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Pobres pacientes!

04/09/2006

Estudo realizado nos Estados Unidos por uma equipe comandada pelo Dr. J.K. Lim (M1236. Digestive Disease Week 2005. May 14-18, 2005) no qual foram entrevistados 251 médicos residentes de atenção primaria de oito centros médicos revelou dados alarmantes sobre o conhecimento da hepatite C.

Os resultados mostram que somente 36,7% dos médicos tinham solicitado a realização de um PCR para confirmar um resultado ANTI-HCV positivo; que somente 36,7% dos médicos tinham solicitado o exame de genotipagem para os pacientes com PCR positivo; que 61,4% deles aconselharam pacientes com hepatite C a aplicar a vacina da hepatite A e, somente 36,7% recomendaram a vacinação contra a hepatite B.

Ainda, somente 59,8% dos pacientes com antecedentes de ter recebido uma transfusão de sangue receberam a indicação de testar a hepatite C e somente 26,7% de pacientes que informavam utilizar cocaína inalada receberam a indicação de realizar a testagem.

O mais preocupante dos resultados e que 20,3% dos médicos residentes informaram que eles tinham vacinado seus pacientes contra a hepatite C (vacina esta que não existe).

Concluindo, os pesquisadores alertam sobre o baixo nível de conhecimento dos médicos residentes em relação à hepatite C.

Considero o resultado desta pesquisa muito importante devendo servir de alerta aos responsáveis pela saúde da população já que a maioria dos infectados com a hepatite C ainda não foram diagnosticados sendo que para que isso possa acontecer será necessário que os médicos de atenção primaria tenham uma melhor formação e conhecimento em relação à doença.


SEGUNDO EXEMPLO

Um outro estudo pesquisou o impacto positivo que a divulgação da doença e dos conhecimentos da hepatite C poderá ter na atenção aos infectados pela doença quando atendidos por um médico de atenção primaria. O estudo foi realizado por uma equipe coordenada pelo Dr. A. Daniel e apresentada como pôster no DDW-2006 (abstract T1048 - “The Positive Impact of a Multi-Faceted Educational Intervention on Physician Knowledge and the Actual Practice of Primary Care Physicians Regarding Hepatitis C).

O resultado também foi alarmante. Somente 1% dos pacientes que procuram um posto de atenção primaria (postos de saúde) tinha sido perguntado sobre a possibilidade de o paciente fazer parte de uma população com risco de estar infectado com a hepatite C, como o fato de ter recebido transfusão, usar drogas injetáveis, etc. e, que somente 16% dos testes de detecção solicitados tinham como base qualquer um dos fatores de risco de infecção.

Também foi constatado que uma elevada proporção deles desconhecia os fatores de risco de transmissão, os testes necessários para diagnosticar a hepatite C e a eficácia do tratamento. 62% dos médicos não tinha sequer solicitado um único teste de detecção nos últimos 12 meses e somente 56% informaram ter solicitado a testagem a pacientes de alto risco. Somente 42% dos médicos de atenção primaria tinham conhecimento da eficácia do tratamento.

Na pratica profissional foi observado que somente 0,4% dos pacientes foram perguntados sobre possíveis fatores de risco. Em 0,1% dos pacientes foi reconhecido algum fator de risco e no total de atendimentos o teste de detecção da hepatite C somente foi solicitado a 0,1% dos pacientes atendidos.

A partir desta constatação foi aplicado em 30 destes médicos um trabalho com duração de oito semanas se utilizando material educativo, gráficos, mensagens de correio eletrônico semanais, duas palestras informativas e a publicação de artigos em duas revistas medicas. Um outro grupo de médico, utilizado como grupo controle não recebeu nenhuma informação durante o mesmo período.

Na entrevista previa foi constatado que os médicos de atenção primaria não tinham a devida confiança profissional para diagnosticar ou aconselhar (menos ainda tratar) pacientes de hepatite C. Ao final das oito semanas foi aplicado o mesmo questionário anterior sendo constatado uma melhora em relação ao conhecimento dos médicos em relação a identificar fatores de risco de infecção. Foi observado que a confiança profissional tinha aumentado na relação com os pacientes e que a qualidade da informação fornecida era adequada.

Durante o período das oito semanas do estudo o numero de diagnósticos foi cinco vezes superior. Após as oito semanas 80% dos médicos realizavam o teste de detecção, contra 0,1% antes do treinamento.

Concluem os autores que em oito semanas de educação e informação sobre a hepatite C os médicos residentes de atenção primaria conseguem modificar sua conduta perante os pacientes melhorando a pratica profissional.


MEU COMENTÁRIO:

Os dois estudos acima foram realizados nos Estados Unidos e mostram que num país onde a medicina e avançada o desconhecimento dos médicos de atenção primaria em relação à hepatite C e praticamente total. Nem sequer podemos imaginar o que acontece nos países do chamado terceiro mundo, onde os governos escondem e censuram toda e qualquer informação sobre a hepatite C.

O resultado ao comparar estes dois estudos nos leva a conclusão que sociedades médicas, associações de pacientes e fabricantes de medicamentos devem centrar a divulgação de informações nos médicos de atenção primaria, os fornecendo de informações sobre a doença e sobre a necessidade de solicitar o teste de detecção a todos aqueles que podem ser considerados num dos grupos de risco de infecção com a hepatite C.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
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