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AASLD 2010 - Evidencias da cura definitiva da hepatite C

22/11/2010

O descobrimento do vírus da hepatite C está completando 21 anos, mas desde 1984, quando ainda se desconhecia a hepatite C e os pacientes eram identificados como com hepatite não-A-não-B que nos Estados Unidos já eram realizados ensaios clínicos no National Institutes of Health experimentando o interferon nesses pacientes, completando dessa forma 22 anos de experiência documentada.

Um estudo apresentado no AASLD 2010 (Abstract 228) e uma apresentação oral de seu coordenador, o Dr. Koh do National Institutes of Health mostrou enfaticamente que todos os que naqueles anos conseguiram a resposta sustentada, hoje considerada a cura da hepatite C, não desenvolveram câncer de fígado e todos eles tiveram melhorias no estado do fígado.

Na apresentação oral explicou que hoje em dia conhecemos muito bem os benefícios em curto prazo de quem cura a hepatite C, conseguindo evitar incapacidades relacionadas com a doença hepática ou a morte precoce, mas que somente com o passar dos anos é que podem ser avaliados os benefícios a longo prazo, tal qual já demonstraram estudos com seguimento de pacientes durante 8 e 9 anos e, agora, com este seguimento de pacientes por mais de 20 anos.

Nesta avaliação foram incluídos 103 pacientes que conseguiram a cura utilizando na época o interferon convencional alfa 2-b (Intron-A) e depois os primeiros participantes do ensaio clínico com o interferon peguilado PegIntron. Foram avaliados os marcadores de inflamação hepática, função do fígado e grau de fibrose antes dos tratamentos e comparados com os resultados conseguidos na última consulta. A partir de 2007 passou a ser avaliado o estado do fígado pelo Fibroscan nesses pacientes, não sendo mais submetidos à biopsia por agulha.

Somente três pacientes apresentaram recidiva do vírus, um 7 meses após o tratamento, e os outros 2 seis anos e meio após o tratamento. Não foi possível identificar se foi recidiva ou novas infecções, já que uma infecção anterior não causa imunidade na hepatite C. Os restantes 97% dos pacientes continua sem o vírus até a última consulta.

Dos 100 pacientes que continuam indetectáveis, 56 são homens e 44 mulheres, 88 são brancos, 4 afros descendentes e 8 asiáticos. O genótipo 1 atingia 45% dos pacientes e os genótipos 2 e 3 atingiam 53%.

Nenhum dos 100 pacientes que curaram a hepatite C morreu por causas relacionadas ao fígado nos 22 anos de acompanhamento do estudo, não houve nenhum caso de descompensação hepática e nenhum desenvolveu câncer no fígado. O Dr. Koh disse que a literatura mostra que pacientes que curam a hepatite C podem ainda ser suscetíveis a desenvolver câncer de fígado, mas que a probabilidade é muito baixa.

Dos 75 pacientes que a partir de 2006 realizaram o teste do fígado com o Fibroscan, 60% tiveram resultados de um fígado normal, 31% apresentavam uma fibrose moderada ou elevada e 9% apresentavam cirrose. Antes de serem tratados 6 pacientes apresentavam cirrose e permaneceram com resultados anormais no Fibroscan, explicando o Dr. Koh que aqueles com cirrose antes do tratamento ainda têm evidencias da mesma, mas que evitaram descompensar ou desenvolver câncer.

Mais uma vez fica claramente demonstrado que a hepatite C tem cura definitiva e que os benefícios são extraordinários.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
AASLD 2010 - Abstract 228 - Koh C, et al "Clinical, virological, biochemical outcomes after 20 years of sustained virological response (SVR) in chronic hepatitis C: The NIH experience" - Christopher Koh, Theo Heller, Vanessa Haynes-Williams, Koji Hara, Jordan Feld, Yaron Rotman, Marc G. Ghany, T. Jake Liang, - Jay H. Hoofnagle; Liver Diseases Branch, NIH-NIDDK, Bethesda,MD.


Carlos Varaldo
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