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Nova opção de tratamento para pacientes com cirrose biliar primaria

07/02/2012

A cirrose biliar primária é uma doença auto-imune do fígado caracterizada pela inflamação dos ductos biliares que faz com que a bile danifique o fígado. Ocorre na maioria dos casos em mulheres com idade entre 40 e 60 anos.

Atualmente, a terapia padrão para cirrose biliar primária é o ácido ursodesoxicólico ou um transplante de fígado em pacientes que evoluíram para estágio final da doença de fígado. No entanto, estudos anteriores têm mostrado que o ácido ursodesoxicólico pode ser ineficaz em até 40% dos pacientes com cirrose biliar primária e 10% podem necessitar de transplante ou morrer da doença. "Pequenos ensaios utilizando imunossupressores falharam em demonstrar benefício clínico significativo ou carregar perfis de segurança inaceitável", disse o Dr. Christopher Bowlus do UC Davis Health System da Califórnia e autor principal do estudo.

Um estudo utilizando o rituximab, um anticorpo monoclonal para o CD20 humano, mostrou-se segura em pacientes com cirrose biliar primária, que não responderam completamente ao tratamento com ácido ursodesoxicólico, também conhecida como Ursacol.

Foram incluídos seis pacientes com idades entre 18 e 65 anos de idade que foram diagnosticadas com cirrose biliar primária e apresentaram uma resposta incompleta ao ácido ursodesoxicólico apesar de 6 meses de terapia. Participantes deste estudo aberto receberam uma infusão intravenosa de 1000 mg de rituximab no dia 1 e no dia 15, com follow-up durante 52 semanas. Dois pacientes receberam somente uma dose de rituximab devido à ativação latente da varicela (catapora) em um e infecção respiratória viral em outro paciente.

Os resultados do estudo descobriram que rituximab foi seguro e bem tolerado pelos pacientes com cirrose biliar primária, sem eventos adversos graves relatados. Por 16 semanas pós-tratamento os pacientes apresentavam níveis significativamente mais baixos de imunoglobulinas IgG, IgM e IgA, que são os anticorpos normalmente presentes no sangue, mas no caso de IgM são muitas vezes elevados na cirrose biliar primária. Além disso, os anticorpos anormais contra mitocôndria (AMA), também foram reduzidos após o tratamento. No entanto, os níveis voltaram aos níveis basais em 36 semanas. Além disso, a fosfatasse alcalina diminuiu até 36 semanas pós-tratamento.

Concluem os autores que a terapia com rituximab pode melhorar clinicamente a cirrose biliar primária através de múltiplas vias que incluem a redução de anticorpos anti-mitocondriais através da depleção de células B de memória, aumenta as células T reguladoras associadas com a resposta imune, e a modulação da produção de citocinas envolvidas com a inflamação. "Outras pesquisas de estratégias de segmentação de células B são necessárias para desenvolver novas opções terapêuticas para pacientes com cirrose biliar primária ", conclui Dr. Bowlus

MEU COMENTÁRIO:

O Rituximab, comercializado com o nome de MABTHERA é um medicamento utilizado no tratamento dos linfomas não- Hodgkin.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Biochemical and Immunologic Effects of Rituximab in Primary Biliary Cirrhosis Patients with an Incomplete Response to Ursodeoxycholic Acid." Masanobu Tsuda, Yuki Moritoki, Zhe-Xiong Lian, Weici Zhang, Katsunori Yoshida, Kanji Wakabayashi, Guo-Xiang Yang, Toshio Nakatani, John Vierling, Keith Lindor, M. Eric Gershwin and Christopher L. Bowlus - Hepatology - Volume 55, Issue 2, pages 512-521, February 2012
Com informações de Charles Casey do Office of Public Affairs at UC Davis Health System.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
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