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A cura da hepatite e a melhora da fibrose do fígado

02/09/2013

O principal objetivo do tratamento da hepatite C com interferon peguilado e ribavirina é a eliminação do vírus do organismo, isto é, a cura da hepatite C. Porém curar a hepatite C não significa que o fígado ficou em estado de zero quilometro, em estado de novo, sem nenhum dano residual. Ao curar da hepatite C o fígado deixa de ser destruído pelo vírus C, mas a fibrose, cirrose ou esteatose que estava presente antes de iniciar o tratamento ainda permanece no fígado na sua maior parte.

Desde a mitologia grega que se sabe que o fígado possui um poder excelente de regeneração, mas essa regeneração não é imediata. A regeneração, se ocorrer, ela é lenta, muito lenta e depende muito da atitude do paciente. Assim como o vírus da hepatite C levou décadas para causar dano ao fígado, a regeneração também vai levar anos, isso sempre e quando não existam outros fatores ou condições que também estejam afetando o fígado.

Pode continuar prejudicando ou destruindo o fígado o paciente que passa a ingerir bebidas alcoólicas de forma rotineira, ou se existem doenças que também atuam sobre o fígado, como o diabetes, pressão alta, esteatose, hepatite B, dengue, obesidade e varias outras ou, condições ambientais com vapores tóxicos. Ante algumas dessas situações o fígado terá dificuldade em se regenerar, podendo inclusive até continuar progredindo na sua destruição, aumentando a fibrose ou a cirrose.

Um estudo espanhol que acaba de ser publicado relata o que aconteceu com a rigidez do fígado (fibrose) avaliada por elastografia (Fibroscan) em 160 pacientes infectados com hepatite C que receberam tratamento com interferon peguilado e ribavirina. No grupo estudado 111 pacientes eram coinfectados com HIV/AIDS.

Antes do tratamento todos apresentavam um resultado igual ou superior a 7 kPa pelo Fibroscan. O objetivo do estudo era observar quantos pacientes conseguiriam alguma normalização na rigidez do fígado, chegando a resultados pelo Fibroscan inferiores a 7 kPa em pelos menos duas medições consecutivas.

Os genotipos 1 e 4 foram tratados por 48 ou 72 semanas. Os genotipos 2 e 3 por 24 semanas, mas se coinfectados por 48 semanas.

A resposta sustentada (cura da hepatite C) foi obtida por 72 pacientes (46%), sendo de 55% nos monoinfectados e de 41% nos coinfectados com HIV/AIDS.

Desses 72 pacientes curados 45% apresentavam um resultado igual ou superior a 7 kPa no Fibroscan. Entre eles 17% apresentam melhoras na rigidez do fígado no período entre 1 e 2 anos após o final do tratamento, com resultados abaixo de 7 kPa.

Concluem os pesquisadores que a probabilidade de normalização da rigidez do fígado nos infectados que conseguiram a cura da hepatite C foi de 18,4% aos 12 meses após o final do tratamento e de 27,8% aos 24 meses após o final do tratamento. A regeneração do fígado é um fenômeno continuo durante e após o tratamento com interferon peguilado e ribavirina, nos pacientes que conseguem a cura, levando a crer que, a maioria, se não todos, os pacientes poderão atingir uma regeneração do fígado com o correr dos anos.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base a seguinte fonte:
Respuesta viral sostenida con interferón pegilado y ribavirina conduce a la normalización de la rigidez hepática en pacientes infectados por el virus de la hepatitis C - Juan Macías, Antonio Rivero, Celia Cifuentes, Angela Camacho, Karin Neukam, Antonio Rivero-Juárez, José A. Mira, Julián Torre-Cisneros, Jesús Gómez-Mateos, Juan A. Pineda - Enferm Infecc Microbiol Clin. 2013;31:424-9. - Vol. 31. Núm. 07. Agosto 2013 - Septiembre 2013


Carlos Varaldo


Carlos Varaldo
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