03/03/2008
Qual a diferença entre "cura" e "resposta sustentada" na hepatite C?
Afortunadamente aproximadamente a metade dos infectados com hepatite C que recebem tratamento com interferon e ribavirina conseguem a cura da doença, cura está que já e aceita como permanente.
Mas quando podemos afirmar que alguém está curado? A resposta mais simples poderia ser que a cura existe quando o vírus não se encontra mais no organismo, mas aqui enfrentamos outro problema, que é que ainda não existem testes que indiquem a presença de um único vírus no organismo (os mais sensíveis necessitam no mínimo de 5 UI/ML para poder realizar a detecção), assim, sempre ficará a duvida sobre se ainda resta algum vírus no organismo o qual algum dia possa vir a se multiplicar.
Para tal quando ao final do tratamento um paciente se encontra "negativo" ou "indetectável" ao teste, não podemos falar ainda em cura. Neste momento se fala em que o tratamento conseguiu a resposta virológica, mas para realmente saber se o tratamento obteve o sucesso de eliminar o vírus do organismo será necessário aguardar ainda seis meses, quando então será realizado um novo exame que comprove a inexistência do vírus.
Este período e necessário porque se existia uma quantidade ínfima de vírus, não detectado pelo exame ao final do tratamento, o mesmo terá se reproduzido em quantidade suficiente para ser detectado no exame final. Lamentavelmente, conforme alguns estudos, até 20% dos que terminam os tratamentos indetectáveis voltam a recidivar o vírus e o resultado final será positivo. Um choque psicológico muito grande para aqueles que consideravam estar curados.
Este exame realizado aos seis meses após o final do tratamento e chamado de "resposta sustentada" e a experiência de milhares de pacientes tratados nos últimos 10 anos permite afirmar que este resultado e considerado a "cura" da hepatite C. Cabe esclarecer que curar a hepatite C eliminando o vírus do organismo não significa que o paciente voltou a ter um fígado normal, pois o dano existente continua afetando o funcionamento do órgão e poderá levar muitos anos, até décadas, para poder vir a se recuperar da agressão. Cuidados deverão se seguidos de forma permanente para não agredir o fígado com outras doenças ou agentes como as bebidas alcoólicas.
Diversos estudos confirmam que praticamente todos os pacientes que conseguem a "cura" assim permanecem com o passar dos anos. Alguns dessas publicações podem ser consultadas seguindo as referencias citadas ao final deste artigo.
Os poucos casos em que a infecção "retorna" após o período de seis meses não permitem identificar se o fato e devido a uma nova infecção ou se realmente foi o vírus da infecção original que reapareceu. A especulação dos pesquisadores da maioria dos estudos e que os indivíduos que apresentaram uma re-infecção se enquadravam em pacientes com comportamento de risco, em especial usuários de drogas, os que os colocaria em risco de novas infecções já que na hepatite C uma infecção previa não confere imunidade.
Nas hepatites A e B a possibilidade de ser infectado e única na vida, pois uma infecção curada dessas hepatites confere imunidade, tal qual uma vacina, mas na hepatite C isso não acontece devido a se tratar de um vírus mutante com uma variedade de genótipos e subtipos muito grande. É normal até encontrar infectados com mais de um genótipo, o que demonstra que foi exposto ao vírus em diversas oportunidades.
Vemos assim, que a cada 100 pacientes que completaram o período de seis meses após o tratamento conseguindo a "cura", 1 deles volta a sofrer da doença em períodos que conforme os estudos variam em até oito anos. Por ser está uma percentagem muito pequena e que ainda pode se tratar de uma nova infecção devemos comemorar o fato da "cura" nesses pacientes.
Sei que aquela outra "metade" que não consegue a cura com o tratamento fica até desesperada, alguns deprimidos, outros revoltados e até alguns simplesmente resignados, mas aqui devemos colocar dois fatores positivos, pois durante o tempo do tratamento o fígado teve oportunidade de regenerar células hepáticas e isso significa no mínimo "ganhar" tempo, colocando o paciente num patamar mais tranqüilo em relação ao aparecimento de problemas mais graves. Também, sem ainda se conhecer o motivo e observado que a incidência de câncer de fígado em pacientes que receberam o tratamento com interferon e uma situação rara de acontecer. Parece pouco já ter conseguido esses dois benefícios? Vemos que o tratamento não foi totalmente perdido, que sempre se consegue algum beneficio.
Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base as seguintes fontes:
- A. M. Di Bisceglie; S. L. George; K. L. Mihindukulasuriya; J. Hoffmann; B. R. Bacon - Abstract 337 - 57° AASLD - Clinical, biochemical, virologic and histologic outcomes of chronic hepatitis C following sustained virologic response (SVR) to HCV therapy: a prospective 5 year cohort study.
- Swain MG, Lai M-Y, Shiffman ML, et al. Sustained virologic response (SVR) resulting from treatment with peginterferon alfa-2a (40KD) (PEGASYS) alone or in combination with ribavirin (COPEGUS) is durable and constitutes a cure: an ongoing 5-year follow-up. Digestive Disease Week; Washington, DC: 2007. Abstract 444.
- P Pradat, HL Tillmann, S Sauleda, and others. Long-term follow-up of the hepatitis C HENCORE cohort: response to therapy and occurrence of liver-related complications. Journal of Viral Hepatitis 14(8): 556-563. August 2007. Wietzke-Braun P, Manhardt LB, Rosenberger A, Uy A, Ramadori G, Mihm S.Spontaneous elimination of hepatitis C virus infection: A retrospective study on demographic, clinical, and serological correlates. World J Gastroenterol 2007 August;13(31):4224-4229
- Formann E, Steindl-Munda P, Hofer H, et al. Long-term follow-up of chronic hepatitis C patients with sustained virological response to various forms of interferon-based anti-viral therapy. Aliment Pharmacol Ther. 2006;23:507-511.
- M.G. Swain, M-Y. Lai, M.L. Shiffman, W.G.E. Cooksle), A. Abergel, A. Lin, E. Connel), M. Diago - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 46, April 2006, page S3 - DURABLE SUSTAINED VIROLOGICAL RESPONSE AFTER TREATMENT WITH PEGINTERFERON -2a (PEGASYS®) ALONE OR IN COMBINATION WITH RIBAVIRIN (COPEGUS®): 5-YEAR FOLLOW-UP AND THE CRITERIA OF A CURE
- Lau DT, Kleiner DE, Ghany MG, Park Y, Schmid P, Hoofnagle JH. 10-year follow-up after interferon-a therapy for chronic hepatitis C. Hepatology. 1998;28:1121-1127.
- Desmond CP, Roberts SK, Dudley F, et al. Sustained virological response rates and durability of the response to interferon-based therapies in hepatitis C patients treated in the clinical setting. J Viral Hepat. 2006;13:311-315.
- Marcellin P, Boyer N, Gervais A, et al. Long-term histologic improvement and loss of detectable intrahepatic HCV RNA in patients with chronic hepatitis C and sustained response to interferon-alfa therapy. Ann Intern Med. 1997;127:875-881.
- Backmund M, Meyer K, Edlin BR. Infrequent reinfection after successful treatment for hepatitis C virus infection in injection drug users. Clin Infect Dis. 2004;39:1540-1543.
- Veldt BJ, Saracco G, Boyer N, et al. Long term clinical outcome of chronic hepatitis C patients with sustained virological response to interferon monotherapy. Gut. 2004;53:1504-1508.
- Soriano V, Maida I, Nunez M, et al. Long-term follow-up of HIV-infected patients with chronic hepatitis C virus infection treated with interferon-based therapies. Antivir Ther. 2004;9:987-992.
- McHutchison JG, Poynard T, Esteban-Mur R, et al. Hepatic HCV RNA before and after treatment with interferon alone or combined with ribavirin. Hepatology. 2002;35:688-693.
- Reichard O, Glaumann H, Fryden A, Norkrans G, Wejstal R, Weiland O. Long-term follow-up of chronic hepatitis C patients with sustained virological response to alpha-interferon. J Hepatol. 1999;30:783-787.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
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GRUPO OPTIMISMO DE AYUDA AL PORTADOR DE HEPATITIS
ONG - Registro n°.: 176.655 - RCPJ-RJ - CNPJ: 06.294.240/0001-22 Rio de Janeiro - Brasil
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e-mail: hepato@hepato.com Internet: www.hepato.com |
03/03/2008
¿Cuál es la diferencia entre "cura" y "respuesta sostenida" en la hepatitis C?
Venturosamente aproximadamente la mitad de los infectados con hepatitis C que reciben tratamiento con interferón y ribavirina logran la cura de la enfermedad, cura está que ya es aceptada como permanente.
¿Pero cuándo podemos afirmar qué uno está curado? La respuesta más simple podría ser que la cura existe cuando el virus no se encuentra más en el organismo, pero aquí enfrentamos otro problema, que es que aún no existen pruebas que indiquen la presencia de un único virus en el organismo (los más sensibles necesitan por lo menos de 5 UI/ml para poder realizar la detección), así, siempre quedará a duda sobre si aún resta algún virus en el organismo el cual algún día pueda venir a se reproducir.
Para tal cuando al final del tratamiento un paciente se encuentra "negativo" o "indetectable" a la prueba, no podemos hablar aún en cura. En este momento se habla en que el tratamiento logró la respuesta virológica, pero para realmente saber si el tratamiento obtuvo el éxito de eliminar el virus del organismo será necesario aguardar aún seis meses, cuando entonces será realizado un nuevo examen que compruebe la inexistencia del virus.
Este período es necesario porque si existía una cantidad ínfima de virus, no detectado por el examen al final del tratamiento, el mismo se habrá reproducido en cantidad suficiente para ser detectado en el examen final. Lamentablemente, conforme algunos estudios, hasta 20% de los que terminan los tratamientos no detectables vuelven a recidivar el virus y el resultado final será positivo. Un choque psicológico muy grande para aquéllos que consideraban estar curados.
Este examen realizado a los seis meses después del final del tratamiento es llamado de "respuesta sostenida" y la experiencia de millares de pacientes tratados en los últimos 10 años permite afirmar que este resultado es considerado la "cura" de la hepatitis C. Cabe aclarar que curar la hepatitis C eliminando el virus del organismo no significa que el paciente volvió a tener un hígado normal, pues el daño existente continúa afectando el funcionamiento del órgano y podrá llevar muchos años, hasta décadas, para poder venir a si recuperar de la agresión. Cuidados deberán se seguidos de forma permanente para no agredir el hígado con otras enfermedades o agentes como las bebidas alcohólicas.
Diversos estudios confirman que prácticamente todos los pacientes que consiguen la "cura" así permanecen a lo largo de los años. Algunas de esas publicaciones pueden ser consultadas siguiendo las referencias citadas al final de este artículo.
Los pocos casos en los que la infección "retorna" después del período de seis meses no permiten identificar si el hecho es debido a una nueva infección o si realmente fue el virus de la infección original que reapareció. La especulación de los investigadores de la mayoría de los estudios es que los individuos que presentaron una re-infección se encuadraban en pacientes con comportamiento de riesgo, en especial usuarios de drogas, los que los colocaría en riesgo de nuevas infecciones ya que en la hepatitis C una infección anterior no confiere inmunidad.
En las hepatitis A y B la posibilidad de ser infectado es única en la vida, pues una infección curada de ésas hepatitis confiere inmunidad, tal cual una vacuna, pero en la hepatitis C eso no acontece debido a tratarse de un virus mutante con una variedad de genotipos y subtipos muy grande. Es normal hasta encontrar infectados con más de un genotipo, lo que demuestra que fue expuesto al virus en diversas oportunidades.
Vemos así, que a cada 100 pacientes que completaron el período de seis meses después del tratamiento logrando la "cura", 1 de ellos vuelve a sufrir de la enfermedad en períodos que conforme los estudios varían en hasta ocho años. Por ser está un porcentaje muy pequeña y que aún puede se tratar de una nueva infección debemos conmemorar el hecho de la "cura" en esos pacientes.
Sé que aquélla otra "mitad" que no logra la cura con el tratamiento se queda hasta desesperada, algunos deprimidos, otros con rabia y hasta algunos simplemente resignados, pero aquí debemos colocar dos factores positivos, pues durante el tiempo del tratamiento el hígado tuvo oportunidad de regenerar células hepáticas y eso significa por lo menos "ganar" tiempo, colocando el paciente en un nivel más tranquilo con relación al aparecimiento de problemas más graves. También, sin todavía se conocer el motivo es observado que la incidencia de cáncer de hígado en pacientes que recibieron el tratamiento con interferón es una situación rara de acontecer. ¿Parece poco ya haber logrado ésos dos beneficios? Vemos que el tratamiento no fue totalmente perdido, que siempre se consigue algún beneficio.
Este artículo fue redactado con comentarios e interpretación personal de su autor, tomando como base las siguientes fuentes:
- A. M. Di Bisceglie; S. L. George; K. L. Mihindukulasuriya; J. Hoffmann; B. R. Bacon - Abstract 337 - 57° AASLD - Clinical, biochemical, virologic and histologic outcomes of chronic hepatitis C following sustained virologic response (SVR) to HCV therapy: a prospective 5 year cohort study.
- Swain MG, Lai M-Y, Shiffman ML, et al. Sustained virologic response (SVR) resulting from treatment with peginterferon alfa-2a (40KD) (PEGASYS) alone or in combination with ribavirin (COPEGUS) is durable and constitutes a cure: an ongoing 5-year follow-up. Digestive Disease Week; Washington, DC: 2007. Abstract 444.
- P Pradat, HL Tillmann, S Sauleda, and others. Long-term follow-up of the hepatitis C HENCORE cohort: response to therapy and occurrence of liver-related complications. Journal of Viral Hepatitis 14(8): 556-563. August 2007. Wietzke-Braun P, Manhardt LB, Rosenberger A, Uy A, Ramadori G, Mihm S.Spontaneous elimination of hepatitis C virus infection: A retrospective study on demographic, clinical, and serological correlates. World J Gastroenterol 2007 August;13(31):4224-4229
- Formann E, Steindl-Munda P, Hofer H, et al. Long-term follow-up of chronic hepatitis C patients with sustained virological response to various forms of interferon-based anti-viral therapy. Aliment Pharmacol Ther. 2006;23:507-511.
- M.G. Swain, M-Y. Lai, M.L. Shiffman, W.G.E. Cooksle), A. Abergel, A. Lin, E. Connel), M. Diago - Journal of Hepatology, Supplement No 1, Volume 46, April 2006, page S3 - DURABLE SUSTAINED VIROLOGICAL RESPONSE AFTER TREATMENT WITH PEGINTERFERON -2a (PEGASYS®) ALONE OR IN COMBINATION WITH RIBAVIRIN (COPEGUS®): 5-YEAR FOLLOW-UP AND THE CRITERIA OF A CURE
- Lau DT, Kleiner DE, Ghany MG, Park Y, Schmid P, Hoofnagle JH. 10-year follow-up after interferon-a therapy for chronic hepatitis C. Hepatology. 1998;28:1121-1127.
- Desmond CP, Roberts SK, Dudley F, et al. Sustained virological response rates and durability of the response to interferon-based therapies in hepatitis C patients treated in the clinical setting. J Viral Hepat. 2006;13:311-315.
- Marcellin P, Boyer N, Gervais A, et al. Long-term histologic improvement and loss of detectable intrahepatic HCV RNA in patients with chronic hepatitis C and sustained response to interferon-alfa therapy. Ann Intern Med. 1997;127:875-881.
- Backmund M, Meyer K, Edlin BR. Infrequent reinfection after successful treatment for hepatitis C virus infection in injection drug users. Clin Infect Dis. 2004;39:1540-1543.
- Veldt BJ, Saracco G, Boyer N, et al. Long term clinical outcome of chronic hepatitis C patients with sustained virological response to interferon monotherapy. Gut. 2004;53:1504-1508.
- Soriano V, Maida I, Nunez M, et al. Long-term follow-up of HIV-infected patients with chronic hepatitis C virus infection treated with interferon-based therapies. Antivir Ther. 2004;9:987-992.
- McHutchison JG, Poynard T, Esteban-Mur R, et al. Hepatic HCV RNA before and after treatment with interferon alone or combined with ribavirin. Hepatology. 2002;35:688-693.
- Reichard O, Glaumann H, Fryden A, Norkrans G, Wejstal R, Weiland O. Long-term follow-up of chronic hepatitis C patients with sustained virological response to alpha-interferon. J Hepatol. 1999;30:783-787.
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo