006_crianca_port

O risco da transmissão da hepatite C da mãe para o filho

27/08/2007

Um estudo realizado por pesquisadores franceses sobre o risco de transmissão vertical (da mãe infectada para o filho) foi publicado na revista AIDS de agosto.

Procurando identificar os fatores de risco necessários para acontecer a transmissão o estudo incluiu 214 mulheres com hepatite C atendidas em seis hospitais entre outubro de 1998 e setembro de 2002. Do total, 45% das mulheres estavam infectadas com o vírus da hepatite C e 55% eram co-infectadas com HIV/HCV.

É sabido que a recomendação da realização do teste de detecção em crianças nascidas de mães positivas deve ser realizado quando a criança completar 18 meses de idade. Tal qual explicamos em diversos artigos na seção CRIANÇAS da nossa página, se realizado o teste antes dos 18 meses será muito provável se obter um resultado positivo, porém, pode se tratar de um falso positivo já que os anticorpos da mãe ainda se encontram presentes no sangue da criança.

Os resultados encontrados pelos pesquisadores franceses confirmam isso. Das 214 crianças nascidas de mães positivas, 12 delas (5,6%) se encontravam positivas ao se realizar o PCR com 12 meses de vida, mas 3 destas crianças se tornaram negativas ao PCR e normalizaram as transaminases quando o teste foi realizado com 18 meses de vida, resultando numa taxa de transmissão da mãe para o filho de somente 4,2% no total dos nascimentos.

Analisando os resultados separadamente foi encontrado que nas mulheres co-infectadas com HIV/AIDS e hepatite C a transmissão a criança foi maior. Seis dessas crianças permaneciam positivas aos 18 meses de vida, resultando numa possibilidade de transmissão de 13,6%. O risco de uma mãe co-infectada HIV/HCV foi três vezes superior que naquelas mães mono infectadas somente com a hepatite C.

Não foram encontradas diferenças na possibilidade de transmissão nas diversas modalidades de efetuar o parto. A mesma possibilidade de contagio existe no parto normal, na cesariana realizada após a ruptura da membrana ou nas cesarianas eletivas, independente de serem mulheres infectadas somente com a hepatite C ou co-infectadas HIV/HCV.

A carga viral também é um fator importante. Foi encontrado que mulheres com mais de 800.000 UI/ML (6 Log.) apresentam maiores possibilidades de transmissão da doença que aquelas com baixa carga viral.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
E Marine-Barjoan, A Berrebi, V Giordanengo, and others (for the ALHICE study group). HCV/HIV co-infection, HCV viral load and mode of delivery: risk factors for mother-to-child transmission of hepatitis C virus? AIDS 21(13): 1811-1815. August 20, 2007.


Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO