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Diversos estudos confirmam a cura da hepatite C e os benefícios obtidos

15/12/2011

Dois estudos, um na Suécia e outro realizado entre os veteranos de guerra dos Estados Unidos comprovam que aqueles que curam a hepatite C conseguem reais benefícios na melhora da fibrose e na expectativa de vida.

A pesquisa realizada por pesquisadores da Suécia estudou a durabilidade da resposta sustentada (a cura da hepatite C) após 10 anos de acompanhamento, analisando mediante a realização de diversas biópsias no período o estágio de fibrose. Os resultados das biópsias durante o acompanhamento eram comparados com a biópsia realizada antes do tratamento com interferon e ribavirina em 41 dos pacientes incluídos no estudo, outros 39 pacientes eram avaliados utilizando o FibroScan. Durante todo o período foram realizados testes de carga viral que confirmavam que os pacientes continuavam indetectáveis.

Concluem os pesquisadores afirmando que após 10 anos da cura da hepatite C, não existindo outras condições que agridam o fígado, o estágio da fibrose melhora ao longo do tempo e, que a maioria dos pacientes não apresentou nenhuma fibrose ou apenas fibrose mínima, após 10 anos de acompanhamento.

A pesquisa realizada entre veteranos de guerra dos Estados Unidos estudou a expectativa de vida entre aqueles que obtiveram a cura com os demais grupos de infectados. Incluindo infectados com hepatite C não tratados, outros que receberam tratamento e não conseguiram sucesso, comparando com o grupo que obteve a cura da hepatite C com o tratamento com interferon peguilado e ribavirina.

Foram incluídos 1.832 pacientes com hepatite C em analise realizada que compreende o período entre julho de 1991 e setembro de 2010. Nesse total foi possível acompanhar a progressão da doença em 787 pacientes com hepatite C que não receberam tratamento; 359 pacientes que receberam tratamento, mas não conseguiram a cura; 226 pacientes que obtiveram a cura após o tratamento com interferon e ribavirina, incluindo ainda para efeito comparativo de expectativa de vida 207 pacientes atendidos no mesmo centro médico que não estavam infectados com a hepatite C.

Para analisar a mortalidade utilizando as curvas de Kaplan-Meier os pacientes foram divididos em quatro faixas de idade (menos de 35 anos, entre 35 e 45, entre 45 e 55 e, aqueles com mais de 55 anos) e foi comparada a data do diagnostico da hepatite C e a data do óbito.

Mortes por qualquer causa que não problemas derivados da hepatite C foram registrados para analisar os resultados, devido a se tratar de uma população com problemas de saúde muito diferentes aos encontrados na população em geral. Essa comparação era necessária já que no grupo 30% apresentavam doenças mentais, 15% cirrose, 41% abusavam de bebidas alcoólicas e 26% abusavam de drogas, em especial cocaína.

Dos 1.832 pacientes do estudo, 460 morreram e 1.374 foram acompanhados. Por se tratar de veteranos de guerra 96% eram do sexo masculino, sendo 65% de pele branca, 34% de pele negra e 1% de outras raças.

Concluem os pesquisadores que o tratamento com sucesso da hepatite C concede a aqueles que conseguiram a cura da doença uma expectativa de vida muito superior a aqueles não tratados ou aos que fracassaram no tratamento. Os pacientes que fracassaram ao tratamento apresentaram uma expectativa de vida similar a dos infectados não tratados.

A curva de Kaplan-Meier mostra claramente que após 20 anos do diagnostico da hepatite C, aproximadamente 70% dos pacientes curados continuavam vivos, contra aproximadamente 35% dos não tratados ou que, tratados, não obtiveram a cura.

Definitivamente está comprovado que o sucesso com o tratamento utilizando interferon e ribavirina, não somente consegue regenerar lentamente a fibrose (caso não existam outras condições que agridam o fígado), como aumenta a expectativa de vida, evitando a morte prematura.

Procurar tratar a hepatite C quanto mais precocemente possível for é o melhor a ser feito para evitar uma morte prematura!


Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:

- AASLD 2011 - Final ID: 1012 - Durability of SVR and fibrosis improvement after SOC treatment for chronic HCV - 10 years follow-up - M. Hedenstierna; 1; I. Uhnoo; 2; S. Aleman; 5; A. Fryden; 3; G. P. Norkrans; 4; A. Eilard; 4; H. Glaumann; 6; K.Cardell; 3; O. Weiland; 1.
1. Medicine, Div ID, Karolinska Institutet, Stockholm, N/A, Sweden. - 2. ID, Academical Hospital, Uppsala, N/A, Sweden. - 3. ID, University Hospital, Linköping, N/A, Sweden. - 4. ID, Sahlgrenska University Hospital, Gothenburg, N/A, Sweden. - 5. Medicine, Div Gastroenterology, Karolinska Institutet, Stockholm, N/A, Sweden. - 6. Pathology, Karolinska Institutet, Stockholm, N/A, Sweden.

- AASLD 2011 - Final ID: 431 - US military veterans with SVR have improved survival - B. Cecil; M. Lavelle. - Medicine, Robley Rex VAMC , Louisville, KY, United States.


Carlos Varaldo
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