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Mais um mito derrubado?

As estatinas são seguras em pacientes com cirrose e até podem ser benéficas

06/08/2012

As Estatinas são medicamentos usados no tratamento do colesterol e na prevenção da aterosclerose, mas sempre existia contra-indicação de sua utilização em pacientes com cirrose hepática. Uma nova pesquisa mostra que as estatinas não somente são seguras para pacientes com cirrose, mas que elas também podem ser benéficas ao diminuir a possibilidade de descompensação da cirrose.

A descoberta foi relatada no evento anual "Digestive Disease Week" e, devem ajudar a dissipar o receio de que a redução da depuração hepática das estatinas poderia levar a complicações em pacientes com doença hepática avançada, como era anteriormente a hipótese, disse o investigador principal Dr. Sonal Kumar em artigo publicado no jornal on-line "GI & HEPATOLOGY NEWS".

Os resultados da pesquisa realizada com 243 pacientes com cirrose, dos quais 81 eram usuários de estatina e 162 não utilizavam estatinas, mostrou que a terapia com estatinas em pacientes com cirrose foi associado com uma diminuição do risco de descompensação hepática, um atraso na hora de descompensação, e reduziu a mortalidade, em comparação com pacientes com cirrose que não tomam estatinas.

Os pesquisadores identificaram todos os pacientes com cirrose comprovada por biópsia que tomaram estatinas por pelo menos durante 3 meses para dislipidemia. Os pacientes foram tratados no Massachusetts General Hospital e no Brigham and Women's Hospital. O estudo visava avaliar a descompensação hepática, definida como o desenvolvimento de ascite, icterícia, encefalopatia hepática, ou hemorragia das varizes, e o tempo para a descompensação. A mortalidade foi um resultado secundário. Foi utilizado um modelo de riscos proporcionais de Cox para descompensação em função da idade, Child-Pugh, diabetes, doença arterial coronariana, e carcinoma hepatocelular, e utilizada a regressão logística condicional para avaliar a mortalidade.

Nos dois grupos de pacientes, aproximadamente 70% eram Child-Pugh A e 30% eram Child-Pugh B / C. O MELD, a albumina, a presença de varizes, e uso de betabloqueadores também eram semelhantes entre os grupos.

O acompanhamento dos pacientes teve em média 1.756 dias (praticamente cinco anos) e o resultado mostrou que entre os pacientes cirróticos que utilizavam estatinas a descompensação aconteceu em 38,2% desses, contra 50,6% entre os pacientes que não faziam uso de estatinas.

A mortalidade geral foi significativamente menor no grupo que utilizava estatina, de 37,0%, que no grupo sem estatina que teve uma mortalidade de 50,6% que no grupo controle.

Informam os autores que o aparente efeito hepatoprotetor da terapia com estatinas em pacientes com cirrose pode ser em função dos efeitos hemodinâmicos e moleculares das estatinas a produção de óxido nítrico contribuindo para a diminuição da resistência hepática aumentada na cirrose.

Esclarecem os autores que o caráter retrospectivo do estudo limita as conclusões que podem ser extraídas, não podendo afirmar que todos os pacientes com doença hepática devem ter a indicação do uso de estatinas.

Concluem que a terapia com estatina é segura nesta população, pode ser benéfica para os seus efeitos no fígado, bem como para o sistema cardiovascular, e os médicos não devem hesitar em prescrevê-la para indicações apropriadas em pacientes com cirrose.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Statins Appear Safe, Even Beneficial, in Cirrhosis - BY DIANA MAHONEY (Internal Medicine News Digital Network) - GI & HEPATOLOGY NEWS July 2012 Issue - Pages 22a-22b


Carlos Varaldo
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