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Os novos tratamentos na hepatite C modificam radicalmente a historia natural da doença

17/08/2015

A hepatite C considerada uma doença crônica devido a pobre resposta terapêutica dos medicamentos a base de interferon passa a ser considerada uma doença curável com o aparecimento dos medicamentos de ação direta, orais e livres de interferon.

A cura da hepatite C não somente melhora as taxas de morbilidade e mortalidade dos infectados, mas principalmente ao eliminar o vírus no organismo elimina a possível transmissão e disseminação da doença.

O custo dos novos tratamentos em alguns países chegam a valores exorbitantes, mas estudos confirmam que os custos de um infectado não tratado serão a médio prazo superiores ao do tratamento, devido as complicações com a cirrose, o câncer de fígado e transplante de fígado.

Noventa e um países foram autorizados pelo fabricante do sofosbuvir a utilizarem genéricos fabricados por sete empresas licenciadas, onde o tratamento a um custo de 84.000 dólares nos Estados Unidos passa a ser ofertado por 900 dólares nesses países considerados pobres.

No restante do mundo os preços são diferencias em função da riqueza do país calculada pelo Produto Bruto Interno, o número de infectados e pela estruturação do sistema de saúde. No Brasil o custo do novo tratamento no sistema público de saúde foi negociado em 9.700 dólares, um valor ainda considerado alto, mas 56% menor que o custo da terapia tripla realizada com boceprevir e telaprevir. Com o desconto conseguido permite ao SUS duplicar a oferta de tratamentos, passando de 15.000 a cada ano para 30.000 tratamentos, sem a necessidade de procurar recursos para aumentar o orçamento da saúde, uma coisa impossível no momento de crises pela qual passa o país.

Mas muitos desafios ainda persistem no Brasil e no mundo. O principal será encontrar os infectados com hepatite C, campanhas de amplo alcance serão necessárias. O custo do diagnostico tardio é elevado, tanto para o sistema de saúde como para o indivíduo infectado que perde qualidade de vida. Um segundo desafio será oferecer assistência e tratamentos aos diagnosticados, sem o qual será impossível acabar com o grave problema que a epidemia hoje representa.

Um mundo sem hepatite C daqui a duas décadas é possível se existir à vontade política necessária para enfrentar esses desafios.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:


Carlos Varaldo
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