31/03/2007
Médicos da Clínica Mayo usam nova técnica de radiação para tratar câncer de fígado
JACKSONVILLE, Flórida -- Médicos da Clínica Mayo, em Jacksonville, Florida, estão usando, agora, cápsulas vitrificadas minúsculas, com carga radioativa, para aplicar radiação de alta dose em tumores no fígado - e só neles. Eles consideram o procedimento mais tolerável do que outras formas de tratamento intra-arterial do câncer hepático e, possivelmente, a melhor opção para alguns pacientes que não podem se submeter a intervenções cirúrgicas ou de transplante de fígado.
A técnica -- chamada "radioembolização" ou "braquiterapia inter-arterial" -- usa a corrente sanguínea para transportar as pequenas cápsulas, menores em diâmetro que um fio de cabelo, até os vasos microscópicos, recém-formados, que alimentam os tumores. Eventualmente, essas microcápsulas se alojam nas posições dos tumores e liberam a radiação de alta dose.
Como os tumores do fígado usam um suprimento de sangue que é distinto, em grande medida, do sangue que nutre os tecidos normais do fígado, apenas um mínimo dessas microcápsulas terminam na parte sadia do fígado, afirmam os médicos da Clínica Mayo.
"A técnica é uma maneira engenhosa de explorar as diferenças no suprimento de sangue para o tumor do fígado e para o tecido normal do fígado", diz o radiologista-intervencionista da Clínica Mayo Ricardo Paz-Fumagalli. Ele, com oncologistas de radiação da Clínica Mayo, administra essa terapia em pacientes.
Existem dois vasos sanguíneos principais que drenam sangue para o fígado. Cerca de três quartos do suprimento de sangue para os tecidos normais do fígado vêm da veia porta do fígado; apenas um quarto vem da artéria hepática e suas ramificações, explica Paz-Fumagalli. Tumores do fígado, por outro lado, recebem a maior parte do suprimento de sangue, para seu sustento, da artéria hepática e recebem o maior volume de microcápsulas radioativas. "Assim, se realizamos um tratamento através das artérias, elas atingem mais especificamente o tumor e a parte normal do fígado é relativamente poupada", diz o radiologista.
O procedimento é ambulatorial e dura cerca de uma hora. Os médicos administram anestesia local, pela perna, na área da artéria femoral do paciente, e sedação intravenosa branda. Em seguida, inserem na artéria femoral um cateter, que levam, com a ajuda de raio-x, até a artéria-alvo, que se ramifica da artéria hepática. Então, os médicos injetam as minúsculas cápsulas vitrificadas na artéria. Conforme as microcápsulas liberam a radiação, num período de 10 a 14 dias, os tumores recebem uma dose mais alta do que, normalmente, seria suportável, se fossem administradas pelo método de feixe externo, usado para tratar muitos tipos de câncer, tais como os de mama e de próstata, diz Paz-Fumagalli.
Entretanto, a radiação emitida pelas microcápsulas não penetram tão fundo ou mantêm sua potência por muito tempo. "O tipo de radiação usada penetra apenas numa camada fina de tecido, de dois a três milímetros em média; assim, logo que se tem uma espessura suficiente de tecido na área que foi submetida ao tratamento, muito pouca radiação vai escapar e expor outros tecidos ou outras pessoas a ela", ele diz.
Além disso, a meia-vida da radiação do Ítrio-90 (90Y), usado na terapia, é de 64 horas. Isto é, em 64 horas, metade da radioatividade se decompõem em uma substância não radioativa. A metade restante irá se decompor em outras 64 horas e assim por diante. "Ao se passarem duas semanas, sobra muito pouca radiação", diz Paz-Fumagalli. "Portanto, é uma terapia muito segura. Ela é altamente concentrada no tumor e não vai muito longe", ele diz. "Por essa razão, o corpo pode tolerar essas doses de radiação muito bem", garante o radiologista.
Os médicos da Mayo realizam exames de imagem detalhados antes do tratamento, para se certificarem de que um excesso de fluxo sanguíneo na artéria hepática não esteja indo para outros órgãos. Isso porque as altas doses de radiação, usadas nesse novo tipo de tratamento, causariam danos severos aos pulmões, estômago e intestinos, se transportadas para além do fígado.
A radioembolização pode ser um tratamento apropriado para pacientes que não podem se submeter a transplante de fígado, cirurgia ou a um outro procedimento chamado ablação percutânea, dizem os médicos da Mayo. Pacientes podem ser rejeitados para uma dessas opções consideradas melhores de tratamento nos casos em que o tumor é muito grande ou a quantidade de tumores é grande, que não há reserva suficiente de fígado em bom estado ou, ainda, nos casos de metástase (em que o câncer atinge outros órgãos).
Se a radioembolização não for possível ou segura, existem outros métodos de tratamento intra-arterial disponíveis, eles dizem. Uma alternativa é a quimioembolização, pela qual os médicos injetam um coquetel quimioterápico e pequenas partículas oclusivas nas artérias do fígado. No entanto, esse procedimento pode ser muito dolorido, requer hospitalização e tende a ser mais tóxico para o tecido saudável do fígado.
O prognóstico para casos de câncer primário do fígado (carcinoma hepatocelular) não é normalmente bom, quando a cirurgia não é uma opção. Para esses pacientes, a radioembolização é usada como uma terapia paliativa, para melhorar a qualidade de vida, aumentar a capacidade de sobrevivência e, em alguns casos, pode ser uma opção como terapia para encolher um tumor, com o objetivo de preparar um paciente para um transplante curativo de fígado.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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31/03/2007
Médicos de la Clínica Mayo usan nueva técnica de radiación para tratar cáncer de hígado
JACKSONVILLE, Florida -- Los médicos de Clínica Mayo, Jacksonville, Florida, están usando diminutas burbujas de cristal llenas de material radioactivo para entregar altas dosis de radiación que maten al tumor directamente en los tumores hepáticos. Según ellos, el procedimiento es mejor tolerado que otras formas de tratamientos de cáncer hepático intra-arteriales, y puede ser la mejor opción para algunos pacientes que no son candidatos para otras terapias, incluyendo cirugía o trasplante de hígado.
La técnica, llamada radioembolización o braquiterapia intra-arterial, usa el torrente sanguíneo para enviar las pequeñas esferas, más pequeñas en diámetro que un cabello humano, dentro de los vasos sanguíneos microscópicos recientemente formados que alimentan al cáncer. Ellas eventualmente se alojan en los lugares del tumor donde entregan altas dosis de radiación.
Debido a que estos tumores hepáticos usan el suministro de sangre que está en gran medida separado de la sangre que alimenta al tejido hepático normal, pocas microesferas terminan en el hígado sano, dicen los médicos de Mayo.
"La técnica es una forma inteligente de aprovechar las diferencias en el suministro de sangre entre el tumor del hígado y el tejido hepático normal", dice el radiólogo intervencionista de Clínica Mayo Ricardo Paz-Fumagalli. El, de acuerdo con los oncólogos en radiación de Clínica Mayo, administran la terapia a los pacientes.
Hay dos sistemas de irrigación primarios que llevan sangre al hígado. El tejido hepático normal recibe casi tres cuartas partes de su suministro de sangre de la vena porta y sólo una cuarta parte de la arteria hepática y sus ramas, explica el doctor Paz-Fumagalli. Los tumores hepáticos, por otra parte, obtienen la mayor parte del suministro de sangre que los mantiene vivos de la arteria hepática y absorben una gran proporción de las microesferas radioactivas. "Por lo tanto, al administrar un tratamiento a través de las arterias, se alcanza el tumor de una manera más específica, y el hígado normal se mantiene relativamente indemne", asegura. Este procedimiento ambulatorio demora cerca de una hora en completarse. Los pacientes reciben anestesia local cerca de la arteria femoral en la pierna y una suave sedación intravenosa. Los médicos insertan un catéter en la arteria femoral y guiados bajo rayos-x, lo avanzan a la arteria de destino que se desprende de la arteria hepática. Entonces los médicos inyectan las minúsculas esferas de cristal dentro de la arteria.
Mientras las microesferas liberan radiación durante 10 a 14 días, los tumores reciben una dosis mayor de la que generalmente es tolerada si fuera administrada por el método del rayo externo usado para tratar muchos tipos de cánceres como el de mama y próstata, dice el especialista.
Sin embargo, la radiación liberada por las microesferas no penetra tan profundamente ni permanece potente por mucho tiempo. "El tipo de radiación usada penetra una capa muy delgada de tejido, cerca de dos a tres milímetros en promedio, por lo que una vez que tienes el grosor suficiente de tejido en el área que recibió el tratamiento, muy poca radiación escapará y afectará a otros tejidos u otras personas", dice.
Además, la vida media de la radiación del Itrio-90 es cercana a las 64 horas. Eso significa que en 64 horas, la mitad de la radioactividad se deteriora a una sustancia no radioactiva. La mitad que permanece se reducirá a la mitad dentro de otras 64 horas y así sucesivamente. "Dentro de dos semanas, tienes muy poca radiación residual", explica el doctor Paz-Fumagalli. "Por esto es muy segura. Está muy altamente concentrada en el tumor, aunque no va muy lejos", agrega. "Por esa razón el cuerpo puede tolerar estas dosis de radiación muy bien".
Los doctores de Clínica Mayo realizan detalladas pruebas de imagen antes del tratamiento para asegurarse que un exceso de flujo de sangre a través de la arteria hepática no está yendo a otros órganos. Esto porque las altas dosis de radiación usadas en este nuevo tratamiento causarían un severo daño a los pulmones, estómago e intestino si es transportado más allá del hígado.
Los pacientes pueden ser candidatos para radioembolización si ellos no califican para un trasplante de hígado, cirugía u otro procedimiento denominado ablación percutánea, dicen los médicos clínicos de Mayo. Los pacientes pueden ser rechazados para uno de estas mejores opciones de tratamiento si su tumor es demasiado grande, tienen muchos tumores, no tienen una reserva suficiente de buen hígado o tienen cáncer metastásico.
Si la radioembolización no es posible o segura, otros métodos de tratamiento intra-arterial están disponibles, afirman. Una alternativa es la quimioembolización, en la cual los médicos inyectan un cóctel de quimioterapia y pequeñas partículas cerradas en las arterias del hígado. Este procedimiento, sin embargo, puede ser muy doloroso, requiere hospitalización y tiende a ser más tóxico para el tejido hepático sano.
El pronóstico para un cáncer hepático primario (carcinoma hepatocelular) es habitualmente pobre cuando la cirugía no es una opción. Para estos pacientes, la radioembolización es usada como una terapia paliativa para mejorar su calidad de vida, aumentar el tiempo de sobrevida, y en algunos casos puede ser elegida como una terapia para reducir el tamaño del tumor con el fin de preparar al paciente para un trasplante de hígado curativo.
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo