05/03/2007
MEU COMENTÁRIO:
Estou iniciando pelo comentário, o colocando antes do artigo para explicar que fiz a tradução do artigo a seguir não somente porque ele desvenda em parte o grande mistério das dores musculares e nas articulações relatadas por um alto número de portadores de hepatite C, como também serve para de mostrar como a doença pode afetar a capacidade de trabalho dos infectados.
É normal o paciente ouvir do médico que "tudo não passa da sua imaginação, que é tudo somatização". Este tipo de médico acha que hepatite C é somente um vírus dentro do fígado e que o restante não tem a menor importância. Não enxergam que do outro lado da mesa existe um ser humano que tem família, amigos, trabalho e problemas físicos, clínicos ou emocionais, simplesmente olham para uma amostra de sangue contendo um vírus, que deve ficar quieta, calada, sem poder perguntar ou opinar, sendo obediente a tudo aquilo que o ser superior determinar. Afortunadamente, também existem médicos humanos, que escutam e atendem o paciente de forma digna.
Este artigo e mais um exemplo que demonstra que avaliar a capacidade laborativa de um paciente hepatopata utilizando somente o índice MELD e um embuste total, uma falta de respeito para com o paciente, uma forma de emitir um laudo "falso" em relação à capacidade laborativa do individuo.
Lamentavelmente aqueles que imaginaram que o MELD poderia ser utilizado para avaliar a capacidade laborativa de alguém com hepatopatia grave não querem aceitar que erraram feio, continuando a impedir que aqueles que poderiam aceder aos benefícios outorgados por lei continuem sem os poder usufruir.
Este artigo foge da nossa linha editorial. Evitamos falar em medicamentos para evitar a automedicação, mas a tradução do artigo da Dra. Liz Highleyman foi realizada de forma literal e integral, tentando assim auxiliar os médicos sobre terapias que poderiam ser utilizadas para minorar o sofrimento dos acometidos pela hepatite C.
Carlos Varaldo
Grupo Otimismo
Doenças Reumáticas em Pessoas com Hepatite C
Fonte: Liz Highleyman
Tradução literal de Carlos Varaldo - Grupo Otimismo
É conhecido que o vírus da hepatite C (HCV) pode derivar em doenças hepáticas avançadas, mas não todas as doenças associadas à hepatite C crônica afetam ao fígado. Os transtornos reumáticos são algumas das manifestações extra-hepáticas (fora do fígado) que podem sofrer os infectados com a hepatite C. Embora se desconheça a causa exata que os provoca, estas afecções parecem proceder de uma anomalia da resposta autoimune, na qual o sistema imunológico ataca os órgãos e tecidos do próprio organismo. Embora não é possível prognosticar quem vai padecer doenças reumáticas derivadas do HCV, estas são mais freqüentes nas mulheres que nos homens, e parecem ter um componente genético importante.
Artrite Derivada da hepatite C
A artrite é provavelmente o transtorno reumático mais comum nas pessoas HCV positivas, afetando a uma proporção entre o 10% e 50% segundo diversos estudos. A artrite derivada do HCV é similar à artrite reumatoide (AR), uma doença crônica na que o sistema imune danifica a membrana sinovial que rodeia as articulações. Os sintomas aparecem nas articulações dos dedos, pulsos, pés e tornozelos em ambos os lados do corpo, e consistem em dor, inflamação e rigidez, especialmente pela manhã. Com o passar do tempo, as células inflamadas liberam enzimas que danificam os ossos e cartilagens, o que provoca dor crônica, deformidades e perdida de mobilidade. A artrite reumatoide também pode comprometer à pele, os nervos, os pulmões e o coração.
A maior parte dos afetados mostra elevações de um grupo de anticorpos que anteriormente se denominava fator reumatoide, mas isso não sempre acontece durante as primeiras etapas da doença. Além disso, e normal observar-se um aumento na velocidade de sedimentação globular (VSG) e na proteína C reativa, dois marcadores biológicos de inflamação. A artrite derivada do HCV se diferencia da artrite reumatoide clássica por ser mais leve e menos capaz de provocar erosão óssea e deformidades. Pode afetar a múltiplas articulações pequenas ao igual que a artrite reumatoide (poliartritis), ou a algumas articulações grandes ou médias (oligoartritis); freqüentemente é intermitente, com rebrotes seguidos de períodos de remissão.
Pode ser difícil distinguir entre a artrite derivada do HCV e a artrite reumatoide clássica. Os estudos mostraram que as pessoas com o HCV, com muita mais freqüência que as pessoas HCV negativas com artrite reumatoide, padecem crioglobulinemia mista, uma afecção em que certos complexos imunes são formados por anticorpos e partículas virais que se agrupam formando "cachos" no sangue que podem danificar as articulações, a pele, os nervos, os vasos sangüíneos e os rins. Em contraposição, as pessoas HCV positivas com artrite apresentam em uma proporção mais baixa de anticorpos reumatóides e anticorpos contra a queratina.
Outras doenças relacionadas
Nas pessoas com hepatite C crônica se observaram outras afecções reumáticas, mas os dados sobre sua freqüência nos indivíduos HCV positivos são maiores que na população geral resultam pouco concludentes. Entre os transtornos auto-imunes mais vinculados ao HCV - que podem aparecer junto com a artrite - destaca a síndrome do Sjogren, no qual o sistema imunológico ataca às glândulas umectantes, provocando secura ocular (queratoconjuntivitis seca) e boca seca, esclerodermia (produção excessiva de tecido cicatrizado que afetam à pele, os vasos sangüíneos e os órgãos internos), líquen plano (uma doença da pele) e vasculitis (inflamação dos vasos sangüíneos).
Além das manifestações que afetam a diferentes partes do organismo, as doenças reumáticas também podem provocar sintomas similares aos da gripe (como fadiga, dor muscular generalizada e debilidade, perda de apetite e febre baixa), que se ocultam com os sintomas da própria infecção pelo HCV e com os efeitos secundários dos tratamentos com interferon. A anemia também é freqüente. Em alguns casos, esses sintomas podem ser sinais da síndrome de fadiga crônica ou fibromialgia (dor musculoesquelético generalizado e pontos dolorosos localizados); ambas as afecções parecem ter relação com disfunções imunológicas e endocrínicas, embora não se compreende bem sua procedência exata.
Ainda não se sabe com certeza se a infecção pelo HCV contribui ao desenvolvimento de doenças reumáticas ou outros transtornos auto-imunes, nem de que forma influem se assim for. Os pesquisadores estimam que a artrite derivada do HCV possa ser uma manifestação da crioglobulinemia, ou que o HCV poderia invadir diretamente as células sinoviales e desencadear a inflamação, ou que a infecção pelo HCV poderia alterar a regulação normal do sistema imune ou estimular a produção de anticorpos que ataquem os tecidos do corpo.
Alguns sintomas são mais comuns entre os pacientes com cirrose, o que sugere que a insuficiência hepática poderia ter relação com este transtorno. Embora ainda falte muito por saber, alguns especialistas como o Dr. Leonard Calabrese, da Clínica de Cleveland, acreditam que "o HCV constitui uma das causas principais não detectadas de sintomatologia reumática". De fato, muitos médicos recomendam que os pacientes com dores articulares ou outros sintomas reumáticos sem explicação aparente realizem o teste da hepatite C.
Tratamento das doenças reumáticas
O objetivo do tratamento destes transtornos é controlar os sintomas como a dor e a fadiga, rebater a perda de função e evitar a progressão a danos mais graves. Tendo em conta a ausência de estudos específicos sobre este tema, a artrite derivada do HCV freqüentemente se trata do mesmo modo que a artrite reumatoide clássica, quer dizer, mediante medicamentos e intervenções cirúrgicas.
Os medicamentos para a artrite reumatoide são:
- Analgésicos: para aliviar a dor, como o paracetamol ou os opiáceos.
- Antiinflamatorios não esteróides (AINE): medicamentos sem receita como a aspirina ou o ibuprofeno, assim como inibidores da COX-2 tais como o celecoxib (Celebrex).
- Imunossupressores: corticosteróides (glucocorticoides) como a prednisona.
- Medicamentos antirreumáticos de ação lenta (FAAL): onde se destacam a ciclosporina, a penicilamina, a azatioprina (Imuran), a hidroxicloroquina (Plaquenil), a leflunomida (Arava), o metotrexato (Rheumatrex), a minociclina (Minocin), a sulfasalazina (Azulfidine) e as sais de ouro injetáveis ou administradas por via oral.
- Modificadores da resposta biológica (MRB): são medicamentos que influem na atividade das citocinas; destacam os antagonistas do fator de necrose tumoral etanercept (Enbrel), infliximab (Remicade) e adalimumab (Humira), assim como o antagonista da interleucina-1 anakinra (Kineret). Os analgésicos e os AINE aliviam sintomas como a dor e a rigidez, mas não evitam a progressão da doença nem previnem os danos articulatórios como o fazem os FAAL, os MRB e (em menor medida) os corticosteróides. Freqüentemente se utilizam diferentes classes de medicamentos de forma combinada; uma das terapias mais eficazes e a de metotrexato mais um MRB. Antes era freqüente começar com AINE ou corticosteróides e esperar a que aparecessem sinais de dano articulatório antes de iniciar o tratamento com o FAAL ou MRB, agora se considera preferível iniciar um tratamento intensivo desde o começo para prevenir erosões ósseas irreversíveis.
Ainda não se estabeleceu o tratamento ótimo contra a artrite derivada do HCV. Os AINE e os corticosteróides em dose baixas foram tradicionalmente a terapia, mas por desgraça, alguns estudos sugerem que a artrite derivada do HCV não responde aos antiinflamatorios tão bem como a artrite reumatoide clássica. Além disso, os efeitos colaterais são motivos de preocupação para as pessoas com hepatite C crônica. O metotrexato, sem ir mais longe, provoca toxicidade hepática e supressão da medula óssea, e o uso prolongado de corticosteróides dá lugar a desgaste ósseo. Muitos especialistas preferem evitar o metotrexato (e substituí-lo por hidroxicloroquina ou sulfasalazina), mas outros acreditam que pode usar-se sem perigo sempre que se controle de perto a função hepática; um estudo francês achou que a maioria dos pacientes HCV positivos tratados com metotrexato mostrou uma melhoria dos sintomas reumáticos com poucos resultados negativos. Outra preocupação é que os medicamentos que suprimem o sistema imunológico potencializem a multiplicação do HCV.
De acordo com os limitados dados que existem até o presente momento, os MRB parecem ser seguros em pessoas com hepatite C. Por exemplo, na edição de janeiro de 2007 da revista Rheumatology, outro estudo francês revelou que um tratamento de três meses com etancercept em nove pacientes com manifestações reumáticas derivadas do HCV não produz elevações das enzimas hepáticas nem do ARN do HCV (Carga Viral). Entretanto, a melhoria clínica foi variável, e menos freqüente que a que se observou entre os pacientes com artrite reumatoide clássica.
O interferon demonstrou em alguns estudos sua capacidade de melhorar - e inclusive resolver por completo - algumas afecções como a artrite derivada do HCV e a crioglobulinemia. Entretanto, ao ser um imunomodulador, em alguns casos desencadeia ou agrava os transtornos auto-imunes (como o tiroidismo). Alguns especialistas desaconselham o interferon como tratamento de afecções reumáticas ou auto-imunes a não ser que o paciente o necessite também para tratar uma doença hepática, mas outros acreditam que a presença de artrite é motivo suficiente para iniciar uma terapia com interferon, e quanto antes melhor. Além de farmacoterapia, os sujeitos com doenças reumáticas derivadas do HCV devem tomar medidas para melhorar sua qualidade de vida, recomendando equilibrar a atividade física com o repouso, fazer exercício moderado com regularidade para manter a força e a flexibilidade (a natação é boa por seu impacto baixo sobre as articulações), controlar o estresse e utilizar técnicas complementares contra a dor, como a acupuntura.
Fontes citadas:
R. Remoroza and H. Bonkovsky. Extrahepatic Manifestations of Chronic Hepatitis C. Hepatitis C Support Project Medical Writers' Circle. Marotte, H. et al, Etanercept treatment for three months is safe in patients with rheumatological manifestations associated with hepatitis C virus. Rheumatology 46(1): 97-99. January 2007.
Nissen, M.J. et al. Rheumatological manifestations of hepatitis C: incidence in a rheumatology and non-rheumatology setting and the effect of methotrexate and interferon. Rheumatology 44(8): 1016- 1020. August 2005. Leone, N. et al. Mixed cryoglobulinaemia and chronic hepatitis C virus infection: the rheumatic manifestations. Journal of Medical Virology 66(2): 200-203. February 2002.
Palazzi, C. et al. Management of hepatitis C virus-related arthritis. Expert Opinion in Pharmacotherapy 6(1): 27-34. January 2005. Zuckerman, E. et al. Management of hepatitis C virus-related arthritis. Biodrugs 15(9): 573-584. 2001.
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05/03/2007
MI COMENTARIO:
Estoy empezando por el comentario, colocándolo antes del artículo porque el desvenda en parte el gran misterio de los dolores musculares y en las articulaciones relatadas por un alto número de portadores de Hepatitis C, como también sirve de mostrar como la enfermedad puede afectar la capacidad de trabajo de los infectados.
Es normal el paciente oír del médico que "todo no pasa de su imaginación". Este tipo de médico piensa que Hepatitis C es solamente un virus dentro del hígado y que otras cosas no tienen la menor importancia. No consiguen ver que del otro lado de la mesa existe un ser humano que tiene familia, amigos, trabajo y problemas físicos, clínicos o emocionales, simplemente miran para una muestra de sangre conteniendo un virus, que debe se quedar quieta, callada, sin poder preguntar u opinar, siendo obediente a todo aquello que el señor superior determinar. Venturosamente, también existen médicos humanos, que escuchan y atienden el paciente de forma digna.
Este artículo es más un ejemplo que demuestra que evaluar la capacidad de trabajo de un paciente hepatopata utilizando solamente el índice MELD es un embuste total, una falta de respeto para con el paciente, una forma de emitir un laudo "falso" con relación a la capacidad de trabajo del individuo.
Lamentablemente aquéllos que imaginaron que el MELD podría ser utilizado para evaluar la capacidad productiva de alguien con hepatopatia grave no quieren aceptar que erraron feo, continuando a impedir que aquéllos que podrían acceder a los beneficios otorgados por ley continúen sin los poder usufructuar.
Este artículo huye de nuestra línea editorial. Evitamos hablar en medicamentos para evitar la automedicación, pero el artículo de la Dra. Liz Highleyman fue colocado de forma integral, intentando así auxiliar los médicos sobre terapias que podrían ser utilizadas para aminorar el sufrimiento de los pacientes con Hepatitis C.
Carlos Varaldo
Grupo Optimismo
Enfermedades Reumáticas en Personas con Hepatitis C
Liz Highleyman
Es bien sabido que el virus de la hepatitis C (HCV) puede derivar en enfermedades hepáticas avanzadas, pero no todas las enfermedades asociadas a la hepatitis C crónica afectan al hígado. Los trastornos reumáticos son algunas de las manifestaciones extrahepáticas (fuera del hígado) que pueden sufrir las personas com hepatitis C. Aunque se desconoce la causa exacta que los provoca, estas afecciones parecen proceder de una anomalía de la respuesta autoinmunitaria, en la cual el sistema inmunológico ataca a los tejidos del propio organismo. Aunque no es posible pronosticar quién va a padecer enfermedades reumáticas derivadas del HCV, éstas son más frecuentes en las mujeres que em los hombres, y parecen tener um componente genético importante.
Artritis Derivada del HCV
La artritis es probablemente el trastorno reumático más común em las personas HCV positivas, afectando a una proporción de entre el 10% y el 50% según los estudios. La artritis derivada del HCV es similar a la artritis reumatoidea (AR), una enfermedad crónica em la que el sistema inmunitario daña la membrana sinovial que rodea a las articulaciones. Los sintomas suelen aparecer en las articulaciones pequeñas de los dedos, muñecas, pies y tobillos en ambos lados del cuerpo, y consisten en dolor, inflamación y rigidez, especialmente por la mañana. Con el paso del tiempo, las células inflamadas liberan enzimas que dañan los huesos y cartílagos, lo que provoca dolor crónico, deformidades y perdida de movilidad. La artritis reumatoidea también puede comprometer a la piel, los nervios, los pulmones y el corazón.
La mayor parte de los afectados muestran elevaciones de un grupo de anticuerpos que anteriormente se denominaba factor reumatoideo, pero eso no siempre sucede durante las primeras etapas de la enfermedad. Además, suele observarse um aumento en la velocidad de sedimentación globular (VSG) y en la proteína C reactiva, dos marcadores biológicos de inflamación. La artritis derivada del HCV se diferencia de la artritis reumatoidea clásica em que tiende a ser más leve y menos capaz de provocar erosión ósea y deformidades. Puede afectar a múltiples articulaciones pequeñas al igual que la artritis reumatoidea (poliartritis), o bien a algunas articulaciones grandes o medianas (oligoartritis); a menudo es intermitente, con rebrotes seguidos de períodos de remisión.
Puede ser difícil distinguir entre la artritis derivada del HCV y la artritis reumatoidea clásica. Los estudios han mostrado que las personas con el HCV, con mucha más frecuencia que lãs personas HCV negativas con artritis reumatoidea, padecen crioglobulinemia mixta, una afección en la que ciertos complejos inmunitarios constituídos por anticuerpos y partículas víricas se agrupan formando racimos en la sangre que pueden dañar las articulaciones, la piel, los nervios, los vasos sanguíneos y los riñones. Em contraposición, las personas HCV positivas con artritis presentan em una proporción más baja de anticuerpos reumatoideos y anticuerpos contra la queratina.
Otras Enfermedades Relacionadas
En los sujetos con hepatitis C crónica se han observado otras afecciones reumáticas, pero los datos sobre su frecuencia y si son más comunes en las personas HCV positivas que en la población general resultan poco concluyentes. Entre los trastornos autoinmunitarios más vinculados al HCV - que pueden aparecer junto con la artritis - destaca el síndrome de Sjögren, en el cual el sistema inmunitario ataca a las glándulas humectantes, provocando sequedad ocular (queratoconjuntivitis seca) y sequedad bucal, esclerodermia (producción excesiva de tejido cicatrizado que afecta a la piel, los vasos sanguíneos y los órganos internos), líquen plano (una enfermedad de la piel) y vasculitis (inflamación de los vasos sanguíneos).
Además de las manifestaciones que afectan a distintas partes del organismo, las enfermedades reumáticas también pueden provocar síntomas similares a los de la gripe (como fatiga, dolor muscular generalizado y debilidad, pérdida de apetito y fiebre baja), que se solapan con los síntomas de la propia infección por el HCV y con los efectos secundarios de los tratamientos con interferón. La anemia también es frecuente. En algunos casos, esos síntomas pueden ser signos del síndrome de fatiga crónica o fibromialgia (dolor musculoesquelético generalizado y puntos dolorosos localizados); ambas afecciones parecen tener relación con disfunciones inmunitarias y endocrinas, aunque no se comprende bien su procedencia exacta.
Todavía no se sabe con certeza si la infección por el HCV contribuye al desarrollo de enfermedades reumáticas u otros trastornos autoinmunitarios, ni de de qué forma influye si así fuera. Los investigadores han conjeturado que la artritis derivada del HCV puede ser uma manifestación de la crioglobulinemia, o que el HCV podría invadir directamente las células sinoviales y desencadenar la inflamación, o que la infección por el HCV podría alterar la regulación normal del sistema inmunitario o estimular la producción de anticuerpos que ataquen a los tejidos normales.
Algunos síntomas son más comunes entre los pacientes con cirrosis, lo que sugiere que la insuficiência hepática podría tener relación con este trastorno. Aunque queda mucho por saber, algunos expertos como el Dr. Leonard Calabrese, de la Clínica de Cleveland, creen que "el HCV constituye una de lãs causas principales no detectadas de sintomatología reumática". De hecho, muchos médicos recomiendan que los pacientes con dolores articulatorios u otros sintomas reumáticos sin explicación aparente se hagan la prueba del HCV.
Tratamiento de lãs Enfermedades Reumáticas
El objetivo del tratamiento de estos trastornos es controlar los síntomas como el dolor y la fatiga, contrarrestar la pérdida de función y ralentizar la progresión a daños más graves. Teniendo en cuenta la ausencia de estudios específicos sobre este tema, la artritis derivada del HCV a menudo se trata del mismo modo que la artritis reumatoidea clásica, es decir, mediante fármacos e intervenciones quirúrgicas.
Los medicamentos para la artritis reumatoidea son:
- Analgésicos: para aliviar el dolor, como el paracetamol o los opiáceos.
- Antiinflamatorios no esteroideos (AINE): fármacos sin receta como la aspirina o el ibuprofeno, así como inhibidores de la COX-2 tales como el celecoxib (Celebrex).
- Inmunosupresores: corticosteróides (glucocorticoides) como la prednisona.
- Fármacos antirreumáticos de acción lenta (FAAL): destacan la ciclosporina, la penicilamina, la azatioprina (Imuran), la hidroxicloroquina (Plaquenil), la leflunomida (Arava), el metotrexato (Rheumatrex), la minociclina (Minocin), la sulfasalazina (Azulfidine) y las sales de oro inyectables o administradas por vía oral.
- Modificadores de la respuesta biológica (MRB): son fármacos que influyen en la actividad de las citocinas; destacan los antagonistas del factor de necrosis tumoral etanercept (Enbrel), infliximab (Remicade) y adalimumab (Humira), así como el antagonista de la interleucina-1 anakinra (Kineret). Los analgésicos y los AINE alivian síntomas como el dolor y la rigidez, pero no ralentizan la progresión de la enfermedad ni previenen los daños articulatorios como lo hacen los FAAL, los MRB y (em menor medida) los corticosteroides. A menudo se utilizan diferentes clases de fármacos conjuntamente; una de las politerapias más eficaces es la de metotrexato más un MRB. Aun que antes era frecuente comenzaron AINE o corticosteroides y esperar a que aparecieran signos de daño articulatorio antes de iniciar el tratamiento con FAAL o MRB, ahora se considera preferible iniciar un tratamiento intensivo desde el principio para prevenir erosiones óseas irreversibles.
Todavía no se ha establecido el tratamiento óptimo contra la artritis derivada del HCV. Los AINE y los corticosteroides en dosis bajas han sido tradicionalmente las piedras angulares de la terapia, pero por desgracia, algunos estudios sugieren que la artritis derivada del HCV no responde a los antiinflamatorios tan bien como la artritis reumatoidea clásica. Además, los efectos secundários son motivo de preocupación para las personas con hepatitis C crónica. El metotrexato, sin ir más lejos, provoca toxicidad hepática y supresión de la médula ósea, y el uso prolongado de corticosteróides da lugar a desgaste óseo. Muchos expertos prefieren evitar el metotrexato (y sustituirlo por hidroxicloroquina o sulfasalazina), pero otros creen que puede usarse sin peligro siempre que se vigile de cerca la función hepática; un estudio francês halló que la mayoría de los pacientes HCV positivos tratados com metotrexato mostraron una mejoría de los síntomas reumáticos com pocos resultados negativos. Outra preocupación es que los fármacos que suprimen el sistema inmunitario potencien la multiplicación del HCV.
Basándose en los datos limitados que existen hasta la fecha, los MRB parecen ser seguros en personas con hepatitis C. Por ejemplo, en la edición de enero de 2007 de la revista Rheumatology, otro estúdio francés reveló que un tratamiento de tres meses con etancercept em nueve pacientes con manifestaciones reumáticas derivadas del HCV no produce elevaciones de las enzimas hepáticas ni del ARN del HCV (Carga Viral). Sin embargo, la mejoría clínica fue variable, y menos frecuente que la que se ha observado entre los pacientes con artritis reumatoidea clásica.
El interferón ha demostrado en algunos estudios su capacidad de mejorar - e incluso resolver por completo- algunas afecciones como la artritis derivada del HCV y la crioglobulinemia. Sin embargo, al ser un inmunomodulador, em ocasiones desencadena o agrava los trastornos autoinmunitarios (como la inflamación tiroidea). Algunos expertos desaconsejan el interferon como tratamiento de afecciones reumáticas o autoinmunitarias a no ser que el paciente lo necesite también para tratar una enfermedad hepática, pero otros creen que la presencia de artritis es motivo suficiente para iniciar una terapia com interferón, y cuanto antes mejor. Aparte de farmacoterapia, los sujetos con enfermedades reumáticas derivadas del HCV pueden tomar medidas para mejorar su calidad de vida. Se recomienda equilibrar la actividad con el descanso, hacer ejercicio moderado con regularidad para mantener la fuerza y la flexibilidad (la natación es buena por su impacto bajo sobre las articulaciones), controlar el estrés y utilizar técnicas complementarias contra el dolor, como la acupuntura y la biorregulación.
Bibliografia
R. Remoroza and H. Bonkovsky. Extrahepatic Manifestations of Chronic Hepatitis C. Hepatitis C Support Project Medical Writers' Circle. Marotte, H. et al, Etanercept treatment for three months is safe in patients with rheumatological manifestations associated with hepatitis C virus. Rheumatology 46(1): 97-99. January 2007.
Nissen, M.J. et al. Rheumatological manifestations of hepatitis C: incidence in a rheumatology and non-rheumatology setting and the effect of methotrexate and interferon. Rheumatology 44(8): 1016- 1020. August 2005. Leone, N. et al. Mixed cryoglobulinaemia and chronic hepatitis C virus infection: the rheumatic manifestations. Journal of Medical Virology 66(2): 200-203. February 2002.
Palazzi, C. et al. Management of hepatitis C virus-related arthritis. Expert Opinion in Pharmacotherapy 6(1): 27-34. January 2005. Zuckerman, E. et al. Management of hepatitis C virus-related arthritis. Biodrugs 15(9): 573-584. 2001.