstra não ser válida a apresentação feita no EASL 2016. Uma boa e tranquilizadora notícia para quem já superou um câncer de fígado e deve realizar o tratamento da hepatite C.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Lack of evidence of an effect of Direct Acting Antivirals on the recurrence of hepatocellular carcinoma - Stanislas Pol - Journal of Hepatology (2016) - Article in Press - DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.jhep.2016.05.045


Carlos Varaldo
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