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A importância dos exames de sangue na hepatite C

01/08/2005

É comum que ao se solicitar exames de transaminases se fale em "testes de função hepática". O termo é incorreto, pois as transaminases não refletem o grau de deterioração que possa existir no fígado. Resultados elevados de transaminases mostram que as células do fígado estão sendo destruídas, mas não indicam o dano existente no órgão.

Em geral na fase aguda das doenças as transaminases são elevadas, não significando que existam problemas no funcionamento do órgão e quando a doença se encontra na fase crônica as transaminases em geral ficam muito pouco alteradas, mas o órgão pode estar altamente comprometido. Assim, não será por um simples exame de transaminases que o médico vai poder avaliar o estado do fígado de seu pacientes. Muitos outros exames serão necessários para um diagnostico correto.

Por exemplo, a elevação da fosfatasse alcalina e da transaminase GGT pode indicar uma doença colestática, com obstrução dos tubos da bílis ou da arvore biliar.

O nível de albumina e o tempo de protombina seriam mais corretos de ser chamados de "testes de função hepática" pois eles medem proteínas fabricadas pelo fígado e anormalidades nestes resultados em geral indicam um dano elevado da função hepática.

A transaminase TGP (também conhecida pelas siglas GPT ou ALAT ou ALT ou SGPT) e o exame de sangue mais solicitado em pacientes com hepatite C, mas o seu nível não tem correlação com o grau de gravidade da doença. Entre 20 e 30% dos infectados com a hepatite C que desenvolvem sérios danos no fígado, até cirroses, apresentam transaminases normais.

A carga viral ou PCR QUANTITATIVO e um teste que mostra a quantidade de partículas virais existentes em um mililitro de sangue. É um exame muito importante para se determinar a gravidade da doença na hepatite B e na AIDS, mas não tem nenhuma significância nos infectados pela hepatite C, servindo tão somente como um elemento prognostico da provável resposta ao tratamento. A carga viral não indica maior ou menor agressividade do vírus assim como não indica maior ou menor dano no fígado e nem sequer serve para se realizar um prognostico da futura evolução da doença. Realizar PCRs de forma rotineira em infectados pela hepatite C fora de tratamento e um desperdício de dinheiro que só serve para criar ansiedade desnecessária no paciente.

O teste de carga viral somente deve ser feito na semana anterior ao inicio do tratamento e repetido na semana 12. Comparando estes dois resultados o médico vai poder avaliar se é necessário dar continuidade ou se interromper o tratamento. É sabido que um paciente com carga viral acima de 850.000 UI/ML tem possibilidades inferiores de resposta terapêutica.

Muitos outros testes são frequentemente solicitados aos infectados pela hepatite C, entre eles a alfa-feto-proteina que é um marcador de câncer no fígado, mas que deve ser avaliado criteriosamente, pois em pacientes com hepatite C pode dar resultados elevados sem estar na presencia de câncer no fígado. Ante um resultado elevado deve ser realizado um rígido seguimento.

Os marcadores de doenças autoimunes podem estar presentes em até 25% dos infectados com a hepatite C, sem necessariamente existir qualquer doença auto-imune. Estes exames incluem os anticorpos anti-nuclear, anticorpo de músculo-liso, anticorpos anti-mitocondrial ou anticorpos da tiróide. A presencia destes anticorpos não parece influenciar a progressão da hepatite C.

A interpretação adequada dos resultados de todo os exames e muito importante para poder avaliar a real situação da doença. Infelizmente todos os testes sanguíneos são incapazes de indicar com precisão a fase em que se encontra a infecção ou a progressão da doença.

Então, a pesar de todos os testes de laboratórios, somente com a realização de uma biopsia do fígado e que realmente poderá se saber qual e a real situação do fígado, qual o grau de fibroses, de atividade inflamatória, de presencia de esteatoses, ferro, cobre, etc., e somente com a biopsia e que o médico poderá tomar a correta decisão sobre qual e a melhor estratégia a ser seguida.



Carlos Varaldo
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