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Falando sobre a cura da hepatite C

02/03/2013

Muitos pacientes se perguntam se existe a CURA da hepatite C. Para explicar isto vamos fazer uma pequena viagem pelo mundo da medicina, entendendo que praticamente nenhum medicamento cura 100% dos pacientes de qualquer doença. Isto se aplica tanto para medicamentos como para vacinas. Uma parte dos indivíduos tratados não consegue a cura ou, no caso das vacinas, não consegue imunidade.

A razão pela qual alguns pacientes conseguem vencer uma doença e outros não pode derivar de diversos fatores, desde o nível de defesas de um indivíduo, a atividade de seu sistema imune, o avanço da doença no momento do tratamento, a sua idade, o fato de sofrer de outras doenças ao mesmo tempo, até uma alimentação pobre, deficiente, que não fornece os nutrientes necessários ao organismo.

Se falarmos de câncer, e como exemplo podemos citar o câncer de mama nas mulheres ou o câncer de próstata nos homens, sabemos que ambos podem ser tratados e têm cura. No entanto, muitas pessoas não conseguem resultados e acabam morrendo. Isto não invalida afirmar que estes tipos de câncer têm cura. Ora, no caso do câncer todos concordam que existe cura e que vale a pena tentar o tratamento, assim como todos aceitam que alguns não conseguirão a cura.

A hepatite C é uma doença descoberta muito recentemente, temos apenas 23 anos de conhecimento acumulado no assunto, e isto cria muita confusão, já que alguns indivíduos, sem o devido conhecimento cientifico, levantaram inverdades sobre a doença.

Quando falamos na resposta conseguida pelo tratamento, o grande problema é o teste PCR. Até pouco tempo, somente existiam testes de PCR com pouca sensibilidade. Porém, a cada dia aparecem testes de PCR que conseguem detectar um número menor de vírus. Hoje, já estão facilmente disponíveis testes que conseguem detectar e dar um resultado como positivo se encontram míseros cinco unidades (UI) de vírus por mililitro de sangue.

O ideal seria dispor de um teste que, na presença de somente 1 vírus mostrasse um resultado positivo. No entanto, quando nos referimos à hepatite C, geralmente falamos em milhões de vírus por mililitro (em alguns casos já foi observado até um bilhão por mililitro de sangue), e assim o valor de seis UI do vírus é realmente muito pequeno.

Quando se encontram menos vírus daquele considerado como mínimo nos testes de detecção empregados ou não se encontra nenhum, o resultado do teste aparece como indetectável, palavra corretamente usada já que, restando a dúvida se existem menos vírus que a capacidade de detecção, não poderia ser usada a palavra negativo.

Seis meses depois de terminado o tratamento, para se conhecer se este alcançou um resultado sustentado, ou seja, que se manteve estável, é preciso realizar um teste de PCR. Então, por precaução, durante muitos anos usou-se o termo controle da infecção. Nos últimos dez anos, milhares de pacientes de todo o mundo conseguiram sucesso no tratamento, alcançando o ansiado resultado sustentado aos seis meses após o final do tratamento.

Mas, o que aconteceu com esses pacientes? Hoje, temos uma série de estudos que acompanham pacientes como esses para saber se o vírus voltou a replicar, ou seja, se ele voltou a ter um resultado positivo no teste de PCR.

Os resultados de diferentes estudos mostram que, após três anos do final do tratamento, entre 97 e 99% dos pacientes que apresentaram resultado sustentado aos seis meses após o tratamento continuam com o vírus indetectável. Outros estudos já acompanham pacientes com mais de 10 anos de realizado o tratamento, e o vírus continua indetectável.

Como o vírus da hepatite C é de rapidíssima replicação (um portador produz trilhões de vírus por dia), seria de se supor que, caso tivesse ficado algum vírus no organismo do paciente, já teria tido condições de se reproduzir acima do valor de detecção de 5, 50 o centenas de unidades. Isto acontece com um percentual consideravel de pacientes nos primeiros seis meses após o tratamento, porém, ao se estudar o que acontece nos que se encontram indetectáveis aos seis meses, verificou-se que menos de 2% replicaram nos 30 meses seguintes.

Com o resultado encontrado nestes estudos é que se passou a usar a palavra CURA na hepatite C, podendo-se afirmar que o vírus não se reproduz porque foi eliminado totalmente do organismo, o fígado (se não atacado por outras enfermidades) passa a se regenerar lentamente e a pessoa não transmite a infecção, pois não tem o vírus no organismo.

Os céticos e alguns portadores revoltados, porque não conseguiram sucesso no tratamento, irão contestar o uso da palavra cura, porém não podemos nos basear em casos pessoais e sim observar o que acontece com grandes grupos de tratados, com o total dos indivíduos.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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