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Cura espontânea da hepatite C

12/03/2007

É comum se falar que do total de indivíduos que entram em contato com o vírus da hepatite C entre 15 e 25% conseguem eliminar o mesmo do organismo nos primeiros seis meses após o contagio. Isto é considerado como a cura espontânea da doença por uma reação normal do organismo. Os primeiros seis meses são chamados de "fase aguda" da doença e não eliminando o vírus a doença passa a ser crônica, quando somente com o tratamento antiviral poderá ser eliminado o vírus.

Poucos ou limitados estudos existem sobre a fase aguda da doença devido à dificuldade de identificar pessoas recentemente infectadas. Existem estudos que encontraram percentuais de liberação espontânea de menos de 10% e outros de quase 50%. Como possivelmente a quantidade de vírus que penetrou no organismo seja um fator importante na reação imunológica é necessário observar que tipo de população esta compreendida em cada estudo. É muito diferente aquele que foi contaminado por uma transfusão de sangue de aquele que levou uma simples perfuração da pele com uma agulha de injeção. A menor quantidade de vírus a reação do organismo em acabar com o intruso será muito mais facilitada.

Porém alguns pesquisadores acham que a fase aguda pode ser um período maior do que atualmente estimado. Um estudo publicado em 1999 (Hepatology. 1999 Mar;29(3):908-14 - Persistence of viremia and the importance of long-term follow-up after acute hepatitis C infection - Villano, S.A.) já relatava que foram observados casos de liberação espontânea do vírus até três anos após a infecção.

Um estudo realizado por pesquisadores da Austrália realizou uma revisão da literatura publicada entre os anos de 1990 e 2003 aconselha que deveria ser revisitado o conceito de "seis meses" para se considerar a fase aguda.

Os autores encontraram 31 estudos compreendendo 675 pacientes com hepatite C na fase aguda, por diversas causas de contato, o que compromete uma avaliação única. Sete estudos seguiram os pacientes por seis meses, seis estudos por doze meses e dezoito estudos por um período que variava entre 18 e 48 meses.

Não foram encontradas diferenças na liberação espontânea em relação ao genótipo ou a idade da infecção. Porém, foi observado que as mulheres apresentavam uma maior probabilidade de conseguir a cura espontânea, 40% contra 19% nos homens.

Os que apresentaram sintomas após a infecção são os que conseguiram uma maior taxa de cura espontânea, aparentemente os sintomas estão relacionados a uma resposta do sistema imunológico. A falta de sintomas pode ser considerada como uma baixa resposta do sistema imunológico.

Os autores observaram que a maioria dos casos de cura espontânea aconteceu nas primeiras 12 semanas após o contato com o vírus, mas outros estudos mostraram que o PCR positivo pode aparecer em períodos muito mais demorados, motivos pelo quais os autores aconselham que o acompanhamento dos pacientes negativos deva ser por um período mais longo.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
J Viral Hepat. 2006 Jan;13(1):34-41 - Spontaneous viral clearance following acute hepatitis C infection: a systematic review of longitudinal studies - Micallef, J.M. et al.


Carlos Varaldo
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