008_crianca_port

A transmissão da hepatite C da mãe para a criança

10/10/2005

A maioria dos estudos sobre transmissão vertical da hepatite C mostram que a infecção acontece em aproximadamente 5% das crianças, um numero baixo e por tanto não se desencoraja as mulheres infectadas a engravidar.

Tal qual na transmissão sexual, uma carga viral alta, acima de 1.000.000 de UI/ml (mães negativas não transmitem a infecção) aumenta as possibilidades de transmissão à criança. Tentar abaixar a carga viral em mulheres grávidas e extremamente perigoso, é a gravidez deve ser totalmente evitada se um dos parceiros se encontra em tratamento ou se ainda não passaram seis meses do final do tratamento, já que a ribavirina pode causar deformações genéticas ao feto.

Mães co-infectadas com o HIV/AIDS apresentam maiores possibilidades de transmitir a hepatite C. Diversos estudos encontram índices de transmissão entre 15 e 40%.

Um estudo (pequeno) colocou a suspeita que mulheres infectadas com o genótipo 1 da hepatite C teriam uma possibilidade um pouco maior de transmitir o vírus aos filhos, mas faltam novos estudos para confirmar esta suspeita já que existem estudos controversos.

Não são encontradas diferenças no índice de transmissão em função do tipo de parto. Seja parto natural ou por cesariana, os estudos não mostram diferença neste sentido.

Estudos mostram que os bebes, quando comparados a indivíduos adultos, apresentam uma maior probabilidade de eliminar espontaneamente o vírus do organismo. Estes estudos divergem na probabilidade de isto acontecer, mostrando taxas de cura espontânea entre 20 e 75%.

A realização do teste de detecção ANTI-HCV na criança somente deve ser feita quando esta completar os 18 meses de vida. Antes de isto existe a probabilidade de se obter um resultado falso-positivo devido a presencia de anticorpos da mãe no organismo da criança. Há evidencia de que a atividade das células CD4 seja mais ativa nos bebes e se suspeita que seja esta particularidade que resulta no baixo índice de transmissão vertical.

A historia natural da hepatite C em crianças infectadas pela mãe no nascimento (crianças positivas pelo PCR) foi estudada em 266 crianças (10% delas também infectadas pelo HIV/AIDS) pelo European Paediatric Hepatitis C Virus Network (Three broad modalities in the natural history of vertically acquired hepatitis C virus infection. Clin Infect Dis 41(1): 45-51, July 2005) as quais foram seguidas até completarem em media 16 anos de idade. A metade deles continuavam assintomáticos e um terço continuava apresentando resultado positivo quando testado pelo PCR, os quais eram então considerados doentes crônicos.

O único sinal clinico apresentado em somente 10% destas crianças (os que continuavam positivos no PCR aos 16 anos) era o fígado aumentado de tamanho. Este estudo confirma vários outros, mostrando que a progressão do dano no fígado em crianças e adolescentes e praticamente inexistente.

Baseados nestes fatos, de inúmeros estudos, mulheres infectadas pela hepatite C, fora do tratamento ou não o pretendendo realizar imediatamente, não devem se negar a ter filhos. Devem ser felizes tanto na gravidez como na amamentação da criança. Se por falta de sorte a criança ficar contaminada, bom, daqui a 15 ou 20 anos, quando precisar de tratamento, com certeza já teremos medicamentos totalmente eficazes e seguros para a cura de todos os infectados. Aquelas crianças que na atualidade nascem infectadas, não são a principal preocupação. Elas terão a cura assegurada antes de desenvolver danos a sua saúde.

A hepatite C e um problema para os já infectados, aqueles que se contaminaram nas décadas de 70 e 80 e que apresentam um dano hepático preocupante, caracterizado por uma fibroses significante (F2 ou superior).

Antes de decidir ficar grávida, todas as mulheres devem discutir o assunto com seu médico que trata a hepatite C e seu ginecologista, para tomar as devidas precauções.



Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


IMPORTANTE: Os artigos se encontram em ordem cronológica. O avanço do conhecimento nas pesquisas pode tornar obsoleta qualquer colocação em poucos meses. Encontrando colocações diversas que possam ser consideradas controversas sempre considerar a informação mais atual, com data de publicação mais recente.
Carlos Varaldo e o Grupo Otimismo declaram não possuir conflitos de interesse com eventuais patrocinadores das diversas atividades.
Aviso legal: As informações deste texto são meramente informativas e não podem ser consideradas nem utilizadas como indicação medica.
É permitida a utilização das informações contidas nesta mensagem desde que citada a fonte: WWW.HEPATO.COM
O Grupo Otimismo é afiliado da AIGA - ALIANÇA INDEPENDENTE DOS GRUPOS DE APOIO