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Progressão da fibrose nas crianças com hepatite C

10/06/2013

Poucos estudos existem para avaliar a progressão da fibrose nas crianças infectadas com hepatite C que não recebem tratamento.

Um estudo retrospectivo para avaliar alterações histológicas quando da comparação de duas biópsias foi realizado por pesquisadores dos Estados Unidos.

Foram acompanhadas 44 crianças infectadas com hepatite C sem outras doenças que possam afetar o fígado que realizaram biópsias repetidas em oito centros médicos.

Todas as biópsias foram avaliadas por um único patologista para determinar a inflamação, fibrose e esteatose e os resultados foram correlacionados com os dados demográficos das crianças, a idade da criança ao realizar a biopsia, o tempo estimado de ter acontecido a infecção e os resultados de exames como o da transaminase ALT.

A via de transmissão da hepatite C aconteceu no parto em 57% das crianças e por transfusão de sangue em 39% delas. O genótipo 1 afetava a 84% das crianças.

Duas biópsias com um intervalo médio de tempo de 5,8 anos foram realizadas em cada criança, sendo a primeira aos 8,6 anos em media e a segunda na idade media de 14,5 anos.

Ao se realizar a primeira biopsia o tempo de infecção foi estimado em 7,7 anos e na realização da segunda biopsia as crianças já completavam 13,5 anos de infecção em media. Os resultados dos exames de sangue não apresentavam diferenças significativas quando da primeira ou segunda biopsia.

RESULTADOS

- A inflamação foi mínima em aproximadamente 50% das biópsias.

- 16% das crianças não desenvolveram nenhuma fibrose.

- 73% das crianças na primeira biopsia e 64% na segunda biopsia apresentavam somente fibrose mínima, limitada somente ao portal/periportal.

- A proporção de crianças com fibrose avançada ou cirrose aumento de 11% na primeira biopsia para 20% na segunda biopsia.

Concluem os autores que embora as crianças não apresentam uma progressão significativa de doença no fígado, foi observado que em um período de cinco anos 29,5% das crianças apresentam um agravamento no grau de fibrose, alertando que poderão existir implicações de longo prazo para o tempo transcorrido entre as biopsias e as decisões de tratamento.

MEU COMENTÁRIO

Os resultados do estudo auxiliam o médico na decisão de recomendar, ou não, o tratamento antiviral a uma criança.

Devemos considerar que submeter uma criança a varias e repetitivas biopsias não é o indicado, mas afortunadamente com a chegada de métodos não invasivos de biopsia por imagem, como o Fibroscan, é possível realizar avaliações do estado do fígado em menores períodos de tempo, o que auxilia grandemente o médico para poder tomar uma decisão acertada.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Evaluating progression of liver disease from repeat liver biopsies in children with chronic hepatitis C- a retrospective study - Mohan P, Barton BA, Narkewicz MR, Molleston JP, Gonzalez-Peralta RP, Rosenthal P, Murray KF, Haber B, Schwarz KB, Goodman ZD - Hepatology. 2013 May 23. doi: 10.1002/hep.26519.


Carlos Varaldo
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