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Pernas "pesadas" na hepatite C - Neuropatia periférica

07/05/2007

Um número considerável de portadores de hepatite C relata sentir um cansaço grande nas pernas, em geral reclamam que as pernas estão "pesadas". Neste artigo tentarei explicar o conhecimento atual desta condição extra-hepática, conhecida como "neuropatia periférica", que muito prejudica a qualidade de vida de um em cada seis infectados com a hepatite C.

A neuropatia periférica ataca os nervos das pernas e dos braços, sendo uma conseqüência comum nos diabéticos. Nos infectados com a hepatite C não se conhece ainda corretamente porque ela acontece. Até recentemente se acreditava que a neuropatia periférica estava associada ao aparecimento da crioglobulinemia derivada da infecção pelo vírus da hepatite C, porém estudos recentes contradizem esta afirmação.

Um estudo italiano realizado em sete centros médicos com 234 pacientes infectados com a hepatite C ainda virgens de tratamento, os quais não apresentavam quaisquer outras causas prováveis para a neuropatia periférica, como diabetes, consumo de álcool, insuficiência renal, avitaminose (carência de vitaminas), transtornos da tiróide, neoplasias (câncer) ou presença de agentes tóxicos.

A crioglobulinemia foi detectada em 29,3% dos pacientes do estudo. No total dos pacientes 15,3% foram diagnosticados com a neuropatia periférica (10,6% pelos sintomas e 4,7% na forma subclínica). A neuropatia periférica foi encontrada em 21% dos pacientes que apresentavam crioglobulinemia e em 13% dos que não apresentavam crioglobulinemia.

A associação de crioglobulinemia junto com a neuropatia periférica era encontrada nos pacientes de maior idade. Não foi encontrada nenhuma relação entre o nível da carga viral e a presencia da neuropatia periférica.

Os autores concluem que a neuropatia periférica em indivíduos infectados com a hepatite C e mais alta daquilo estimado até o presente momento, independente de o paciente sofrer de crioglobulinemia. Diversos estudos estimam que a neuropatia periférica seja encontrada entre 2,4 e 8% da população em geral. Os autores encontraram que entre os infectados com a hepatite C a neuropatia periférica afeta 15,3% dos pacientes.

Entre os sintomas mais freqüentes da neuropatia periférica (sentidos em pernas e braços com maior intensidade durante a noite) temos a sensação de dormência, formigamento, dor (sensação de "queimação" ou "descarga elétrica"), câimbras e, até falta de coordenação ou equilíbrio. Apresentar sintomas não é um sinal que a doença esteja em progressão. Em muitos casos ela se mantém estável.

O diagnostico e realizado em geral pelos sintomas físicos, mas em muitas pessoas a neuropatia periférica não apresenta sintomas, dificultando o diagnostico. O medico vai observar atentamente o pé do paciente procurando sinais específicos da doença, tais como lesões cutâneas, problemas de circulação e sensibilidade. Exames específicos, realizados por médicos neurologistas poderão ser solicitados para avaliar a extensão do dano existente nos nervos.

O tratamento da neuropatia periférica consiste no controle dos sintomas mediante a utilização de medicamentos específicos para cada sintoma. Tanto o tratamento como a evolução final dependem da causa desta. O tratamento alternativo mais utilizado e a acupuntura. Em alguns casos a fisioterapia reduz a intensidade dos espasmos ou da debilidade.

O tratamento da hepatite C com interferon demonstrou ser eficaz no tratamento da crioglobulinemia, mas no caso da neuropatia periférica os resultados são contraditórios, existindo casos em que o interferon piora o quadro, exacerbando os sintomas da neuropatia periférica preexistente ao tratamento da hepatite C.

Os pacientes devem prestar atenção especial a mudanças e sensações em pernas e pés. A perda de sensibilidade deve ser imediata comunicada ao medico. Podem acontecer ferimentos e chagas que passem despercebidos por culpa da perda de sensibilidade e assim se infeccionar.

Indivíduos com neuropatia periférica devem ajudar o organismo a manter a correta circulação sanguínea nas pernas. Para tal realizem caminhadas diárias, não cruze as pernas por períodos prolongados, duas ou três vezes por dia mantenha as pernas em um nível superior ao corpo (deitado coloque almofadas para levantar as pernas). Evite o cigarro e não ingira bebidas alcoólicas, estes são dois fatores que agravam o problema. Permanecer numa piscina alivia os sintomas. Se acordar de noite por ter sensação de frio nos pés, use medias ao dormir, não é romântico nem sexualmente erótico, mas é a única solução para não acordar durante o sono.

Este artigo foi redigido com comentários e interpretação pessoal de seu autor, tomando como base, entre outras, a seguinte fonte:
Santoro, L. Prevalence and characteristics of peripheral neuropathy in hepatitis C population. J Neurosurg Psychiatry 2006;77:626-629


Carlos Varaldo
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