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Alimentação na cirrose hepática

28/09/2009

Por Pascual Martínez *

A cirrose hepática é uma hepatopatía de caráter crônico que pode ter uma etiologia variada e que cursa com astenia, anorexia, náuseas, flatulenciia, má digestão, constipação, diarréia e má absorção de nutrientes. Também podem aparecer complicações como ascite, varizes esofágicas, encefalopatia que deverão seguir um controle médico.


Recomendações nutricionais básicas:

- Evitar bebidas alcoólicas, o café, os alimentos fritos, os alimentos gordurosos (embutidos, vísceras animais), lácteos integrais (preferir os desnatados).

- Evitar a constipação.

- Diminuir o consumo de proteína animal e aumentar o consumo de proteínas de origem vegetal.

- Aumentar o consumo de alimentos frescos, como frutas e verduras.

- Potencializar os alimentos que favorecem a função do fígado (endívia, escarola, aipo, rabanetes, alcachofra, cenoura, nabo).

A partir daqui o mais importante, a nível nutricional, será tratar as manifestações que apresente o doente, quer dizer: No caso de apresentar diarréias, realizar uma dieta adstringente com líquidos (em pequenas quantidades) para repor as perdas e com alimentos sólidos, como o arroz cozido e cenoura; tomá-los em comidas leves distribuidas durante o dia (1º e 2º dia). À medida que os sintomas melhoram, alem do arroz, acrescentar pequenas quantidades de frango ou peixe e um pouco de pão torrado (3 e 4º dia). A partir de então, e de forma gradual, introduzir sopas, sêmolas e caldos suaves, batatas e verduras fervidas, em pouca quantidade, também carne e peixe, e incluir algumas colheradas de yogurt natural sem açucar. Observar se existem mudanças, para voltar de forma paulatina à dieta habitual.

Em caso de constipação (prisão de ventre), deveríamos aumentar o consumo de fruta fresca e madura no café da manhã, entre horas, por seu grande contribuação de fibra solúvel (pectina) e água. Aumentar o consumo de verduras e hortaliças, iogurte ou kéfir, para melhorar a flora intestinal, diminuindo o consumo de produtos de padaria e confeitaria. Consumir arroz e massas integrais, evitando a utilização de laxantes.

O consumo de proteínas, se não existirem problemas, deveria ser o habitual (0,8 até1 gr de proteína por kg de peso), sempre tendo em conta tomar mais proteína de origem vegetal: como os legumes (grão-de-bico, lentilhas, feijões, soja, feijão), de origem animal consumir preferentemente pescados, reduzindo o consumo de proteínas de carnes de animais a 1 ou 2 vezes por semana.

Os laticinios melhor os desnatados; quanto aos queijos, evitar os secos e muito curados, assim como a creme de leite. No caso de que existisse algum problema de intolerância à lactose ou à caseína, para poder suprir a perda de cálcio, é recomendável o consumo de uma colher de sopa ao dia de sementes de gergelim, já que seu conteúdo em cálcio é parecido ao do leite, e aumentar o consumo de alimentos como espinafres, amêndoas, agriões, sardinhas, grãos-de-bico, lentilhas, alho-porro, cebola, anchovas, acelgas e brócolis que contêm quantidades importantes de cálcio.

No caso de existir ascite, deveria seguir uma dieta com baixo conteúdo de sódio, diminuindo o consumo de sal e aumentando o de condimentos, como a salsinha, a pimenta, o orégano, açafrão etc., para melhorar o sabor dos pratos que preparemos; estar doente não significa não poder desfrutar da comida.

Se a doença está avançada, a dieta deverá suprir as carências que se apresentem; a mais habitual é o déficit de vitaminas lipossolúveis (vitaminas A. D. K. E), em cujo caso deveremos aumentar o consumo de sardinhas e peixes como o salmão para suprir a vitamina D (essencial para fixar o cálcio nos ossos), consumir brotos de verduras em especial de alfafa por seu conteúdo em vitamina K (vitamina necessária para a coagulação), aumentar o consumo de frutas e verduras de cor alaranjado-amareladas e de folhas verdes por seu conteúdo em beta-caroteno, que no organismo se transforma em vitamina A, e consumir cereais integrais, avelãs e nozes não tostadas, junto com azeites vegetais como o de oliva e linho por sua contribuição de vitamina E.

Se a pessoa apresentar obesidade, problemas de litíases biliar, hipertensão portal ou encefalopatia a dieta deveria ser adaptada pelo médico de forma individual.

Em qualquer caso, sempre e necessário consultar e comentar com seu hepatologista ou gastroenterologista sobre a dieta que está sendo seguida.

* Pascual Martínez
Dietista nutricionista (Miembro de la Asociación Española de Dietistas Nutricionistas)
Naturopatía- Acupuntura-Flores de Bach
Kinesiologia - Par biomagnético

Articulo original publicado pela Associació Catalana de Malalts d'Hepatitis (ASSCAT)
Tradução: Carlos Varaldo


MEU COMENTÁRIO PESSOAL:

Este artigo poderá confundir em relação ao consumo de café, pois existem estudos que comprovam que o café ajuda a diminuir a progressão das doenças hepáticas.

Mas o presente artigo está se referindo a pessoas com cirrose e que já apresentam pouca capacidade em processar aquilo que ingerem, motivo pelo qual devem tomar cuidados especiais.

Carlos Varaldo
www.hepato.com
hepato@hepato.com


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